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Porto Alegre, quarta-feira, 29 de agosto de 2018.
Dia Nacional do Combate ao Fumo.

Jornal do Comércio

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Memória

Edição impressa de 29/08/2018. Alterada em 29/08 às 00h42min

Gaúchos se despedem de Paixão Côrtes

Velório do folclorista ocorreu ontem no Palácio Piratini

Velório do folclorista ocorreu ontem no Palácio Piratini


CLAITON DORNELLES /JC
O Rio Grande do Sul fez fila ontem para despedir-se de uma de suas figuras mais icônicas. Desde o começo da manhã, milhares de pessoas foram ao Palácio Piratini prestar uma última homenagem ao tradicionalista Paixão Côrtes, que faleceu na segunda-feira, aos 91 anos. Ele estava internado no Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre, e enfrentava uma série de complicações, após uma cirurgia para corrigir uma fratura no fêmur.
Folclorista, pesquisador, compositor e radialista, Côrtes tocou a alma gaúcha de diferentes formas - e isso era visível durante as despedidas, que se estenderam durante todo o dia. Desde a manhã, nomes importantes da política estadual compareceram ao velório, como o prefeito Nelson Marchezan Júnior, o ex-governador Olívio Dutra e os ex-parlamentares José Fogaça e Ibsen Pinheiro, entre outros. Figuras de vulto na cultura gaúcha, como Renato Borghetti, Luiz Coronel e Gaúcho da Fronteira, também prestaram sua homenagem. Mas era igualmente significativa a presença de rostos anônimos, homens e mulheres que foram tocados, de diferentes formas, pelo trabalho do pioneiro tradicionalista.
Os governos de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul seguem em período oficial de luto até amanhã, com bandeiras a meio mastro. O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), em cuja criação Côrtes foi figura decisiva, também declarou luto. Ainda não estão definidas eventuais homenagens durante as comemorações da Semana Farroupilha, que iniciam nos próximos dias.
"Findou o tempo do meu pai, mas o trabalho dele vai além do período de permanência dele aqui, entre nós", resumiu Carlos Côrtes, um dos filhos do tradicionalista. Segundo ele, o pai era uma pessoa simples, de fino trato, que se orgulhada de não ter "marca borrada" - no linguajar pampeano, alguém que não precisa esconder seu passado para disfarçar desvios pelo caminho.
Na visão de Carlos, a marca do trabalho de Paixão Côrtes e seus companheiros fica especialmente visível nas pessoas mais simples, cujos costumes e vivências ganharam uma nova dimensão. "Eles valoraram uma coisa que era vista como algo rude, como atraso. Hoje, é visto como cultura, não como grossura. O gaúcho saiu da beira do fogo e se tornou universal, pôde se mostrar como ele é e interagir com outras culturas. É uma construção, com vários tijolos, e meu pai foi um deles."
Ao fim das despedidas, o caixão foi conduzido, sob aplausos, até a entrada do Piratini, quando a banda da Brigada Militar tocou o Hino Rio-Grandense. Em seguida, um cortejo de cavalarianos ligados ao MTG conduziu o corpo até o cemitério São Miguel e Almas, em Porto Alegre, onde ocorreu o enterro.
Nascido em Santana do Livramento, João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes destacou-se pelo intenso esforço de resgate e compilação da cultura e dos hábitos populares típicos do povo gaúcho. Em 1947, liderou a formação de um núcleo de tradições gaúchas no Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, onde estudava - grupo que, logo em seguida, iniciaria a pesquisa que resultou no MTG e nos primeiros Centros de Tradições Gaúchas (CTGs), hoje disseminados pelo País e pelo mundo. Sua imagem também serviu de modelo para a estátua do Laçador, considerada símbolo de Porto Alegre.
 
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