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Coronavírus

03/06/2020 - 16h37min. Alterada em 04/06 às 01h30min

'Daqui a dois anos ninguém mais lembrará da pandemia', adverte Pondé

Narloch e Pondé dividiram a sessão do Fórum da Liberdade Talks sobre o pós-pandemia

Narloch e Pondé dividiram a sessão do Fórum da Liberdade Talks sobre o pós-pandemia


YOUTUBE/REPRODUÇÃO/JC
Patrícia Comunello
Como vai ser a vida pós-quarentena? Se você ainda não consegue vislumbrar o término do isolamento e o impacto das restrições em meio a riscos de contágio do novo coronavírus, o filósofo Luiz Felipe Pondé tem uma ideia. "Daqui a dois anos ninguém mais lembrará da pandemia', prognosticou o filósofo, durante mais um Fórum da Liberdade Talks, versão adaptada ao tempo de distanciamento social e suspensão de eventos presenciais.
Como vai ser a vida pós-quarentena? Se você ainda não consegue vislumbrar o término do isolamento e o impacto das restrições em meio a riscos de contágio do novo coronavírus, o filósofo Luiz Felipe Pondé tem uma ideia. "Daqui a dois anos ninguém mais lembrará da pandemia', prognosticou o filósofo, durante mais um Fórum da Liberdade Talks, versão adaptada ao tempo de distanciamento social e suspensão de eventos presenciais.
O desafio lançado pelos promotores da sessão no YouTube era traçar a vida Além da Quarentena, e Pondé se mostrou cético sobre mudanças radicais provocadas pela Covid-19 no comportamento, que vêm sendo empacotadas como o novo normal. O convidado, ao lado do jornalista Leandro Narloch, dupla que é conhecida por apimentar as opiniões e bater de frente com o politicamente correto, desacreditou até uma intensificação da solidariedade.
O esquecimento ocorreria, segundo Pondé, como efeito da solução para o controle da contaminação, por meio de uma vacina, que é esperada em tempo recorde, até 2021. Para o filósofo, a imunização amenizará o que hoje é o ambiente de estresse da contaminação. A imunização deve resolver o medo sobre os impactos do vírus. "Nem vão lembrar da pandemia, como foi com a gripe espanhola", opinou Pondé.
"É uma piada que a humanidade vai sair mais solidária. Isso nunca ocorreu. Na Segunda Guerra Mundial, todo mundo colaborou para conseguir a 'janta', como dizem os paulistanos", lembrou o filósofo, avaliando que a situação gera mais exploração e até abusos. "Vejo muita solidariedade associada a marcas", observa. 
Pondé admitiu que o lado mais marcante da crise é o das perdas que famílias estão sofrendo pelas mortes de infectados. "Cada morte é uma perda absoluta", registra, para reforçar sua visão sobre os danos que são propalados por muitos como os maiores desde o século passado.
"É a pandemia mais famosa da história, enquanto está passando", resume, com seu toque provocativo, citando que mesmo as perdas de vidas não serão tão grandes quanto outras pandemias, como a da peste negra, nos ano de 1300, que teria exterminado até 200 milhões de pessoas.
"O trabalho foi valorizado, pois morreu tanta gente que a demanda era maior que a oferta de trabalhadores", contrasta. No século 21, o filósofo não vislumbra a escassez de mão de obra. O Brasil vive aumento de desemprego e fechamento de empresas, como efeito de restrições em setores.
aumenta mais medo de ir na festa de se encontrar de dar beijo 
Outro aspecto analisado pelos dois convidados foi a enxurrada de informação sobre a pandemia e o campo de embate em que se transformaram as redes sociais. Pondé associou esse contexto "à pandemia midiatizada, que sofre com a saturação de conteúdo o tempo todo" e admitiu que as pessoas não conseguem analisar de tanto conteúdo que chega aos perfis.
O filósofo apontou ainda que "subcelebridades" ganharam projeção ou pegaram carona na cobertura. "Muitas vão para o saco pós-Covid-19. Muitos torcem que continue o vírus para o subsucesso continuar", provocou Pondé, que bebericava uísque e fumava caximbo em meio ao bate-papo.  
Os dois convidados foram críticos da enxurrada de informação sobre a crise sanitária. Pondé chamou de "pandemia viral de informação", que geraria mais desinformação que domínio do assunto.
Dando uma passadinha pelo cenário atual em que se posições pró e contra o presidente Jair Bolsonaro vicejam, Pondé defendeu que é preciso ter cuidado com retórica violenta. "É ruim para todos", adverte o filósofo.
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