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Trânsito

- Publicada em 15h14min, 16/08/2020. Atualizada em 15h35min, 16/08/2020.

Pedágio urbano em Porto Alegre: 'Só se for para pagar ao usuário', diz ex-presidente da EPTC

Fotos de Luiz Afonso Senna, conselheiro presidente da Agergs para a entrevista especial

Fotos de Luiz Afonso Senna, conselheiro presidente da Agergs para a entrevista especial


LUIZA PRADO/JC
Patrícia Comunello
"Só se for para pagar para o usuário entrar em algumas partes da cidade", provoca o ex-secretário de Mobilidade Urbana de Porto Alegre e ex-diretor-presidente da Empresa de Transporte e Circulação (EPTC) Luiz Afonso Senna, sobre a proposta reapresentada pelo prefeito Nelson Marchezan Júnior de criar um pedágio urbano para veículos acessarem o Centro Histórico.  
"Só se for para pagar para o usuário entrar em algumas partes da cidade", provoca o ex-secretário de Mobilidade Urbana de Porto Alegre e ex-diretor-presidente da Empresa de Transporte e Circulação (EPTC) Luiz Afonso Senna, sobre a proposta reapresentada pelo prefeito Nelson Marchezan Júnior de criar um pedágio urbano para veículos acessarem o Centro Histórico.  
O prefeito, prestes a ver o começo do processo de impeachment em clima de pré-eleição enquanto tenta lidar com a pandemia do novo coronavírus, propôs a cobrança dentro de um pacote de ações em mobilidade como forma de reduzir o valor da passagem de ônibus coletivo. O transporte privado pagaria R$ 4,70, valor proposto, para subsidiar uma tarifa mais barata e evitar o colapso do sistema público, segundo tese da administração.  
Para o ex-secretário e ex-diretor-presidente da EPTC entre 2005 e 2010, a ideia de criar o pedágio não é nova e recorda da resposta que dava a quem vinha com a sugestão nos cinco anos em que comandou a área de mobilidade da Capital: "Não vou cobrar dele, teria de pagar para o usuário".
O atual conselheiro-presidente da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs), que esclarece estar opinando como ex-diretor-presidente da EPTC, critica a prática de copiar modelos de outros lugares sem que se pondere as condições e características da atividade do local onde já se aplica a solução e a porto-alegrense.
A cidade de Londres é a mais conhecida por ter adotado pedágio para acessar áreas centrais. "Por que Londres adotou? Provavelmente, o PIB da capital inglesa é parecido (ou maior) que o do Rio Grande do Sul inteiro."
"Só recomendo muita cautela, para não embarcar em modismos, e cuidado para que se tome uma decisão que seja sustentável", afirmou o professor da Ufrgs, em entrevista especial da editoria de Política do Jornal do Comércio. "Responsabilidade é sempre bom na gestão." 
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Calçadões como o da Rua da Praia expulsaram atividades devido a restrições ao tráfego. Foto: Joyce Rocha/JC 
Senna lembra que o Centro já teve sua idade de ouro, até os anos de 1970.
"Quando era estudante de Engenharia Civil - ele se formou em 1980 -, a avenida Salgado Filho era a Padre Chagas de Porto Alegre", lembra, comparando com a rua localizada no bairro Moinhos de Vento, endereço de lojas de grife e que dita moda. Medidas adotadas na década de 1970, diz Senna, como impedir que carros chegassem à região central, mudaram a fisionomia da região central. 
Quando era secretário, o então gestor liberou o tráfego de motoristas que subiam a rua Dr Flores para cruzar e pegar o sentido da Salgado Filho em direção à avenida João Pessoa, que era fechado.
"Isso foi manchete em jornais na época. A parte central é uma espécie de ilha. Se cobrarem para as pessoas entrarem, o comércio vai reagir. Já vimos isso." Medidas que possam dificultar o acesso, como pedágios, afetam setores que geram renda e emprego, diz. "É muito simples, o comércio é muito ágil. Ele vai embora para outros bairros. 
Senna recorda a implantação de grandes calçadões na década de 1970 em muitas cidades brasileiras, incluindo Porto Alegre, em resposta à primeira crise do petróleo. A justificativa, explica o especialista, era para que as pessoas não chegassem de carro à rua dos Andradas (a popular Rua da Praia).
"Para não gastar mais gasolina porque o Brasil era importador de combustível, com isso reduziria a demanda", associa. O efeito das restrições foi a mudança no perfil das atividades no Centro.
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