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Saúde

Notícia da edição impressa de 21/05/2020. Alterada em 20/05 às 21h08min

Covid-19 bate doenças cardíacas e é a principal causa de morte no Brasil

Doença ganha corpo no Brasil e País se encaminha para ser o novo epicentro mundial

Doença ganha corpo no Brasil e País se encaminha para ser o novo epicentro mundial


DÉBORA F. BARRETO VIEIRA/IOC-FIOCRUZ/DIVULGAÇÃO/JC
Quem subestimou a gravidade da pandemia do novo coronavírus viu o Brasil registrar a morte de 1.179 brasileiros em razão da Covid-19 na terça-feira e se tornar a principal causa de morte no País. O conjunto de todas as doenças cardiovasculares - como infartos e AVCs -, historicamente o maior motivo de óbitos no Brasil, tiraram 980 vidas por dia em 2018, ano do último dado oficial disponível.
Quem subestimou a gravidade da pandemia do novo coronavírus viu o Brasil registrar a morte de 1.179 brasileiros em razão da Covid-19 na terça-feira e se tornar a principal causa de morte no País. O conjunto de todas as doenças cardiovasculares - como infartos e AVCs -, historicamente o maior motivo de óbitos no Brasil, tiraram 980 vidas por dia em 2018, ano do último dado oficial disponível.
Com o número de terça-feira, também ficaram para trás as mortes diárias por câncer (624) e aquelas por causas externas, como acidentes e violência (424). Os números também se referem a 2018, e são os mais recentes no DataSUS, plataforma do Ministério da Saúde.
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EUA, Reino Unido e França também registraram mais de mil mortes por coronavírus por dia, segundo dados da Universidade Johns Hopkins. Os EUA levaram 70 dias desde o primeiro caso confirmado para atingir a marca, o Reino Unido, 68 dias, a França, 69, e o Brasil, 83 dias.
No dia em que o Brasil ultrapassou a marca de mil mortes em 24h, em decorrência da Covid-19, o Ministério da Saúde escalou para sua tradicional entrevista coletiva no Palácio do Planalto profissionais para falar apenas sobre uma campanha de doação de leite materno e de um serviço de teleatendimento psicológico e psiquiátrico para profissionais da saúde que atuam no combate ao coronavírus.
A pandemia de Covid-19 caminha a passos largos para entrar no ranking de maiores epidemias não só no mundo, mas também no Brasil, onde já acumula mais de 18 mil mortes.
Talvez a maior e mais difícil de mensurar seja a mortandade por varíola e outras doenças trazidas pelos europeus ao continente americano. Estima-se que 90% da população nativa tenha morrido - isso, no Brasil, pode significar algo na ordem de 9 milhões de vidas. A varíola continuou assustando a população, com surtos que chegaram até o começo do século XX. Só no Rio de Janeiro, em 1904, morreram 3,5 mil pessoas. A doença, desfigurante e letal em cerca de 30% dos casos, foi considerada erradicada no país em 1977.
Uma outra doença transmitida pelas vias aéreas e que devastou o Brasil e o mundo foi a gripe espanhola, causada pelo vírus H1N1, logo após a Primeira Guerra Mundial. No mundo, o total de mortos pode superar os 50 milhões; no país, calcula-se que 35 mil morreram.

Pandemia tem efeito intrincado na saúde dos brasileiros

Airton Stein, professor de saúde pública da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), explica que a pandemia tem efeitos intrincados na saúde da população. Pessoas com estágios iniciais de AVC podem deixar de procurar atendimento, e os hipertensos, que somam cerca de 30% da população brasileira, deixam de descobrir a doença e tem o risco de morte - inclusive por Covid-19 - aumentado.

O mesmo raciocínio pode valer para outras condições crônicas, como diabetes. A telemedicina até o momento não supriu as carências do sistema de saúde, que, na avaliação de Stein, sofre com a falta de financiamento. Integram e sobrecarregam esse panorama o sedentarismo, a dieta inadequada e o déficit na saúde mental, com aumento de ansiedade e depressão.

"Para lidar com a pandemia, além de higiene e etiqueta respiratória, é preciso um serviço de atenção primária à saúde efetivo, além do trabalho de médicos intensivistas. A Covid-19 é identificada como respiratória, mas tem impacto em vários sistemas, como o gastrintestinal. Sua história natural ainda está sendo conhecida", diz o professor.

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