Porto Alegre, quarta-feira, 29 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
quarta-feira, 29 de julho de 2020.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Desigualdade Social

- Publicada em 20h37min, 28/07/2020. Atualizada em 20h37min, 28/07/2020.

Faixa de extrema pobreza é a menor em 40 anos no Brasil

Auxílio emergencial foi responsável pela redução dos indicadores

Auxílio emergencial foi responsável pela redução dos indicadores


/Marcelo Camargo/Agência Brasil/JC
A faixa da população que vive em extrema pobreza foi a menor dos últimos 40 anos no Brasil, na passagem de maio para junho deste ano. É o que revela levantamento feito pelo pesquisador Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Covid-19 (Pnad Covid-19) de junho, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e nos parâmetros do Banco Mundial na definição de linha de pobreza.
A faixa da população que vive em extrema pobreza foi a menor dos últimos 40 anos no Brasil, na passagem de maio para junho deste ano. É o que revela levantamento feito pelo pesquisador Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Covid-19 (Pnad Covid-19) de junho, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e nos parâmetros do Banco Mundial na definição de linha de pobreza.
Duque destacou que os níveis são os menores já registrados por todas as pesquisas domiciliares brasileiras, mas disse que a comparação não é perfeita porque os modelos de levantamentos mudaram ao longo dos anos.
De acordo com a Pnad Covid-19, a faixa dos que vivem com menos de US$ 1,90 por dia, ou R$ 154,00 mensais, considerada de extrema pobreza caiu de 4,2% (8,8 milhões de pessoas) para 3,3% (6,9 milhões) de maio para junho. Já a referente à parcela dos que vivem com menos de US$ 5,50 por dia, ou R$ 446,00 mensais, ou na faixa de pobreza, caiu de 23,8% para 21,7%.
O aumento da cobertura foi possível com a redução dos problemas de acesso ao benefício. Além disso, Duque acrescentou que, mesmo quem não recebeu o auxílio em junho, teve aumento de renda. "Houve incremento de renda na população entre 20% e 30% mais pobre, que teve aumento, fora o auxílio. No entanto, o auxílio foi mais predominante, gerando aumento de quase R$ 40,00 por pessoa entre os 10% mais pobres. Entre os 10% e 20% mais pobres, o aumento foi de R$ 20,00 e, entre os 20% e 30% mais pobres, de pouco mais de R$ 23,00."
Duque observou ainda que, também nesse período, o Congresso expandiu o universo das pessoas que teriam direito ao auxílio emergencial, e este foi mais um fator de impacto. Em julho, a tendência é de estabilização, porque já estará quase completo o número de pessoas com direito ao auxílio emergencial.
Para Duque, a expectativa de fim do benefício é uma preocupação, porque pode alterar o cenário. Ele mencionou a possibilidade de criação de outro tipo de benefício e argumentou que quanto mais demorar a definição de qual será a política social pós-pandemia, mais aumentará o risco de se deixarem muitas famílias vulneráveis à insuficiência de renda.
Comentários CORRIGIR TEXTO