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Porto Alegre, terça-feira, 18 de dezembro de 2018.
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Investigação

Edição impressa de 18/12/2018. Alterada em 18/12 às 01h00min

João de Deus apresenta versões para cada denúncia e nega ter cometido abusos sexuais

A Polícia Civil divulgou ontem novos detalhes do depoimento do médium João de Deus, suspeito de abusar sexualmente de mais de 500 mulheres. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil de Goiás, André Fernandes, o interrogatório resultou em sete páginas. A defesa do réu já entrou com pedido de habeas corpus.

João de Deus apresentou duas versões para cada denúncia e negou os crimes. "Ele apresenta a versão de cada fato e não confessa a prática destas ações. Durante o depoimento, o comportamento dele foi de negação, agindo de forma natural, respondeu a todas as perguntas e compreendeu as acusações a ele imputadas. Ele afirma que todos iam até aquela casa de forma voluntária, espontânea, que os atendimentos eram coletivos e que não havia estes abusos", disse Fernandes.

Ao todo, 15 mulheres foram ouvidas pela Polícia Civil. O delegado afirma que os relatos de abusos durante atendimentos na Casa Dom Inácio de Loyola, na cidade de Abadiânia, são muito contundentes. "O interrogatório não consegue superar as denúncias, as oitivas das mulheres que narraram de forma tão segura e detalhada o que viveram. Somado com outras provas que a polícia terá até o fim das investigações, o Poder Judiciário terá vastas informações", declarou.

O depoimento ocorreu na Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), em Goiânia. Ele respondeu às perguntas dos delegados por mais de três horas, mas Fernandes não detalhou o conteúdo do interrogatório. "Trata-se de informação sensível, é um caso delicado. Mas ele apresentou versões, explicações para os casos", completou.

João de Deus deve ser ouvido novamente. "Vamos confrontar o que ele falou com as provas que temos e com os depoimentos colhidos e analisar tudo. Devemos ouvi-lo uma segunda vez, mas primeiro precisamos fazer esses comparativos", explicou o delegado.

Defesa entra com pedido de habeas corpus

O advogado Alberto Toron, que defende o médium, disse que tem "sérias dúvidas sobre os depoimentos incriminatórios". "Tivemos acesso a parte dos depoimentos e sem fotos das vítimas, então alguns casos ele não se lembra. E tem relatos de mulheres que dizem ter sido abusadas e voltaram lá outras vezes. Então, é preciso escrutinar tudo com calma para que não haja um linchamento", explicou. O defensor afirmou ainda que o médium alega inocência e que acredita que isso é uma armação contra ele.

Toron protocolou ontem um habeas corpus junto à Justiça de Goiás com o objetivo de revogar a prisão preventiva do líder religioso. João de Deus está detido no Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia, a 20 quilômetros da capital. Ele divide a cela com três advogados desde a noite de domingo, quando chegou à cadeia após prestar depoimento e fazer exame de corpo de delito.

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