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Porto Alegre, quarta-feira, 05 de dezembro de 2018.
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Saúde

Edição impressa de 05/12/2018. Alterada em 04/12 às 22h10min

Crise prejudica serviços em hospitais de Canoas

A quarta-feira deve ser de transtornos para a população de Canoas que procurar atendimento de saúde na rede pública do município da Região Metropolitana. Os três hospitais da cidade - Universitário, de Pronto Socorro e Nossa Senhora das Graças - poderão ter seus atendimentos afetados em razão da greve dos servidores da saúde.
A greve foi aprovada em assembleia do Sindisaúde-RS em conjunto com mais três sindicatos - dos Enfermeiros (Sergs), dos Farmacêuticos (Sindifars), dos Técnicos, Tecnólogos e Auxiliares em Radiologia Médica (Sinttargs) - e paralisará, por tempo indeterminado, as instituições geridas pelo Gamp, organização social que administra os hospitais Universitário, de Pronto Socorro e rede de saúde associada. Além destes, também os postos, Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) e farmácia geridos pela Associação Beneficente de Canoas (ABC), mesma mantenedora do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG) terão paralisação. No HNSG, porém, dependia do resultado de uma reunião de mediação que seria realizada no fim da tarde de ontem no Tribunal Regional do Trabalho.
O início da greve geral está marcado para as 8h e irá abranger os trabalhadores que atuam no setor de enfermagem (enfermeiros e técnicos), além de farmacêuticos, radiologistas e demais profissionais de nível médio e técnico. Os funcionários cobram o pagamento de atrasos salariais, além de 13º e FGTS. "Existe uma insatisfação muito grande por parte dos trabalhadores da saúde de Canoas. Temos constantes atrasos nos últimos três meses. No caso dos trabalhadores da ABC, há ainda a questão do vale-alimentação, que hoje é de R$ 12,00 por dia. É impossível se alimentar com esse valor", afirma Julio Jesien, secretário-geral do Sindisaúde-RS.
Conforme Jesien, os trabalhadores que atuam na rede da Gamp ainda não receberam os salários de novembro. A empresa assumiu a gestão dos hospitais Universitário e de Pronto Socorro em dezembro de 2016. "Desde aquele período, temos problema. Não há reparação salarial desde 2016", diz o sindicalista.
Os sindicatos não responsabilizam diretamente a prefeitura municipal, responsável pela gestão da saúde na cidade. Segundo o secretário-geral do Sindisaúde-RS, o atual prefeito, Luiz Carlos Busato (PTB) herdou um contrato oneroso ao município, realizado pela gestão anterior, do prefeito Jairo Jorge (PDT). "O problema é da gestão pública, que terceiriza a sua função. Existe diálogo com a prefeitura atual, mas ela tem suas restrições também. O contrato com o Gamp vai totalizar R$ 1 bilhão em cinco anos. O atual governo não consegue desfazer o nó desse contrato ruim", observa Jesien.
Os trabalhadores negociam diretamente com as empresas. No caso da ABC, o hospital pertence ao grupo, que vende serviços à prefeitura. Diferentemente do que ocorre com o Gamp, que presta serviços terceirizados de gestão dos hospitais que são municipais.
O Grupo Gamp afirmou, em nota, estar realizando os movimentos jurídicos necessários para manter a assistência à população. "Com relação à paralisação, considera que os profissionais têm direito de aderirem ao movimento, o qual considera legítimo, cabendo aos sindicatos organizadores garantirem o quantitativo mínimo de profissionais para a prestação de serviço aos pacientes internados em suas unidades de saúde", afirma a empresa.
Em uma reunião no dia 8 de novembro, com a participação da prefeitura, do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul e do Ministério Público Estadual, a ABC admitiu as dificuldades em manter os serviços do Hospital Nossa Senhora das Graças e, conforme o município, se comprometeu em deixar a administração o quanto antes e apresentar uma nova instituição para realizar o trabalho. De acordo com a prefeitura, os pagamentos à empresa que gere os hospitais Universitário e de Pronto Socorro está em dia. Somente em novembro, teriam sido repassados ao grupo Gamp R$ 16.350.272,07, para o custeio dos hospitais, além de duas UPAs.
 
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