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Saúde

- Publicada em 20h34min, 03/10/2019. Atualizada em 20h34min, 03/10/2019.

Pesquisa oncológica amplia tratamentos no Hospital de Clínicas

Atualmente, o HCPA tem 28 pesquisas sobre câncer em andamento

Atualmente, o HCPA tem 28 pesquisas sobre câncer em andamento


/LUIZA PRADO/JC
Isabella Sander
Em meio a projetos de pesquisas clínicas e experimentais que correm o risco de ser interrompidos ou adiados em função do corte de bolsas federais, os estudos ligados à oncologia são um oásis que não sofre restrições orçamentárias. A Unidade de Pesquisas Clínicas em Oncologia (UPCO) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre tem cinco médicos em regime parcial de trabalho e seis coordenadoras com dedicação integral para esses estudos, que são patrocinados, em sua maioria, pela indústria farmacêutica.
Em meio a projetos de pesquisas clínicas e experimentais que correm o risco de ser interrompidos ou adiados em função do corte de bolsas federais, os estudos ligados à oncologia são um oásis que não sofre restrições orçamentárias. A Unidade de Pesquisas Clínicas em Oncologia (UPCO) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre tem cinco médicos em regime parcial de trabalho e seis coordenadoras com dedicação integral para esses estudos, que são patrocinados, em sua maioria, pela indústria farmacêutica.
O chefe do Serviço de Oncologia do Clínicas, Sérgio Jobim de Azevedo, já participou de inúmeros esforços de pesquisa clínica, nacionais e internacionais, tanto do hospital como multi-institucionais. "Os estudos geraram dados positivos e mesmo negativos, que ajudaram na definição de condutas e opções de tratamento para diversos tipos de câncer", pontua.
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Quando têm resultados positivos, as pesquisas passam pela aprovação de reguladoras, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Food and Drug Administration (FDA) e a European Medicines Agency (Emea). O tempo de registro dos fármacos estudados e comprovados, segundo Azevedo, é mais curto quando se trata de agências internacionais, mas, na Anvisa, varia de imediatamente, para drogas endovenosas, até dois anos para drogas orais serem incluídas na listagem de remédios previstos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), e um tempo "inaceitavelmente longo ou mesmo inatingível para chegar à rede pública".
Hoje, o Clínicas tem 28 pesquisas em andamento na área oncológica, sendo o câncer de mama e a oncopediatria as mais contempladas. "Nossa capacidade de desenvolver projetos de pesquisa clínica é total, e temos sido parte de programas nacionais e até internacionais, como centro coordenador de estudos clínicos", ressalta Azevedo. Hoje, pesquisadores nacionais são parte de comitês de desenvolvimento dos projetos de pesquisa desde seu nascimento e, também, formadores de opinião perante órgãos de desenvolvimento.
Azevedo defende que, para manter no Brasil os grandes pesquisadores que estão surgindo, é preciso permitir que eles trabalhem, desenvolvam suas ideias e testem suas hipóteses, mantendo agilidade nos processos administrativos necessários para a iniciação de uma pesquisa clínica. "Estas pessoas são o elo entre o agora e o futuro, e, quando se trata de pesquisa clínica, serão as corresponsáveis por trazer à população novas tecnologias e tratamentos. Infelizmente, isso está sendo duramente atingido de forma linear e sem o adequado critério ou julgamento", defende.
Antônio Carlos Dondé, de 56 anos, percebeu, há três anos, que estava mordendo muito a língua e foi a uma otorrinolaringologista, que o encaminhou a um oncologista. Lá, descobriu que estava com câncer de garganta. O especialista lhe deu duas opções: fazer uma cirurgia que mutilaria parte da sua língua ou um tratamento com radioterapia e quimioterapia. As sessões fizeram secar sua saliva, abriram feridas em sua boca e lhe causaram dificuldade para engolir. "Cheguei a colocar sonda para me alimentar", lembra. O tumor, porém, só aumentava.
Após um ano de tratamento, Dondé estava definhando. "Estava muito magro, morrendo mesmo. Vivia à base de morfina." Em 2017, porém, seu oncologista informou que havia uma pesquisa feita por um laboratório dos EUA no Clínicas, para a criação de um medicamento para pessoas que não apresentavam melhora com radioterapia e quimioterapia. O paciente foi aprovado na pesquisa e começou a receber as medicações. A partir de então, melhorou radicalmente. Seu tumor diminuiu 40% desde o início do novo tratamento. A pesquisa tem duração de cinco anos.
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