Porto Alegre, terça-feira, 10 de março de 2020.
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Segurança Pública

Alterada em 10/03 às 19h02min

Integração comunitária é foco da BM em 2020

Coronel Mohr destaca que políticas de prevenção às drogas estão nas metas para este ano

Coronel Mohr destaca que políticas de prevenção às drogas estão nas metas para este ano


MARCO QUINTANA/JC
Gabriela Porto Alegre
À frente do comando-geral da Brigada Militar (BM) desde novembro de 2019, coronel Rodrigo Mohr Picon planeja que 2020 seja um ano de maior integração comunitária, por meio de grupos de WhatsApp, em complemento aos três Is: inteligência, investimento e integração com outros órgãos. Medidas que, segundo ele, foram fundamentais para a redução dos índices de criminalidade no Rio Grande do Sul no ano passado. Além disso, o comandante-geral, que tem 50 anos e está na BM desde 1987, afirmou, em entrevista ao Jornal do Comércio, que efetivar políticas públicas de prevenção às drogas é fundamental para continuar diminuindo a criminalidade.
À frente do comando-geral da Brigada Militar (BM) desde novembro de 2019, coronel Rodrigo Mohr Picon planeja que 2020 seja um ano de maior integração comunitária, por meio de grupos de WhatsApp, em complemento aos três Is: inteligência, investimento e integração com outros órgãos. Medidas que, segundo ele, foram fundamentais para a redução dos índices de criminalidade no Rio Grande do Sul no ano passado. Além disso, o comandante-geral, que tem 50 anos e está na BM desde 1987, afirmou, em entrevista ao Jornal do Comércio, que efetivar políticas públicas de prevenção às drogas é fundamental para continuar diminuindo a criminalidade.
Jornal do Comércio - O Estado encerrou 2019 com os menores indicadores de criminalidade dos últimos dez anos. Em 2020, porém, o orçamento da segurança é 5,9% menor que no último ano. Quais estratégias a BM pretende usar para continuar reduzindo esses índices, mesmo com um investimento menor?
Cel. Rodrigo Mohr Picon - O orçamento pode ter diminuído, mas temos investimentos do Piseg, a lei de incentivo à segurança, que certamente vai dar um apoio grande na questão de materiais. Em relação à diminuição dos índices, obviamente que fica cada vez mais difícil diminuir, à medida em que eles vão, cada vez mais, aumentando. Em 2019, tivemos um trabalho que envolvia muito a questão de inteligência policial, que era de saber o que estava acontecendo, onde estava acontecendo, quem eram os criminosos, enfim, coisas fundamentais, envolvendo a questão dos três Is: inteligência, investimento e integração com outros órgãos. Não só as polícias, mas prefeituras e demais órgãos públicos. E, com isso, tivemos também o impacto I, que é a integração comunitária, que tem se mostrado essencial. À medida em que fomos tendo contato diário com a comunidade e sabendo dos pequenos problemas que tinham, conseguimos resolver problemas antes que eles virassem de fato crimes. Ou seja, conseguíamos atuar em coisas que começavam como um pequeno problema, como uma contravenção, tendo contato com a população. Hoje, ainda fazemos muito disso, desse contato com a comunidade por meio de grupos de WhatsApp. Todos os batalhões estão conectados com as comunidades. No Centro, por exemplo, e nos bairros do entorno, temos atendimento por WhatsApp 24 horas.
JC - Em relação a esse contato direto com a população, o WhatsApp é uma ferramenta que a BM pretende continuar utilizando e incentivando?
Cel. Mohr - Com certeza. Fui comandante do 9º Batalhão, e trabalhamos muito essa questão. Com essa ferramenta, tivemos um retorno muito bom da comunidade e conseguimos resolver problemas como tráfico e arrombamento, ocorrências que, muitas vezes, acabam não entrando nos índices de criminalidade mais violenta. Atuar antes e com o auxílio da população tem se mostrado de grande valor, fazendo crescer ainda mais esse quarto I, de integração com a população. Outra coisa importante é o foco territorial, um dos pontos fortes do RS Seguro. Nele, trabalhamos nas 18 cidades com maior criminalidade. Então o foco territorial é imprescindível, porque, nesses territórios, onde os números são mais altos, temos conseguido baixar. Quando diminuímos, em 2019, os índices de criminalidade nessas cidades, os reflexos puderam ser sentidos em todo o Estado.
JC - Um levantamento realizado pela Associação dos Oficiais da Brigada Militar aponta que 50 policiais militares (PMs) cometeram suicídio entre 2008 e 2018 no Rio Grande do Sul. Já o afastamento de PMs por problemas psiquiátricos chegou a 53% nesse período. A BM trabalha com alguma rede de apoio para auxiliar esses profissionais na prevenção ao suicídio? O que tem sido feito em relação a isso?
Cel. Mohr - Temos dois hospitais, um em Porto Alegre e outro em Santa Maria, ambos com atendimento psiquiátrico. Na Capital, por exemplo, temos uma ala que trabalha somente essas questões. Também possuímos programas dentro da BM de prevenção ao suicídio. A própria Associação dos Oficiais nos ajuda muito nisso, nessa questão de apoio. Inclusive, estamos levantando outros motivos possíveis, porque, muitas vezes, não é só depressão. Às vezes, existem fatores complementares que podem levar ao suicídio.
JC - Em 2019, o número de mortes de PMs em ação foi o maior dos últimos cinco anos. O déficit de efetivo ocorre em todo o País. O Rio Grande do Sul, por exemplo, é o estado que paga o menor salário aos policiais militares, e, há cinco anos, com atrasos e parcelamentos. Somando esses fatores, além da pressão diária imposta pela sociedade, da falta de armamentos e, talvez, até de um treinamento adequado, existe algum plano de ação que vise evitar a ocorrência de óbitos?
Cel. Mohr - É, às vezes, não tem como evitar o inevitável. O policial tem uma formação que dura uns oito ou nove meses antes de ingressar no serviço ostensivo. Quando se forma, sai preparado e com treinamento. Treinamentos, inclusive, que são renovados, obrigatoriamente, todos os anos. Mas a nossa atividade não é 100% segura. O que aconteceu nesse último ano é que começamos a trabalhar dentro dos locais e em cima de uma criminalidade mais violenta. Se fizermos um comparativo do número de prisões, aumentamos esse número em 2019. Só em Porto Alegre, foram mais de 700 presos por roubo de veículo e receptação. É um número imenso. E, obviamente, acaba resultando em um aumento de confrontos, que, muitas vezes, nem mesmo um treinamento poderia evitar, porque sempre corremos o risco. Mas é claro que temos uma preocupação constante em relação a isso. Toda a ocorrência de morte de policial passa por uma análise para se saber se foi um erro policial ou se tinha outro jeito. Com a morte, também analisamos o que pode ser mudado para tentar evitar novos casos.
JC - Enquanto comandante da BM, quais seus objetivos para 2020?
Cel. Mohr - Continuar trabalhando na manutenção da queda dos índices criminais. A ideia é aprofundar a questão do RS Seguro, do foco territorial, aumentando tudo que fizemos até agora em termos de inteligência, interação com a população e investimentos. Além disso, estamos iniciando um trabalho de policiamento no Interior, de patrulhas rurais. Tem, ainda, a questão das drogas, a questão preventiva. Hoje, o crime tem a ver com o tráfico e com o uso de drogas. Não vamos conseguir diminuir tanto assim os crimes se não diminuirmos o consumo. Se o traficante tem poder bélico e de dinheiro, é porque o consumidor garante isso. Então precisamos aprofundar essa questão de políticas de prevenção às drogas.