Porto Alegre, domingo, 27 de dezembro de 2020.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
domingo, 27 de dezembro de 2020.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Coronavírus

- Publicada em 15h01min, 27/12/2020. Atualizada em 16h36min, 27/12/2020.

Bolsonaro: 'caso exercesse pressões por vacina, seria acusado de interferência'

Presidente afirmou que Anvisa é independente, e também levantou dúvida sobre efeitos colaterais

Presidente afirmou que Anvisa é independente, e também levantou dúvida sobre efeitos colaterais


Marcelo Camargo/Agência Brasil/JC
Um dia após declarar que não se sente pressionado pelo início da vacinação contra a covid-19 em dezenas de países, o presidente Jair Bolsonaro usou uma rede social neste domingo (27) para falar sobre o que intitulou de "a pressa pela vacina". Oficialmente, o Brasil ainda não tem uma data para iniciar a imunização da população.
Um dia após declarar que não se sente pressionado pelo início da vacinação contra a covid-19 em dezenas de países, o presidente Jair Bolsonaro usou uma rede social neste domingo (27) para falar sobre o que intitulou de "a pressa pela vacina". Oficialmente, o Brasil ainda não tem uma data para iniciar a imunização da população.
No Facebook, Bolsonaro voltou a dizer que nenhum dos quatro laboratórios que realizam testes clínicos com vacinas no País até agora apresentou pedido de registro ou uso emergencial à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O presidente afirmou que não tem poder para influenciar ações da agência reguladora.
"A Anvisa é uma agência de Estado, não de governo. Sua atuação é independente e reconhecida no mundo todo, pela excelência do trabalho dos seus servidores. O presidente da República, caso exercesse pressões pela vacina, seria acusado de interferência e irresponsabilidade", disse.
Mais uma vez, Bolsonaro levantou suspeita sobre os possíveis efeitos colaterais das vacinas. Ontem, ele já havia criticado a postura dos laboratórios em não se responsabilizarem por eventuais reações adversas após a aplicação dos imunizantes.
"Temos pressa em obter uma vacina, segura, eficaz e com qualidade, fabricada por laboratórios devidamente certificados. Mas a questão da responsabilidade por reações adversas de suas vacinas é um tema de grande impacto, e que precisa ser muito bem esclarecido", disse o presidente neste domingo.
Bolsonaro sempre se mostrou arredio ao uso da vacina Coronavac, por exemplo, que tem origem na China, no laboratório Sinovac, e está sendo negociada pelo governo do Estado de São Paulo para ser produzida no Instituto Butantan. Há um claro jogo de forças entre o presidente e o governador João Doria (PSDB) em torno do imunizante.
A primeira vez que o governo federal considerou o uso da vacina que será produzida com o país asiático foi no dia 16, quando o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, estimou que a imunização contra a covid-19 no Brasil começaria em "meados de fevereiro". Já o governo de São Paulo mantém a estimativa de iniciar a imunização, por grupos prioritários, em 25 de janeiro.
Obrigatoriedade
Ainda no Facebook, Bolsonaro insistiu que, assim que algum laboratório obtiver o aval da Anvisa, a vacina será oferecida de "forma gratuita e não obrigatória" - enfatizou, usando letras maiúsculas. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu neste mês a favor da vacinação obrigatória contra o covid-19. Por 10 a 1, o Tribunal entendeu que Estados e municípios podem decidir sobre a obrigatoriedade da imunização e até mesmo impor restrições para quem se recuse a ser vacinado. A medida, contudo, não significa vacinação à força, sem o consentimento do indivíduo.
Na prática, o STF deu a Estados e municípios de todo o País o poder de definir as sanções contra os indivíduos que não queiram ser vacinados, desde que sejam medidas razoáveis - e amparadas em leis. A carteira de vacinação em dia já é exigida, por exemplo, para matrícula em escolas, concursos públicos e pagamento de benefícios sociais.
Agência Estado
Comentários CORRIGIR TEXTO