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Porto Alegre, quarta-feira, 24 de abril de 2019.
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Saúde

Edição impressa de 24/04/2019. Alterada em 23/04 às 22h22min

Combate à meningite ainda é desafio para a saúde pública

Alguns tipos da doença podem causar sequelas graves e até a morte

Alguns tipos da doença podem causar sequelas graves e até a morte


LUIZA PRADO/JC
Isabella Sander
O Brasil já conhece a meningite de outros carnavais. Com casos registrados desde 1906, o País teve a década de 1970 marcada pela ocorrência de uma grande epidemia de meningite meningocócica dos subgrupos A, B e C, e a de 1990 acometida pela meningite tipo B. As epidemias foram vencidas com a oferta de vacinas para a população, mas surtos são registrados até hoje. No Dia Mundial de Combate à Meningite, celebrado hoje, o Jornal do Comércio traz informações sobre a enfermidade, que segue sendo um desafio para a saúde pública.
O assunto voltou à pauta neste ano, quando oito casos de meningite bacteriana foram registrados no Rio Grande do Sul, causando duas mortes. Ambos os óbitos ocorreram em São Leopoldo, no Vale do Sinos, onde uma menina de dois anos faleceu vítima de meningite B e uma adolescente de 14 anos morreu por meningite C.
O termo "meningite" abrange uma série de processos inflamatórios das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, podendo ser causados por bactérias, vírus, fungos, helmintos ou protozoários. O tipo da doença que mais preocupa os profissionais da área da saúde é a meningite meningocócica, bacteriana, que pode provocar sintomas graves e até a morte. Se não for tratada, a doença leva à morte 50% dos acometidos e resulta em dano cerebral, perda auditiva ou incapacidade em 10% a 20% dos sobreviventes.
Marino Muxfeldt Bianchin, professor do Serviço de Neurologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), afirma que a preocupação maior é com crianças pequenas, adolescentes e pessoas com imunodepressão, as quais podem ter casos mais graves de meningite. Um dos desafios está na semelhança dos sintomas iniciais da doença com os de uma gripe forte, como febre, dor de cabeça intensa, dor no corpo e sonolência e, mais tarde, confusão mental e manchas na pele, no caso do meningococo. "As pessoas têm que ficar atentas e, se os sintomas piorarem rapidamente, procurar um serviço de saúde", destaca. O diagnóstico é feito com a coleta de amostras de sangue e líquido cerebroespinhal (líquor).
Outra dificuldade apontada pelo médico, essa mais atual, está na não vacinação das pessoas. "A vacina salva vidas, foi um dos maiores avanços da medicina. Não se vacinar põe a própria pessoa e os outros ao seu redor em risco", adverte. Nesse sentido, Bianchin alerta: se as pessoas não se vacinarem, uma epidemia como as registradas nos anos 1970 e 1990 pode, sim, voltar ao Brasil.
No Rio Grande do Sul, a incidência da doença meningocócica teve uma média de 0,8 caso em cada 100 mil habitantes entre 2007 e 2017, o que representa em torno de 97 casos anuais da enfermidade confirmados. O Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), busca evitar a disseminação da meningite através da vacina, mas, de acordo com Letícia Martins, especialista em saúde da Vigilância Epidemiológica do centro, a cobertura vacinal tem sido ruim no Estado. Em 2018, somente 78,2% das crianças de até cinco anos e 30,3% dos adolescentes de 11 a 14 anos receberam a dose contra o sorogrupo C, muito longe da meta estabelecida, de 95%.
Segundo Letícia, não é possível falar em eliminação da meningite, uma vez que entre 10% e 25% portam e transmitem a bactéria em algum momento da vida e apenas 1% realmente apresentam os sintomas. "Os portadores assintomáticos são os grandes responsáveis pela transmissão da doença", afirma. Por isso, quando ocorre alguma suspeita ou confirmação de caso, pessoas com contato íntimo (dormir na mesma cama, beijar ou dividir um copo) ou contato prolongado (permanecer no mesmo ambiente fechado por quatro horas ou mais) com o paciente recebem quimioprofilaxia, uma espécie de antibiótico, antes que qualquer sintoma apareça.
Mesmo com o avanço no combate à meningite, através da oferta de vacina para diferentes tipos da doença, a especialista em saúde considera que ainda se trata de um desafio para a saúde pública. "São doenças com letalidade alta, que causam uma grande comoção social quando há um caso confirmado. Percebemos como isso fragiliza uma comunidade", observa. Por outro lado, Letícia ressalta que os avanços seguem - a vacina oferecida no Sistema Único de Saúde (SUS) que, hoje, protege contra o subgrupo C da doença meningocócica, se tornará em breve tetravalente, imunizando contra quatro subgrupos diferentes.
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