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Porto Alegre, segunda-feira, 13 de maio de 2019.

Jornal do Comércio

Geral

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Educação

Edição impressa de 13/05/2019. Alterada em 13/05 às 18h42min

Comunidade acadêmica protesta contra bloqueio de verbas no IFRS

Alunos e professores promoveram abraço simbólico no campus do Centro

Alunos e professores promoveram abraço simbólico no campus do Centro


IFRS/DIVULGAÇÃO/JC
Isabella Sander
Protestos realizados nesta segunda-feira (13) em Institutos Federais de todo o Brasil marcaram a contrariedade da comunidade escolar aos bloqueios de cerca de 30% no orçamento das instituições. No Campus Porto Alegre, no Centro da Capital, um abraço simbólico ao prédio foi promovido no final da manhã. Centenas de estudantes, funcionários e professores participaram do ato, que contou com falas de diretores e com cartazes elaborados pelos alunos.
O bloqueio de 30% do orçamento dos Institutos Federais representa a redução de aproximadamente R$ 900 milhões nos recursos previstos para 2019. De 37% a 42% da verba de custeio, usada para manutenção das atividades, foi comprometida com o anúncio do corte pelo governo federal, feito em 30 de abril. No Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), o bloqueio foi na ordem de R$ 18.549.952,00, dos R$ 61.833.180,00 previstos para este ano.
O reitor do IFRS, Júlio Xandro Heck, diz que os Institutos Federais, criados há dez anos, são uma revolução na educação pública brasileira, pelo formato como foram organizados, pela sua complexidade e, principalmente, pela sua interiorização. "Levar a educação federal para cidades aonde a própria universidade federal, com seus méritos históricos, não foi, talvez seja o principal mérito dos institutos", destaca.
Entre as atividades desenvolvidas, Heck chama atenção para o Ensino Médio que, segundo o reitor, hoje é avaliado como um dos melhores do mundo. "São raros os lugares onde o estudante pode fazer seu Ensino Médio associado a projetos de extensão e pesquisa e passar o dia todo dentro da instituição. O estudante que se forma aqui é diferente dos demais, um cidadão mais completo e preparado", define. Heck cita, ainda, os cursos superiores em áreas tecnológicas, a formação de professores nas licenciaturas, as especializações, os mestrados profissionais, os cursos de formação inicial e continuada e os projetos de extensão e pesquisa alinhados à realidade local.
No início de abril, a Universidade de São Paulo divulgou pesquisa que mostra que o IFRS está entre as 50 instituições de pesquisa do Brasil com maior participação em publicações científicas entre 2014 e 2018, sendo o único Instituto Federal da lista. O reitor afirma que o foco é em pesquisas que visem resolver problemas da sociedade onde o campus está instalado. "O nosso desafio é trazer soluções para aquilo que aflige a população, e eu diria que este é o principal mérito da pesquisa feita não só no IFRS, mas em todos os Institutos Federais. Estamos desempenhando nosso papel na formação em ciência e tecnologia", salienta.
O bloqueio orçamentário atingirá todas as atividades desenvolvidas. "O orçamento antes previsto já não era suficiente, porque vivemos à luz de uma emenda constitucional que tem reduzido nossos recursos há dois anos. O que já era pouco vira menos ainda, então é inevitável que as nossas atividades sofram prejuízo ao longo do ano", pontua Heck. Conforme cálculos das direções de cada campi, até o fim de setembro deve se tornar praticamente inviável até mesmo a continuidade das aulas.
O diretor administrativo do Campus Porto Alegre, Fabrício Sobrosa, relata que o impacto do bloqueio é grande no dia a dia. "Temos buscado planejar e verificar quais as possibilidades diante desse corte, mas vamos cortar alguns serviços", informa. Entre as atividades afetadas, está a oferta de bolsas, a realização de visitas técnicas e até mesmo o pagamento por serviços básicos, como energia elétrica e água.
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