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Porto Alegre, quinta-feira, 14 de junho de 2018.
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Saúde

Notícia da edição impressa de 14/06/2018. Alterada em 14/06 às 00h14min

Vacinação em crianças tem baixa procura

Fernando (d) foi com a mãe, Adriana, e a irmã, Mariana, receber a dose no Centro Modelo

Fernando (d) foi com a mãe, Adriana, e a irmã, Mariana, receber a dose no Centro Modelo


FREDY VIEIRA/JC
Isabella Sander
A campanha de vacinação contra a gripe registra baixa procura para imunizar crianças no Estado. Até ontem, apenas 50% da população na faixa etária de seis meses a cinco anos incompletos, que fazem parte do grupo de risco, compareceram aos postos de saúde da Capital para receber a dose. O percentual é um pouco maior no Rio Grande do Sul, que calculava 54,8% na terça-feira, mas ainda estava longe da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde (90%). Como os baixos índices são gerais, o governo federal estendeu a campanha, que se encerraria amanhã, até 22 de junho - é a segunda prorrogação, já que o prazo inicial expiraria no dia 1, mas foi alterado por causa da paralisação dos caminhoneiros.
A profissional de logística Adriana Correa Soares da Costa, de 41 anos, aproveitou as férias para levar os filhos Fernando e Mariana para serem vacinados ontem no Centro de Saúde Modelo. Fernando, de sete anos, pediu para a mãe ir primeiro. Depois, assumiu a bronca ao receber a dose antes da irmã, de um ano e meio.
"É uma responsabilidade vacinar as crianças, porque é uma prevenção a situações mais graves", observa Adriana. A moradora do bairro Santana levou seus filhos para fazer quase todas as vacinas obrigatórias no Modelo, exceto algumas que acabou aplicando em clínicas particulares. Ontem, presumiu que o frio faria com que não houvesse muita demanda por atendimento. Dito e feito: em menos de meia hora, os três já tinham sido imunizados.
A pequena Laura, de nove meses, foi levada por sua mãe, a advogada Fernanda Nascimento, de 34 anos, para receber a segunda dose contra a gripe e a imunização contra a febre amarela. Apesar de morar em Alvorada, a família sempre se desloca até o Modelo para cumprir o calendário de vacinação da menina. "Aqui, o atendimento é mais rápido do que no posto perto da nossa casa, e sempre tem vacina. Além disso, as enfermeiras sempre orientam sobre o que deve ser feito depois da aplicação", conta Fernanda. Para a advogada, se os pais são conscientes, levam seus filhos para serem imunizados. "É simples, só ir no período. Na carteirinha de vacinação, consta quando é preciso vacinar, não é difícil, nunca tive dificuldade de conseguir dose aqui."
A técnica em radiologia Taís Limas, de 31 anos, levou seu filho, Lucas Lopes, de oito anos, para receber a vacina antirrábica no Modelo, depois de ser mordido por um cachorro. Moradora do bairro Navegantes, Taís procurou a dose no posto de saúde próximo à sua casa, mas foi informada de que esse tipo de imunização só é oferecido em algumas unidades. Por outro lado, o menino já tinha sido vacinado contra a gripe no dia 12 de maio, Dia D da campanha de vacinação, no posto de saúde do qual a família é vizinha.
Taís relata que Lucas é vacinado contra a gripe anualmente, já que o menino tem bronquite e é mais propenso a complicações. "É bom para evitar que a gripe seja mais forte. Prefiro ficar na fila e esperar do que lidar com o agravamento depois", defende.
No Estado, desde segunda-feira, as doses podem ser obtidas por toda a população, em qualquer unidade de saúde. A imunização ocorre das 8h às 17h nos postos de saúde. Na Capital, o Centro Modelo e as Unidades de Saúde São Carlos e Tristeza atendem até as 22h. A Clínica da Família, na Restinga, oferece o serviço até as 20h.

Vulneráveis, menores transmitem o vírus por mais tempo

A baixa imunização de crianças, que, de seis meses a cinco anos incompletos, têm direito a vacina gratuita contra a gripe nos postos de saúde, preocupa as equipes da área da saúde por dois motivos. Primeiro, porque crianças têm organismos mais vulneráveis, uma vez que possuem menos anticorpos do que adultos, e correm mais risco de ter o quadro viral evoluído para doenças mais graves, como pneumonia e broncopneumonia. Segundo, porque transmitem o vírus por mais tempo do que os adultos.
Segundo Tani Ranieri, chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), as crianças são consideradas um grupo amplificador da transmissão dos vírus da gripe, porque demoram mais tempo para eliminar a doença. "A gripe passa de pessoa para pessoa através de gotículas soltas nos ambientes enquanto ela está eliminando o vírus de seu corpo. As crianças eliminam o vírus em 12 ou 14 dias, bem mais do que os adultos, que eliminam em cerca de uma semana", informa.
A baixa procura da imunização para crianças já havia sido registrada nos anos anteriores, sendo sempre o grupo com menor cobertura vacinal, mas a cobertura nunca foi tão baixa. Tani acredita que o fenômeno ocorre em virtude de muitas já estarem com algum tipo de infecção viral ou bacteriana nesse período, e, como a orientação é não dar a vacina quando o indivíduo está com febre, os pais acabam preferindo não dar a dose a seus filhos. A orientação da servidora do Cevs, porém, é que a criança seja vacinada mesmo se estiver com sintomas gripais, como tosse e coriza, desde que não apresente febre.
Juarez Cunha, médico pediatra da Vigilância em Saúde de Porto Alegre, aponta que, diferentemente das regiões Nordeste e Centro-Oeste brasileiras, a Sudeste e a Sul não têm registrado, até agora, grandes números de pessoas com gripe forte. "Quando se noticia que há mais casos de pessoas com complicações da gripe, a população procura. Exemplo disso foi em 2009 e em 2010, com a Gripe A", observa. Outro motivo da não procura por vacinação é o fato de o frio ter chegado mais tarde neste ano.
Até a sexta-feira passada, a Secretaria Estadual de Saúde havia recebido 829 notificações de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), que representa um agravamento da gripe, e confirmado que, das 777 amostras processadas, 8,65% (68) eram decorrentes do vírus influenza, e 76, de outros vírus. No Brasil, a positividade de Srag decorrente de influenza é de 23,2%. Três óbitos foram confirmados no Rio Grande do Sul.
Cunha chama a atenção para o que aconteceu nos Estados Unidos no último inverno, quando 170 óbitos de crianças foram registrados em função de complicações da influenza. "É um quadro assustador, e nos preocupamos que aconteça aqui." A vacina leva 15 dias para fazer efeito e proteger o organismo.
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