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SAÚDE

Alterada em 23/06 às 17h15min

Projeto do HCPA leva teleatendimento psicoterápico a profissionais da saúde de todo o País

Profissionais do SUS recebem orientações de psiquiatras e psicólogos durante a pandemia

Profissionais do SUS recebem orientações de psiquiatras e psicólogos durante a pandemia


MAURO PIMENTEL/AFP/JC
Fernanda Crancio
Há pouco mais de um mês, um projeto do Ministério da Saúde executado em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) tem oferecido oportunidade de escuta e acolhimento a centenas de profissionais da saúde e estudantes da área que atuam na linha de frente da pandemia da Covid-19 em todo o País. Por meio da realização de teleconsultas psiquiátricas e psicológicas, o TelePSI tem colaborado para minimizar os efeitos de transtornos como ansiedade, depressão, sofrimento e distúrbios do sono, que acometem cada vez mais a esse público.
Há pouco mais de um mês, um projeto do Ministério da Saúde executado em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) tem oferecido oportunidade de escuta e acolhimento a centenas de profissionais da saúde e estudantes da área que atuam na linha de frente da pandemia da Covid-19 em todo o País. Por meio da realização de teleconsultas psiquiátricas e psicológicas, o TelePSI tem colaborado para minimizar os efeitos de transtornos como ansiedade, depressão, sofrimento e distúrbios do sono, que acometem cada vez mais a esse público.
Desde o dia 19 de maio, quando de fato o projeto foi implementado, 349 pessoas procuraram o teleatendimento, voltado exclusivamente a profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). São assistentes sociais, dentistas, nutricionistas, médicos e principalmente técnicos de enfermagem e enfermeiros que atuam em Unidades Básicas de Saúde, postos e hospitais espalhados pelo Brasil. O primeiro contato é feito por meio da central do TelePSI (0800-6446543), a partir daí o paciente recebe um formulário digital e é incluído nas estratégias de atendimento breve (terapia interpessoal breve), que incluem uma ou quatro sessões de 50 minutos de duração. "O objetivo é atendermos mais gente possível em um curto período de tempo, por isso os atendimentos não ultrapassam quatro sessões", explica a psiquiatra Carolina Blaya Dreher, uma das coordenadoras do projeto.
Segundo ela, são oferecidos três tipos de intervenções psicoterápicas adequadas a cada caso, voltadas a atender aos profissionais da saúde que se encontram em situação crescente de estresse por conta da crise do coronavírus. As sessões podem ser feitar por telefone ou chamada de vídeo.
Paralelamente ao atendimento está sendo desenvolvido um projeto de pesquisa sobre a eficácia das diferentes modalidades de psicoterapia para o tratamento de problemas emocionais durante a pandemia. Ele envolve treinamentos dos atendimentos, supervisão e capacitação dos psicólogos e psiquiatras participantes. O projeto é coordenado pelo HCPA, com apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e suporte de outras instituições nacionais. "A pesquisa está sendo feita em todos os estados, mais de 500 profissionais acessaram nossos treinamentos em vídeo e já concedemos ceca de 400 certificações. Com o estudo queremos identificar qual o melhor tipo de tratamento que se ajusta aos profissionais da saúde nesse momento", explica a médica.
Carolina comenta que como o pico da Covid-9 no Brasil foi tardio em relação a outras nações, os terapeutas tiveram a oportunidade de aprender com as estratégias desenvolvidas em outros países e trazê-las à realidade do atendimento local. "Muitos profissionais que recebem atendimento pelo projeto não teriam outra possibilidade se não fosse o TeLePSI. Atendemos em localidades que não têm psiquiatra, por exemplo, e isso é muito gratificante. As questões mais frequentes que aparecem são sobre as incertezas do momento, as dificuldades em lidar com os filhos e o trabalho, o medo de contaminação e as situações graves que são acompanhadas na rotina de trabalho", comenta Carolina.
O retorno dos envolvidos na ação, tanto terapeutas quanto pacientes, tem sido muito favorável e a intenção é prosseguir com os atendimentos enquanto perdurar a crise da Covid-19. "A demanda psiquiátrica não terminará com o fim da pandemia, então, enquanto tivermos de conviver com ela, seguiremos os atendimentos", ressalta a coordenadora.
Os atendimento são realizados de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e envolvem no momento 38 profissionais da equipe de teleatendimento.
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