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Porto Alegre, terça-feira, 09 de outubro de 2018.
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Ciência

Edição impressa de 09/10/2018. Alterada em 08/10 às 22h36min

INCT estuda relação entre glutamato e doenças cerebrais

Saraiva foi vice-coordenador durante a primeira edição da pesquisa

Saraiva foi vice-coordenador durante a primeira edição da pesquisa


MARIANA CARLESSO/JC
Suzy Scarton
Concentrando 25 grupos de pesquisa, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Doenças Cerebrais, Excitotoxicidade e Neuroproteção, com sede em Porto Alegre, é coordenado pelo professor do Departamento de Bioquímica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Diogo Onofre Gomes de Souza. O trabalho se concentra na pesquisa das doenças cerebrais que decorrem de níveis aumentados do glutamato, o principal neurotransmissor excitatório do sistema nervoso central. O aumento está associado a condições como a doença de Alzheimer, as demências e os Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs).
A pesquisa está na segunda edição, iniciada em 2014, assim que a primeira, que começou em 2008, foi encerrada. O também professor do Departamento de Bioquímica da Ufrgs Carlos Alberto Saraiva, membro do comitê gestor, explica que, além de estudar o fenômeno e entender o motivo pelo qual o aumento de glutamato está associado a tantas patologias, um dos objetivos do instituto é buscar maneiras de proteger o sistema nervoso central desses eventos.
O orçamento ideal para o projeto, apresentado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), era de R$ 10 milhões pelos seis anos de pesquisa. Ao ser assinado, porém, o orçamento caiu pela metade, chegando a cerca de R$ 5 milhões para o mesmo período. Por enquanto, o valor repassado não alcançou um terço desse valor. "A Europa chega a gastar € 800 milhões ao ano na pesquisa de doenças cerebrais. Metade disso é investido em doenças relacionadas a excitoxicidade. Começou a cair a ficha de que é um problema crescente", comenta Saraiva.
Embora não seja possível evitar um aumento de glutamato no organismo, há maneiras de fazer com que, no caso de um AVC, por exemplo, as consequências sejam brandas. "Estamos buscando maneiras. Alimentos antioxidantes ajudam? Exercício físico ajuda? Procuramos entender a neuroproteção em vários aspectos", explica.
A primeira edição da pesquisa estava centrada na compreensão do mecanismo básico das doenças associadas ao aumento do neurotransmissor. A segunda foca os mecanismos de proteção. Não há previsão de que o trabalho se encerre, uma vez que, a cada nova droga no País, surgem novas possibilidades de pesquisa. "Existe um remédio usado para diabetes há muito tempo. Há indicações de que parece ser bom para demência. A cada etapa, chegamos a uma conclusão, mas não há um fim", esclarece Saraiva.
Embora a sede da pesquisa seja em Porto Alegre, universidades de todo o País estão envolvidas. Além dos 25 grupos de pesquisa, a interação com hospitais como o Clínicas e o São Lucas, foi fortalecida. Há, pelos menos, 200 pesquisadores envolvidos, além de 50 acadêmicos do exterior. A cooperação internacional, a contribuição científica e a formação de recursos humanos são outras metas estabelecidas pelo grupo coordenado pelo professor Souza.

Focado no teste de fármacos, grupo com sede no Tecnopuc trabalha com a bactéria da tuberculose

Parte da equipe que atua com o coordenador Basso (sentado)

Parte da equipe que atua com o coordenador Basso (sentado)


MARCELO G. RIBEIRO/JC

Responsável por 1,3 milhão de mortes no mundo em 2016, segundo a Organização Mundial de Saúde, a tuberculose é o objeto de estudo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Tuberculose (INCT-TB). Criado em 2008 e coordenado pelo professor Luiz Augusto Basso, o instituto é formado por 40 pesquisadores de 22 centros de pesquisa distribuídos em nove estados brasileiros.

O principal objetivo do grupo com sede no Parque Científico e Tecnológico (Tecnopuc) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs) é testar novas drogas para o tratamento da doença. "Temos um laboratório de síntese química onde se pensa nas moléculas que são testadas contra o bacilo causador da tuberculose. As que vão avançando em eficácia são testadas em roedores e, mais tarde, em espécimes não roedores", comenta um dos pesquisadores, Valnês Rodrigues.

Entre os desafios de médicos e pesquisadores estão as bactérias resistentes aos fármacos já existentes. Para combatê-las, são necessárias novas moléculas, com novos mecanismos de ação. Além das novas drogas, os pesquisadores do INCT-TB também testam combinações de medicamentos já existentes, aliados às recentes possibilidades. Há outras duas linhas de pesquisa no grupo, uma que estuda as vacinas, e outra, que trabalha mais diretamente com o diagnóstico da doença.

Conforme as moléculas vão sendo testadas, aquelas que apresentam maior eficácia vão passando às próximas fases de testes. Há, também, estudos de toxicidade e de farmacocinética. "Os testes envolvem várias etapas do estudo do metabolismo hepático, e também estudos de ligação com componentes do plasma, toda uma análise que fazemos para ver o que as moléculas causam no organismo", conta Rodrigues.

O contrato do grupo de pesquisa vai até 2022. Os recursos são repassados pelas esferas federal e estadual, por meio da Fundação de Amparo à pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs). "É claro que precisamos de mais recursos financeiros, mas um problema que temos é a estratégia de contratação", lamenta Basso. De acordo com o coordenador, muitos dos pesquisadores terminam os programas de mestrado ou doutorado no Brasil e se mudam para o exterior. "Não adianta nada tu investires na formação para, depois, a pessoa ir para o Canadá. Estamos perdendo muita gente. Temos de ter uma estratégia para manter esse pessoal que estamos treinando dentro do País", afirma.

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