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Porto Alegre, segunda-feira, 13 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

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Pesquisa

Edição impressa de 13/01/2020. Alterada em 12/01 às 23h21min

Professora da Ufrgs quer mais diversidade e divulgação na ciência

Doutora em Física é reconhecida por estudar anomalias da água

Doutora em Física é reconhecida por estudar anomalias da água


Gustavo Diehl/Ufrgs/Divulgação/JC
A física brasileira Márcia Barbosa faz parte do grupo de 36 novos pesquisadores eleitos para compor, a partir deste mês, a Academia Mundial de Ciências (TWAS, na sigla em inglês), instituição ligada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) com sede em Trieste, ao Nordeste da Itália. Professora titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a cientista é reconhecida entre os seus pares por estudar anomalias da água, e por um número mais amplo de pessoas por fazer divulgação científica e atuar pela participação das mulheres na pesquisa.
A física brasileira Márcia Barbosa faz parte do grupo de 36 novos pesquisadores eleitos para compor, a partir deste mês, a Academia Mundial de Ciências (TWAS, na sigla em inglês), instituição ligada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) com sede em Trieste, ao Nordeste da Itália. Professora titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a cientista é reconhecida entre os seus pares por estudar anomalias da água, e por um número mais amplo de pessoas por fazer divulgação científica e atuar pela participação das mulheres na pesquisa.
Márcia promete levar essas duas causas para a TWAS. "Para a academia mundial, vou com esses dois mantras: primeiro, precisamos de mais diversidade e mais mulheres. Vou levar mais nomes. Ao mesmo tempo, precisamos conversar mais com o público em geral, mostrar o conhecimento produzido pela ciência e mostrar como serve para as pessoas no dia a dia", disse à Agência Brasil.
De acordo com a acadêmica, a ciência sofre, hoje, desafios inimagináveis anos atrás, como a necessidade de refutar a ideia de que a Terra é plana ou convencer famílias a vacinarem seus filhos. "Não tem razão para o crescimento do sarampo nos Estados Unidos", comenta. Segundo ela, há um fenômeno mundial de "acreditar naquilo mais doido que aparecer, e não no conhecimento que passou pelo crivo de especialistas".
Na opinião da professora da Ufrgs, o combate à desinformação já despertou preocupação de pesquisadores. "Os cientistas estão se dando conta de que precisam conversar mais com a população, falar, escrever e explicar." Ela reconhece, no entanto, que, para alguns intelectuais, é difícil transpor o mundo acadêmico e as barreiras da linguagem. "Não temos formação para fazer isso, é doloroso para o cientista explicar de um jeito que não é muito preciso."
A busca da diversidade é a razão para a pesquisadora enfrentar a desigualdade de gênero que existe no Brasil e, especialmente, entre as ciências exatas. A Academia Brasileira de Ciências tem 938 membros associados. Desses, 801 (85,3%) são homens e 137 (14,7%), mulheres.
Márcia acredita que vai ser bem-sucedida em suas duas causas na TWAS e que a diversidade é um instrumento de eficácia na ciência. "Quando temos mais diversidade em um grupo de pesquisadores, pessoas diferentes com culturas e jeitos distintos de ver o mundo, os trabalhos têm mais citações", aponta.
A cientista entra para a Academia Mundial de Ciências junto com outros quatro colegas brasileiros: as biólogas Célia Regina Garcia e Luísa Lina Vila, e o químico Edson Antonio Ticianelli (todos da USP), e Wilson Savino, pesquisador titular e coordenador de Estratégias de Integração Nacional da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz). Com o ingresso desses brasileiros e de 31 estrangeiros escolhidos, a TWAS passará a ter, a partir deste mês, 1.278 membros. Atualmente, há 21 membros brasileiros, sendo 16 homens e cinco mulheres.
 
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