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Direitos Humanos

Notícia da edição impressa de 19/05/2020. Alterada em 19/05 às 08h46min

Psicólogas da Ufrgs dão suporte on-line a mulheres durante a pandemia

As reuniões de 1h30min são semanais, por chamadas de áudio e vídeo por Whatsapp

As reuniões de 1h30min são semanais, por chamadas de áudio e vídeo por Whatsapp


MARCELO G. RIBEIRO/ARQUIVO/JC
Bruna Oliveira
A necessidade de isolamento físico em meio à pandemia do novo coronavírus tornou o convívio familiar mais restrito e, consequentemente, mais exposto aos problemas do lar, como a violência doméstica. Atento a isso, um projeto da Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) com entidades parceiras criou grupos que oferecem suporte on-line a mulheres que precisam de socorro psicológico.
A necessidade de isolamento físico em meio à pandemia do novo coronavírus tornou o convívio familiar mais restrito e, consequentemente, mais exposto aos problemas do lar, como a violência doméstica. Atento a isso, um projeto da Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) com entidades parceiras criou grupos que oferecem suporte on-line a mulheres que precisam de socorro psicológico.
A iniciativa foca mulheres que vivem em contexto de vulnerabilidade. A professora e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da Ufrgs, Simone Paulon, explica que a universidade já desenvolvia atividades de auxílio antes da pandemia, mas que a nova realidade exigiu adaptações.
As reuniões de 1h30min são semanais, por chamadas de áudio e vídeo por Whatsapp, com no máximo quatro mulheres e duas terapeutas. Os atendimentos, segundo Simone, acabam tendo dupla finalidade: oferecer auxílio em um momento em que a rede pública está escassa e promover troca de suporte e de alternativas entre as próprias mulheres, que percebem que não estão sozinhas.
A iniciativa conta com apoio da Themis - Gênero, Justiça e Direitos Humanos e da Casa de Referência da Mulher - Mulheres Mirabal, entidades que viram crescer a necessidade de auxílio diante da redução de políticas públicas voltadas às questões de gênero.
"Muitas mulheres estão trancadas em casa com os seus agressores. A Themis nos pediu ajuda para atender a uma demanda emergencial", conta Simone. O foco, em um primeiro momento, eram as Promotoras Legais Populares, que são líderes comunitárias envolvidas no acolhimento a outras mulheres, mas o projeto está sendo expandido para chegar a mais vítimas.
A Themis tem priorizado a ajuda a essas mulheres, com a distribuição de cestas básicas e de crédito para usar no telefone, fundamental para não ficarem isoladas. "Existe um limitador importante que é a tecnologia, já que são mulheres com limitações de espaço e de privacidade para falar", diz Simone.
Dado preocupante revelado na quinta-feira pela Secretaria de Segurança Pública do Estado mostrou alta expressiva nos casos de feminicídio no Rio Grande do Sul. Houve aumento de 66,7% em relação a abril do ano passado. Ainda que o Estado não associe o aumento de casos de violência contra a mulher diretamente à pandemia, a experiência de outros países já indicava esta possível relação também no Brasil.
"Pesquisas da Itália e da China apontavam aumento de 50% a 60% da violência doméstica. Sabíamos que um dos efeitos da pandemia seria esse", pontuou Simone.   
As mulheres que quiserem participar do projeto podem entrar em contato pelas redes sociais no Instagram (www.instagram.com/clinicafeministaufrgs) e no Facebook (www.facebook.com/clinicafeministaufrgs). Também é possível pedir ajuda através dos canais oficias, que seguem atendendo às denúncias mesmo diante do isolamento, como no site da Polícia Civil e pelo telefone, no Disque 180.
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