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Porto Alegre, segunda-feira, 10 de junho de 2019.
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Educação

Edição impressa de 10/06/2019. Alterada em 09/06 às 21h56min

Insegurança preocupa bibliotecas gaúchas

Espaço em Porto Alegre parou de abrir aos sábados, por motivo de falta de segurança

Espaço em Porto Alegre parou de abrir aos sábados, por motivo de falta de segurança


/CLAITON DORNELLES/JC
Isabella Sander
A insegurança tem gerado preocupação entre bibliotecários e funcionários de bibliotecas públicas de todo o Rio Grande do Sul. A falta de policiamento fixo, registrada em estabelecimentos de diferentes municípios gaúchos, já causou assaltos e redução de horários de prestação do serviço às comunidades.
A Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães, localizada na avenida Érico Veríssimo, em Porto Alegre, teve seu horário alterado para garantir a segurança dos funcionários. O local costumava abrir aos sábados, das 14h às 18h. Diante da não permanência da Guarda Municipal no estabelecimento durante o dia, entretanto, a direção da biblioteca optou por não abrir mais nesse dia, exceto em dias de eventos. "A equipe fica reduzida, e a circulação na região é bem menor aos sábados, então não seria seguro", pontua a diretora do espaço, Renata Borges.
A medida é preventiva, mesmo sem ter havido casos de assaltos na biblioteca. "O que temos é problemas com usuários da biblioteca. Seria mais seguro se tivesse alguém da Guarda Municipal na portaria, para podermos chamar atenção de um usuário que tiver um comportamento inadequado, sem medo de represálias", observa Renata.
A segurança no Centro Municipal de Cultura, onde funciona a Biblioteca Josué Guimarães, é feita das 19h às 7h, diariamente. O horário de atendimento no espaço é das 9h às 18h, de segunda a sexta-feira. Segundo a Secretaria Municipal de Cultura, aos fins de semana o monitoramento é feito através da central de alarmes.
Na biblioteca pública de um município da Zona Sul do Estado, uma bibliotecária, que prefere não se identificar, passou por uma situação traumática - em 18 de janeiro, ela e um colega foram assaltados e trancados no banheiro durante o expediente. A profissional, que normalmente atuava na biblioteca de uma escola municipal, estava lá cobrindo as férias de uma colega.
"Eu estava entrando na biblioteca e um cara entrou comigo, fechou a porta, trancou e anunciou o assalto", conta a bibliotecária. O homem mostrou uma arma e exigiu o dinheiro e o celular de ambos. Depois de os dois entregarem seus pertences, foram trancados no banheiro. "Ele perguntou de câmera de segurança, mas não temos há muitos anos. Nunca se preocuparam em colocar outra", lamenta. O local não é vigiado por guardas municipais ou policiais militares.
A dupla foi ameaçada de morte, caso denunciasse o crime. "Como a cidade é muito pequena, meu colega conhecia o assaltante", recorda. A jovem admite que ficou com muito medo. "Eu pensei: não quero morrer por causa de um celular. Foi uma sensação de insegurança, impotência, de que minha vida não tinha valor. Ele só queria dinheiro para conseguir drogas", afirma.
A bibliotecária Aliriane Almeida, da Biblioteca Municipal Mario Quintana, de Alegrete, também sente na pele a insegurança no seu dia a dia de trabalho, especialmente desde que o centro cultural onde o espaço está lotado fechou para adequação ao Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI). Não há vigilância fixa no local, só serviço de zeladoria, feito por pessoas já idosas, uma vez que o último concurso realizado é antigo e todos os zeladores têm mais de 60 anos.
O horário, antes até as 21h30min, agora é até as 20h, por questões de segurança. A orientação é, caso ocorra alguma emergência, chamar a Brigada Militar. Entre as ocorrências já registradas nos três anos em que trabalha no local, a bibliotecária lembra de furtos de livros de cima da mesa e de uma das paredes de vidro da biblioteca ser estilhaçada. "Ficamos quase seis meses com o vidro quebrado", calcula. Para Aliriane, o cenário demonstra a vulnerabilidade e a desvalorização em que se encontram instituições como bibliotecas e museus.
Conforme a secretária de Educação e Cultura de Alegrete, Márcia Dornelles, a segurança da biblioteca é feita pela zeladoria, por um guarda móvel que faz a ronda pela cidade e pelo sistema de alarme. "Os problemas de segurança são diários na cidade, como em qualquer cidade de médio porte. Procuramos resolver fazendo boletins de ocorrência. A Brigada Militar não tem grande efetivo, mas pedimos reforço de patrulha na região, quando acontece algo, e tentamos deslocar um zelador de outro ponto para o lugar atingido", relata.
A prefeitura de Alegrete pretende abrir concurso em breve para renovar o quadro de zeladores. Em torno de 115 profissionais devem ser nomeados. Também se estuda a contratação de uma empresa terceirizada para vigilância, e não mais apenas para monitoramento, como já existe.
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