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Saúde

- Publicada em 21h17min, 01/10/2019. Atualizada em 08h07min, 02/10/2019.

Pesquisa clínica com humanos é foco do Hospital de Clínicas de Porto Alegre

Setor sofrerá redução de equipes devido a corte de bolsas Capes e CNPq

Setor sofrerá redução de equipes devido a corte de bolsas Capes e CNPq


/LUIZA PRADO/JC
Isabella Sander
Inaugurado em 2009, o Centro de Pesquisa Clínica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) envolve boa parte dos estudos realizados na instituição. Regra geral, as pesquisas são viabilizadas a partir de financiamento ou da indústria farmacêutica (patrocinadas), a fim de desenvolver ou qualificar medicamentos, ou de agências (a maioria) de fomento públicas, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). De 70% a 80% das pesquisas são feitas em seres humanos.
Inaugurado em 2009, o Centro de Pesquisa Clínica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) envolve boa parte dos estudos realizados na instituição. Regra geral, as pesquisas são viabilizadas a partir de financiamento ou da indústria farmacêutica (patrocinadas), a fim de desenvolver ou qualificar medicamentos, ou de agências (a maioria) de fomento públicas, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). De 70% a 80% das pesquisas são feitas em seres humanos.
As temáticas estudadas são diversas - sobre remédios e tratamentos para oncologia, hematologia, cardiologia, reumatologia, psiquiatria, entre outras especialidades. Também há estudos biomédicos sobre procedimentos de auxílio aos pacientes, procedimentos de enfermagem, processos de gestão hospitalar e análises metodológicas de pesquisas já produzidas. Geralmente, as escolhas são feitas com base nos interesses de cada pesquisador, mas também há projetos encomendados pela indústria farmacêutica e estudos que atendem a agências públicas de fomento direcionados a um foco específico.
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O chefe do Serviço de Pesquisa Clínica, Daniel Umpierre, coordena um estudo iniciado em 2011. Em vez de fazer um projeto empírico, o grupo sintetizou a bibliografia existente em todo o mundo sobre os exercícios recomendados para o controle glicêmico do diabetes tipo 2, agregando dados de 47 estudos com 7,5 mil participantes. "Vimos, por exemplo, que, para o controle glicêmico, o tempo da prática do exercício é muito importante, o que depois outros trabalhos confirmaram", pontua. Outra constatação foi que o aconselhamento da atividade física precisa vir junto ao nutricional. Em oito anos, o estudo gerou quase mil citações em outros trabalhos científicos.
Às vezes, as pesquisas são inconclusivas. "Faz parte da construção do conhecimento. Se já soubéssemos, não estaríamos pesquisando", reflete. Lidar com a expectativa dos participantes dos projetos, porém, é um desafio importante. "O Clínicas tem um certo cuidado com isso, assim como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), mas podemos evoluir mais e temos tentado", garante. A instituição tem se preocupado em apresentar aos participantes as conclusões do estudo, quando existem, ou, ao menos, os resultados individuais viáveis de serem entregues a eles.
O estudante de Enfermagem Matheus Woiciechovski participou quando tinha 15 anos de uma pesquisa do hospital, dentro de sua escola. Lá, seu sangue foi coletado, sua circunferência foi medida, assim como sua pressão, sua altura e seu peso, dentro do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes. Agora, com 21 anos, fez uma segunda coleta de informações, para que sejam comparadas. "Pesquisa é fundamental. É a base para fazer qualquer mudança nas políticas públicas, porque são as pesquisas que baseiam as políticas que interferem na vida da população", observa.
Para Woiciechovski, as pessoas não pensam que qualquer conhecimento, até o mais simples, como o que determinadas comidas são mais saudáveis do que outras, só existe porque muitos estudos foram realizados antes para se chegar àquela conclusão. "As pesquisas geram mudanças mais instrumentalizadas na sociedade, até mesmo em escolas ou unidades de saúde", defende. Sob sua ótica, a falta de consciência não abrange somente a população comum, mas também as autoridades, que não entendem que "não temos crescimento no País se não tivermos investimento em pesquisas".
O corte de bolsas da Capes e do CNPq pelo governo preocupa Umpierre, que terá de reduzir a equipe. "Quando tu tens uma equipe menor, tu retardas alguns estudos, mas há projetos que realmente não serão concluídos em função desse retardamento", lamenta. Para o pesquisador, mesmo quando há necessidade de cortes, é preciso haver transparência por parte do governo sobre seus planos, para que as instituições tenham uma previsibilidade para definir seus cronogramas de início e fim.
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