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Saúde

- Publicada em 20h50min, 25/10/2020. Atualizada em 15h28min, 26/10/2020.

Pandemia pode diminuir níveis de vacinação adulta e infantil

Sucesso das campanhas levou pais a relaxarem na imunização

Sucesso das campanhas levou pais a relaxarem na imunização


/MARCELO G. RIBEIRO/JC
Yasmim Girardi
A redução da cobertura vacinal no Brasil e no mundo é uma preocupação há algum tempo. Em julho, porém, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertaram para o declínio na vacinação infantil durante a pandemia de Covid-19. O número, que já diminui há cerca de cinco anos, pode ser ainda menor em 2020. Especialistas acreditam que o motivo da cobertura vacinal no País ter caído pode estar relacionado com a falta de informação. Já quanto ao ano de 2020, a razão pode ser o medo de contaminação.
A redução da cobertura vacinal no Brasil e no mundo é uma preocupação há algum tempo. Em julho, porém, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertaram para o declínio na vacinação infantil durante a pandemia de Covid-19. O número, que já diminui há cerca de cinco anos, pode ser ainda menor em 2020. Especialistas acreditam que o motivo da cobertura vacinal no País ter caído pode estar relacionado com a falta de informação. Já quanto ao ano de 2020, a razão pode ser o medo de contaminação.
A vacinação é responsável por prevenir doenças como caxumba, gripe, pneumonia, febre amarela, dengue e poliomielite, por exemplo. Em 2016, o Brasil conquistou o certificado de erradicação do sarampo pela Organização Panamericana de Saúde (Opas), feito que só foi possível por causa da vacina. Dois anos depois, a cobertura vacinal para a doença começou a cair e, no ano passado, o País perdeu o selo. "O que aconteceu com o sarampo pode acontecer com qualquer outra doença imunoprevenível", atenta o pediatra e membro do Comitê de Infectologia da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) Juarez Cunha.
Segundo números de 2018 do Programa Nacional de Vacinação, entre as vacinas infantis com menor cobertura estavam a primeira dose da tetraviral (que protege contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela), com 53,5%; a dose contra a hepatite A, com 57,1%; e a pentavalente (que protege contra coqueluche, difteria, tétano, meningite e hepatite B) com 59,6%. Além dessas, Cunha se preocupa com a poliomielite. De acordo com o Ministério de Saúde (MS), não há casos de poliomielite no Brasil desde 1990. 
Doenças como a rubéola, erradicada do Brasil desde 2015, e o tétano materno e neonatal, eliminado das Américas em 2017, preocupam. Cunha enfatiza que essas conquistas foram por causa da vacinação. "O valor da vacinação é inquestionável, é a principal ferramenta que temos hoje em termos de prevenção e promoção da saúde."
De acordo com a pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), 73% dos 1.525 pediatras consultados notaram que as crianças deixaram de ser vacinadas durante a pandemia. Além do medo de contaminação pelo novo coronavírus, o pediatra acredita que a falta de informação seja um dos motivos para que o Brasil não consiga alcançar as metas de vacinação. "Por conta dessas doenças estarem erradicadas há algum tempo, muitos pais pensam que não precisam mais vacinar os filhos", explica Cunha. "É a vacina sendo vítima do seu próprio sucesso", brinca a pediatra e Líder da Área Médica de Vacinas da Pfizer no Brasil, Júlia Spinardi.

Vacinação não é necessária somente para crianças

As crianças são mais vulneráveis e, por isso, têm um calendário vacinal tão extenso. Mas idosos e pessoas de todas as faixas etárias com doenças crônicas também são muito vulneráveis, segundo Cunha. Apesar dessas especificidades, adolescentes e adultos saudáveis também não podem deixar de se vacinar. Para Júlia, o principal motivo dos índices de vacinação adulta também estarem baixos é a falta de informação e orientação médica.

Segundo a especialista, além de o paciente não saber sobre a importância e a disponibilidade da vacina, os médicos não estão acostumados a falar sobre o assunto e, portanto, não sabem orientar o paciente corretamente. Júlia afirma que, no Brasil, esse caso é comum para os doentes crônicos. "Eles têm um calendário vacinal pensado para eles, mas muitas vezes são esquecidos da sua orientação vacinal. Então, por exemplo, o oncologista foca só em tratar o câncer do paciente oncológico, mas esquece de olhar esse paciente como um todo."

A vacinologia é uma ciência que tem evoluído e avançado muito nas últimas décadas. "Um adulto de 40 anos não tomou nem um terço das vacinas que uma criança pequena toma hoje em dia. São vacinas mais tecnológicas que chegaram agora para prevenção de doenças que acometem a humanidade há séculos, mas que só conseguimos desenvolver a vacina depois de muito tempo e muito estudo", pontua a médica. Um exemplo, segundo Júlia, é referente as vacinas meningocócicas. "Quando éramos crianças, tinham poucas vacinas para a proteção da meningite. E muitas se provaram com baixa eficácia. Hoje, a criança no segundo mês de vida toma pelo menos a vacina para cinco meningococos diferentes."

A médica entende, porém, que não dá para esperar que o adulto que nunca foi informado sobre isso faça essa conexão e entenda a importância da vacinação. "Os médicos precisam se informar da dinamicidade das novas vacinas e das novas opções. E, além disso, os adultos e idosos que souberem disso, devem questionar seus médicos", defende.

Ainda que as campanhas de vacinação tenham sido suspensas, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre afirma que todas as vacinas do calendário infantil e adulto estão disponíveis no momento. As únicas exceções são a antirrábica, que está em desabastecimento pelo Ministério da Saúde, e a BCG (previne tuberculose), porque a maioria das maternidades realizam.

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