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Porto Alegre, quinta-feira, 11 de outubro de 2018.
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Jornal do Comércio

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investigação

11/10/2018 - 10h02min. Alterada em 11/10 às 16h27min

MP denuncia advogados de facção criminosa que planejava matar juiz em Porto Alegre

Investigação apurou que advogados forneciam informações para coagir testemunhas de processos

Investigação apurou que advogados forneciam informações para coagir testemunhas de processos


MPRS/DIVULGAÇÃO/JC
Três advogados foram denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul acusados de formar o braço jurídico de uma facção criminosa que atua no Estado. De acordo com as investigações, os advogados forneciam informações para coagir testemunhas e também para matar o juiz Felipe Keunecke de Oliveira, que conduz os processos contra os líderes da facção. Outras 11 pessoas ligadas a essa organização também foram denunciadas. 
Os diálogos interceptados mostram que os advogados forneciam nomes de testemunhas do processo para os líderes da facção, afirmando que, se três delas não depusessem, o caso estaria ganho. As testemunhas receberam ameaças verbais e de morte para que não comparecessem ao Fórum. Desde 2016, apesar de convocadas diversas vezes, as testemunhas não foram localizadas pela Justiça. Os advogados ainda forjavam documentos para reaver quantias apreendidas pela Justiça no combate ao tráfico de drogas.
Em um dos diálogos divulgados pelo MP, o advogados encomenda morte de testemunhas para conseguir absolvição em caso de homicídio. Os diálogos foram transcritos conforme a digitação tal qual foram interceptados:
- Advogado 1: Tem como chegar nessa mulher e fazer ela calar a boca? Daqui a pouco te mando o depoimento dela completo.
- Líder da facção: Ta.
(...)
- Advogado: Tá mole de liquidar se ela calar a boca.
Em outro trecho, o líder da facção pede para o advogado conseguir os nomes dos policiais que iriam depor em audiência, e pergunta se o juiz que presidia um processo contra a esposa dele costumava ir em um clube onde poderia acessar com jet ski. O advogado, então, informa que o juiz frequenta jogos do Grêmio. O plano seria matar o magistrado nas dependências do clube ou durante jogo na Arena:
- Líder: kual é akele club que tu vai na ilia do Guaíba?
- Advogado: União
- Líder de facção: Párese que o gremista vai la, nunca vio ele la
- Advogado: vai. Já vi umas três vezes. Mas na sede de Poa.
- Líder de facção: so isto keria confirma. Tem seguramsa? Nao vamos fala muito, pra nao te encomoda. So keria ter sertesa.
- Advogado: ok. Tem que pegar a barca. Em Poa não. Difícil saber quando ele vai.
- Líder de facção: ele ten segurasa?
- Advogado: nunca vi.
- Advogado: si vi sozinho e com filho.
- Líder de facção: to emvestigando ele.
- Líder de facção: se ele condena ela de grasa vai paga caro.
- Advogado: jogo do Grêmio ele vai.
- Líder de facção: kero ve ce gobernó vas trase a vida dele de volta.
- Líder de facção: mas no jogo mira jemti. Na ilia con ver iski (se refere a Jet ski). E fácil.
- Advogado: verdade. Na sede da ilha, nunca vi.
Os três advogados envolvidos e o líder da organização criminosa tiveram suas contas bancárias e veículos bloqueados. Os advogados também tiveram a suspensão das atividades profissionais suspensas e do registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RS). O conselho divulgou nota nesta quinta-feira pela qual "reprova e não compactua com qualquer advogado ou advogada que atue à margem da ética profissional".
Confira a íntegra da nota:
"A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Rio Grande do Sul (OAB/RS) vem por meio desta se manifestar a respeito de uma investigação, envolvendo advogados com facção criminosa do Estado do Rio Grande do Sul:
- Os advogados citados estão suspensos preventivamente do exercício da profissão pela OAB/RS.
- A OAB/RS abrirá processo ético-disciplinar para apurar todas as circunstâncias do caso e a responsabilidade administrativa dos advogados no presente episódio.
- Cabe esclarecer à sociedade que este caso é uma exceção, e que todas as prerrogativas dos advogados que atuam dentro da ética sempre serão defendidas pela OAB/RS."
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