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Porto Alegre, quinta-feira, 06 de junho de 2019.

Jornal do Comércio

Geral

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violência

Edição impressa de 06/06/2019. Alterada em 06/06 às 03h00min

Assassinatos por armas de fogo crescem 6,8% no País

No Rio Grande do Sul, crescimento de mortes por armas de fogo foi de 3,4%, com um total de 2.591 mortos

No Rio Grande do Sul, crescimento de mortes por armas de fogo foi de 3,4%, com um total de 2.591 mortos


MIGUEL SCHINCARIOL/AFP/JC
O número de pessoas assassinadas com armas de fogo cresceu 6,8% no País entre 2016 e 2017, de acordo com o Atlas da Violência de 2019, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e divulgado nesta quarta-feira (5). Assinado por 13 pesquisadores, o estudo foi elaborado com registros oficiais do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde (SIM/MS).
No Rio Grande do Sul, o crescimento de mortes por armas de fogo foi de 3,4%, com um total de 2.591 mortos. Já a taxa de homicídios por 100 mil habitantes cresceu pela quarta vez seguida, chegando a 29,3 mortes.
O aumento acompanha a tendência nacional. Em 2017, 65.602 mil pessoas foram mortas no Brasil - um crescimento de 4,2% em relação ao levantamento anterior - sendo que 47.510 mil (72,4%) foram vítimas de armas de fogo.
O Ipea se debruçou sobre os dados entre 1980 e 2017 - período com quase 1 milhão de mortes -, traçando dois cenários alternativos a partir de 2003, ano em que foi aprovado o Estatuto do Desarmamento. A taxa de homicídios por armas de fogo crescia em média 5,44% ao ano nos 14 anos anteriores à aprovação do estatuto, e esse ritmo caiu para 0,85% entre 2003 e 2017.
Na contramão do Estatuto do Desarmamento, o número de armas em posse de civis só aumenta desde 2017. Até abril de 2019, houve alta de 10% em relação a 2018 nos registros de posse concedidos pela Polícia Federal.

Ceará tem o maior número de assassinatos no Brasil

O Atlas da Violência aponta como motivos de o Ceará ter alcançado o maior número de assassinatos de sua história, com 5.433 homicídios – crescimento de 48,2% entre 2016 e 2017 –, a forte presença de facções criminosas no estado, dentro e fora dos presídios, principalmente em bairros populares de Fortaleza.
A tentativa de combater o quadro com mais violência seria, de acordo com o estudo, um dos principais agravantes. No caso do Acre, com 516 homicídios – aumento de 42,1%, mais de 10 rotas do tráfico de drogas vindas do Peru e da Bolívia determinariam a causa das mortes.

Homicídios contra população LGBTI cresceram 127%

O estudo abordou pela primeira vez a violência contra a população LGBTI - lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, pessoas trans e intersex, recorrendo a registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, e também a dados do Disque 100, ligado ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, por serem bases em que as notificações de violência também fazem classificação da vítima por orientação sexual. Pelo Disque 100, o número de denúncias de homicídio contra LGBTIs chegou a 193 casos em 2017, representando um aumento de 127% em relação a 2016, quando houve 85 registros. No mesmo período, o número de denúncias por lesão corporal também aumentou: passou de 275 casos, em 2016, para 423 registros no ano seguinte, um crescimento de 53%. De maneira geral, o número de denúncias de violência contra a população LGBTI teve um ápice em 2012, com 3.031 registros pelo Disque 100. Em 2017, chegou a 1.720, apresentando queda de 8% em relação a 2016. Os pesquisadores alertam que os dados do Disque 100, por serem obtidos através de denúncias, podem refletir subnotificações e até mesmo uma maior difusão do canal em determinados momentos.

Mortes de mulheres por arma de fogo dentro de residências tiveram aumento de 29,8% em dez anos

A taxa de homicídio de mulheres cresceu acima da média nacional em 2017. Enquanto o índice geral de assassinatos no País aumentou 4,2% de 2016 para 2017, a que conta apenas as mortes de mulheres cresceu 5,4%, a maior desde 2007. Em 28,5% dos homicídios de mulheres, as mortes foram dentro de casa, o que o Ipea relaciona a possíveis casos de feminicídio e violência doméstica. Entre 2012 e 2017, o instituto aponta que a taxa fora da residência caiu 3,3%, enquanto a dos crimes cometidos dentro das moradias aumentou 17,1%. Já entre 2007 e 2017, destaca-se, ainda, a taxa de homicídios de mulheres por arma de fogo dentro das residências, que aumentou em 29,8%. Em relação às mulheres negras, os dados são ainda mais alarmantes. Entre 2007 e 2017, o índice cresceu 29,9%, enquanto a das não negras aumentou 1,6%. Com essa variação, a taxa de homicídios de mulheres negras chegou a 5,6 para cada 100 mil, enquanto a de não negras terminou 2017 em 3,2 por 100 mil.
 

Negros são 75% das vítimas no Brasil

De cada quatro pessoas assassinadas no Brasil em 2017, três eram negras. A taxa de homicídios para essa população chegou a 43,1 para 100 mil habitantes, enquanto a dos não negros foi de 16 por 100 mil. O Ipea aponta que houve piora na desigualdade racial nesse aspecto entre 2007 e 2017, já que a taxa cresceu 33,1% para os negros e 3,3% para os não negros. Apenas entre 2016 e 2017, a taxa de homicídios de negros no Brasil cresceu 7,2%. Em números absolutos, foram 49.524 assassinatos de negros em 2017 - aumento de 62,3% em relação a 2007 e de 9,1% ante 2016. Quando são analisados os não negros, os números absolutos tiveram queda de 0,8% em relação a 2016 e alta de 0,4% perante 2007, fechando 2017 em 14.734 mortes.
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