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Notícia da edição impressa de 18/06/2020. Alterada em 18/06 às 09h13min

Violência doméstica pode ser denunciada em farmácias

Farmácias Associadas são parceiras na ação do Comitê Gaúcho ElesPorElas

Farmácias Associadas são parceiras na ação do Comitê Gaúcho ElesPorElas


MARCO QUINTANA/JC
Gabriela Porto Alegre
Mulheres vítimas de violência doméstica poderão solicitar ajuda e denunciar seus agressores em diversas farmácias de todo o País. Duas campanhas nesse sentido foram lançadas, sendo uma em nível nacional e outra em nível estadual.
Mulheres vítimas de violência doméstica poderão solicitar ajuda e denunciar seus agressores em diversas farmácias de todo o País. Duas campanhas nesse sentido foram lançadas, sendo uma em nível nacional e outra em nível estadual.
A iniciativa do Comitê Gaúcho ElesPorElas, da ONU Mulheres, intitulada Máscara Roxa, tem como objetivo incentivar mulheres a denunciarem casos de agressões nas farmácias que tiverem o selo "Farmácia Amiga das Mulheres", durante o período de isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus. A ideia da campanha é de que, ao chegar na farmácia, a mulher peça uma máscara roxa, que é a senha para que o atendente saiba que se trata de um pedido de ajuda. Dessa forma, o profissional dirá que o produto está em falta e pegará alguns dados para avisá-la quando chegar. Posteriormente, o atendente da farmácia passará às informações coletadas à Polícia Civil, através do WhatsApp, para que o órgão tome as devidas providências.
A campanha se inicia na rede Farmácias Associadas, que se voluntariou para participar da ação e possui 600 lojas em 251 municípios gaúchos. Atendentes da rede já receberam, inclusive, capacitação on-line para garantir a segurança das vítimas. Outras farmácias que desejarem aderir à campanha, também podem participar.
"Não são as mulheres que têm que recuar, são os agressores. Os casos de violência doméstica aumentaram no período da quarentena, mas há subnotificação, visto que as mulheres não conseguem sair para ir à delegacia. Até mesmo fazer uma chamada passa a ser arriscado pela proximidade constante com o agressor", explica o deputado estadual Edegar Pretto (PT), que é coordenador do Comitê Gaúcho ElesPorElas.
Da mesma forma, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) lançaram também a campanha "Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica". Para denunciar os agressores, basta a vítima chegar a uma das 10 mil farmácias participantes e mostrar um X vermelho na palma da mão para que o atendente ou o farmacêutico entenda tratar-se de uma denúncia e, em seguida, acionar a polícia para fazer o encaminhamento e o acolhimento da vítima pelos órgãos competentes.
Os funcionários das mais de 10 mil farmácias parceiras da campanha seguirão protocolos para lidar com a situação e não necessariamente serão chamados a testemunhar nos casos. A ação é voltada para as mulheres que têm dificuldade para prestar queixa de abusos, seja por vergonha ou por medo. A vice-presidente do Conselho Nacional dos Chefes de Polícia (CONCPC), delegada Nadine Anflor, elogiou a iniciativa. "É preciso diminuir o número de casos subnotificados (aqueles que não chegam ao conhecimento da polícia) e ampliar as formas de combate à violência doméstica, de maneira simples e desburocratizada, assim como nos mostra a campanha", afirma Nadine, que é chefe da Polícia Civil gaúcha.
De acordo com o Conselho Federal de Farmácia (CFF), o número de farmácias credenciadas à campanha no Rio Grande do Sul é de 385, mas a expectativa é de que esse número aumente nos próximos meses. "Essas farmácias pertencem às redes Pague Menos, Grupo Rd - Raia, Panvel, Rede Soma e Usifarma. Mas o número no Estado deve chegar, em breve, a 1.028", afirma a entidade, em nota. 
Somente entre março e abril deste ano, os casos de feminicídio cresceram 22,2% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com um levantamento feito em 12 estados e divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). No mesmo levantamento, o FBSP apontou queda na abertura de boletins de ocorrência ligados à violência doméstica.
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