Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, terça-feira, 03 de julho de 2018.

Jornal do Comércio

Geral

COMENTAR | CORRIGIR

Saúde

Notícia da edição impressa de 03/07/2018. Alterada em 02/07 às 22h02min

Consultas em Porto Alegre serão organizadas por gravidade

TelessaúdeRS-Ufrgs é um dos núcleos que farão a regulação do serviço

TelessaúdeRS-Ufrgs é um dos núcleos que farão a regulação do serviço


/MARCO QUINTANA/JC
Isabella Sander
Uma reorganização na fila de consultas de Porto Alegre, através do projeto Regula Brasil, promete reduzir em 60% o tempo de espera para atendimento por médicos especialistas. A demanda passará a ser atendida conforme a gravidade, e não em ordem cronológica, como acontece hoje.
A regulação será feita por telemedicina, nos moldes do que já é feito nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do interior do Estado, pelo projeto RegulaSUS.
A capital gaúcha será a primeira do projeto a receber o Regula Brasil, a partir de agosto. Depois, o sistema também será implantado no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, em Manaus e em Maceió. O programa será financiado pelo Hospital Sírio Libanês, de São Paulo, que usará parte do que gastaria em impostos na sua implantação.
Com o Regula Brasil, médicos integrantes de uma rede de telemedicina atuarão na regulação dos encaminhamentos feitos aos pacientes que procuram as UBSs. Os profissionais avaliarão os encaminhamentos e indicarão o nível de prioridade de cada um, a fim de agilizar o atendimento de casos mais graves. Essa rede também reavaliará casos, a fim de evitar que haja encaminhamentos desnecessários para especialistas e garantir que muitas ocorrências sejam solucionadas na própria UBS.
O atendimento para todo o Brasil será feito através de dois núcleos - o TelessaúdeRS-Ufrgs, em Porto Alegre, que já existe, e um posto a ser montado no Distrito Federal. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) já usa o sistema nas UBSs do Interior em parceria com o TelessaúdeRS há 20 meses, período no qual houve redução de 60% no tempo de espera por consultas e de 50% no número de pacientes nas filas.
Em Porto Alegre, as especialidades contempladas neste projeto são ortopedia, oftalmologia, neurologia, psiquiatria, reumatologia, proctologia, gastroenterologia e urologia, que somam, no total, fila de 54.913 consultas. Esta será a primeira vez que a Capital usará telemedicina na área de regulação - até então, o modelo só era adotado para telediagnóstico, nas áreas de dermatologia e oftalmologia. A fila para dermatologia de 5.230 pacientes, registrada em janeiro de 2017, por exemplo, foi zerada no final do ano.
Segundo o secretário de Saúde de Porto Alegre, Erno Harzheim, o município já havia sentido redução em 40% da demanda por consultas com especialistas nos últimos dois anos em virtude da adoção da telemedicina pela SES, já que parte dos pacientes atendidos vem do Interior. Por isso, a prefeitura apresentou ao governo federal uma proposta de ampliação do projeto para várias capitais brasileiras - entre elas, Porto Alegre. "Eles decidiram aprovar a demanda e começar por aqui", informa.
Harzheim explica que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) não tem capacidade em termos de recursos humanos para regular toda a fila de espera por consultas especializadas existente hoje. Entretanto, como o
Regula Brasil atenderá à demanda de 54,9 mil pacientes, o município tem condições de fazer o mesmo tipo de regulação com os 36 mil pacientes restantes das filas de outras especialidades.
Em paralelo, o município tem buscado aumentar a oferta de consultas nas especialidades nas quais há demanda, enquanto diminui nas que não há. Em ortopedia, por exemplo, o número de consultas mensais cresceu de 240 para 1.050, e deve aumentar mais quando entrar em vigor o novo contrato com o Hospital Restinga e Extremo-Sul. Em algumas subespecialidades de ortopedia, o tempo de espera para consultas beira os dois anos.

No Estado, projeto surgiu para evitar que pacientes do Interior tenham de fazer viagens longas

A SES possui contrato com o TelessaúdeRS-Ufrgs na área de regulação desde 2013, quando foi instaurado um projeto-piloto buscando estratégias para melhorar as filas de espera por consultas especializadas no Rio Grande do Sul. A maior preocupação era evitar que pacientes do Interior precisassem viajar longas distâncias para serem atendidos.
Desse projeto, nasceu o RegulaSUS, que faz a análise de todos os encaminhamentos feitos pelas UBSs, e, a partir do qual, toma-se uma decisão sobre se é o caso de encaminhar o paciente para uma consulta presencial ou se este pode ser atendido a distância, em centros de telediagnóstico localizados em Porto Alegre, Santa Rosa, Farroupilha, Pelotas, Santa Cruz do Sul e Santiago. O resultado foi a redução de 190 mil encaminhamentos para consultas especializadas, em 2016, para 70 mil em 2018, quando a tendência era aumentar para 300 mil.
Conforme o diretor do Departamento de Ações em Saúde da SES, Elson Farias, o protocolo para encaminhamentos foi tornado público a todos os médicos de família das UBSs, para que se orientem por ali para encaminhar um paciente a um especialista ou não. "Conseguimos, assim, evitar uma série de encaminhamentos para Porto Alegre. Em endocrinologia, por exemplo, a redução foi de 52%, enquanto, na estomatologia, foi de 70%", cita. O telediagnóstico em oftalmologia para crianças e adolescentes gerou queda de 85% nos encaminhamentos.
Farias afirma ser difícil de medir a contenção de gastos gerada pela medida, mas garante que é alta. Pacientes de regiões como a Serra e a Campanha, por exemplo, que precisavam se locomover até Porto Alegre para ter atendimento em algumas especialidades, não precisam mais, reduzindo o dispêndio com diárias para motoristas e combustível para os carros, a perda de dias de trabalho por parte dos pacientes, entre outros fatores. Em média, 1,5 mil pessoas eram levadas à Capital mensalmente para consultas especializadas. O número, hoje, caiu pela metade.
 
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia