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10/02/2020 - 16h38min. Alterada em 10/02 às 16h38min

Coronavírus: Brasileiro relata apreensão entre passageiros de cruzeiro no Japão; casos de coronavírus dobram

O número de contaminados quase dobrou em um dia, passando de 70 para 135 casos.

O número de contaminados quase dobrou em um dia, passando de 70 para 135 casos.


ARTE/FOTO GOVERNO CHINÊS/DIVULGAÇÃO/JC
Sessenta e cinco pessoas foram recolhidas nesta segunda-feira do cruzeiro Diamond Princess, na costa de Yokohama, no Japão, aumentando o clima de apreensão entre os passageiros. O número de contaminados quase dobrou em um dia, passando de 70 para 135 casos.
Sessenta e cinco pessoas foram recolhidas nesta segunda-feira do cruzeiro Diamond Princess, na costa de Yokohama, no Japão, aumentando o clima de apreensão entre os passageiros. O número de contaminados quase dobrou em um dia, passando de 70 para 135 casos.
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O relato é de um tripulante brasileiro, o niteroiense Thiago Campos Soares, que atua como vigia dos passageiros durante a madrugada, certificando-se de que eles não sairão de suas cabines. Soares fez um relato por meio de mensagens de texto sobre a rotina e a agonia dos embarcados, impacientes com a falta de informações sobre o fim da quarentena, iniciada no dia 3 de janeiro. Há cerca de 3.700 embarcados no Diamond Princess.
O crescente aumento de diagnósticos contribuiu para aumentar o clima de cooperação entre passageiros e tripulantes. Até agora, alguns embarcados insistiam em sair de suas cabines, porque, segundo Soares, não "levavam o isolamento a sério".
Mesmo cientes da circulação do coronavírus, precisavam ser persuadidos a voltar para seus alojamentos. Aqueles que confrontavam deveriam ser contidos pela segurança da embarcação.
"Existiam passageiros que faziam reclamações, mas hoje em dia todos eles sabem o quanto nós estamos fazendo por eles e são gratos. Eles querem ir embora, e nós também queremos voltar logo a nossas rotinas normais", conta Soares, que trabalhava no setor de lojas do navio antes da epidemia. "O maior número de infectados foi de passageiros até o momento. Acredito que todos tenham um certo receio e medo de andar pelas áreas deles, justamente por isso."
Os passageiros mais inquietos, diz, compreenderam a gravidade da situação depois de algum tempo. Uma das mensagens de apoio deixadas por passageiros na porta das cabines dizia "Obrigado do fundo do meu coração". Outra dizia "Deus o abençoe. Mantenha o rosto erguido."
O temor é grande até mesmo entre a tripulação, cuja equipe de vigias foi reforçada por áreas fechadas desde o início dos casos de coronavírus, como nas lojas e no cassino do navio.
"Hoje, todos têm bastante medo. Há muitos rumores, opiniões e questionamento entre os tripulantes, mas nada oficial", explica. "A companhia tem nos dado bastante suporte. Pelo menos no meu departamento, todo dia temos reuniões às 15h para saber como estamos e nos distribuem todo dia equipamentos de proteção".
Soares disse estar determinado a cumprir sua função para que o período de quarentena possa ser encerrado quando for o momento.
"Precisamos manter a calma e nos proteger bastante. Temos trabalhado como um time de verdade, sempre ajudando uns aos outros", revela. "É muito cansativo, dá medo, mas não adianta perder a cabeça. Temos que entender o tamanho do problema e que só sairemos daqui juntos".
Em uma transmissão por alto falante a toda a embarcação, inclusive nas cabines, o capitão afirmou:
- Não é uma novidade que queremos receber. No entanto, também fomos avisados, já que estamos no período inicial da quarentena de 14 dias, que isso não foi inesperado.
Entre os novos casos estão de 45 japoneses e 11 americanos.
As observações do capitão foram gravadas e postadas no Twitter pelo passageiro Yardley Wong, que usou a hashtag #anxiety (ansiedade).
Durante o dia, os passageiros têm permissão para andar no convés em turnos para respirar ar fresco e são incentivados a medir regularmente a temperatura.
O passageiro britânico David Able postou no Facebook um vídeo dizendo que "muitos passageiros agora estão com um pouco de febre nas cabines": "A depressão está começando a se instalar".
Já um morador de Hong Kong de 43 anos, que está em quarentena com sua mulher, filho e vários membros da família, usou a web para admitir que ficará nervoso se mais de 200 casos sejam registrados.
"Esperando o melhor para os que foram levados para o hospital. Pelo menos dois nos informam no Facebook que estão livres de sintomas", acrescentou o homem, que se recusou a ser identificado.
O Japão registrou, até agora, 21 casos domésticos de coronavírus, e prepara seu quinto voo fretado para resgatar seus cidadãos que estão em Wuhan, epicentro da epidemia. O patógeno já provocou 908 mortes e mais de 40 mil infecções no mundo.
Agência O Globo
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