Texto: Giana Milani e Mauro Belo Schneider

Há opções para amantes de Nova Iorque, Londres e Buenos Aires

Três empreendimentos que reproduzem bairros do exterior em Porto Alegre

Texto: Giana Milani e Mauro Belo Schneider

Há opções para amantes de Nova Iorque, Londres e Buenos Aires

O bairro Santa Cecília, em Porto Alegre, ficou mais frequentado desde a abertura de um empreendimento preparado para receber a rainha da Inglaterra, Elizabeth II. A casa de chás Notting Hill - nome de uma famosa região de Londres - funciona das 12h às 22h, de segunda-feira a sábado.

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O bairro Santa Cecília, em Porto Alegre, ficou mais frequentado desde a abertura de um empreendimento preparado para receber a rainha da Inglaterra, Elizabeth II. A casa de chás Notting Hill - nome de uma famosa região de Londres - funciona das 12h às 22h, de segunda-feira a sábado.
Rogério Pontes, 59 anos, já explora a temática inglesa há 14 anos. Ele é dono do restaurante Liverpool, em frente a sua nova aposta. "O chá é oferecido exatamente como a rainha é servida. Contratamos um maitre para saber até de que lado as alças da xícara devem estar viradas", revela Rogério, que investiu entre R$ 300 mil e R$ 400 mil no estabelecimento.
Muitas pesquisas sobre os hábitos da monarca foram realizadas para chegar ao resultado que o público encontra ao entrar no ambiente. A mesa de chás custa R$ 80,00, e pode ser compartilhada. A quantidade de alimentos é ideal para três ou quatro pessoas, que dividem esse valor.
Uma torre é servida à mesa com sanduíches, brownies, croissants e muitas outras guloseimas - todas feitas por pessoas especializadas em gastronomia na cozinha própria. O consumo do chá é liberado.
LUIZA PRADO/JC
Uma das portas foi pintada de azul, para fazer referência ao filme Um Lugar Chamado Notting Hill. Além disso, quadros ilustram pontos turísticos londrinos e um jardim nos fundos tem a função de mostrar como os ingleses valorizam a natureza. "Os gramados, para eles, valem ouro", expõe Rogério. A clientela é convidada a tirar os sapatos e molhar as plantas da área externa.
A ideia de abrir a casa surgiu após eventos com chás produzidos mensalmente no Liverpool. Com tanta demanda, o empreendedor viu que havia potencial. "No buffet, o pessoal vai por compromisso. Aqui, virão por prazer", enxerga ele, comparando suas duas operações.
Antes de virar empresário, Rogério trabalhou como marceneiro. E essa bagagem de vida está impressa no Notting Hill também. Acabamentos em madeira foram feitos por ele mesmo.
Como cultura é algo valorizado pela família que administra o negócio (na rua Santa Cecília, nº 1.535), o estabelecimento deve incorporar, ainda, uma agenda de eventos, com saraus e peças de teatro, organizada pelo filho de Rogério, Gabriel, 25 anos, formado em Cinema. "A gente quer que a comunidade e a cidade venham até aqui e conheçam o bairro", avisa o jovem.
LUIZA PRADO/JC

Uma visita a Buenos Aires com futebol e samba

Uma reprodução do bairro La Boca, em Buenos Aires, na Argentina, com suas tradicionais paredes forradas com telhas coloridas, foi construída na avenida Aparício Borges, nº 1.156, em Porto Alegre. Há quatro anos, o La Boca Complexo Esportivo & Cultural funciona com aluguel de uma quadra de futebol e ambiente gastronômico.
A proposta une, exatamente, o mesmo que o turista encontra na rua Caminito, uma das mais famosas da cidade portenha - esporte e entretenimento. "Quando a gente entra no Caminito, há um visual lindo, com casinhas coloridas, restaurantes e uma cena cultural. Quatro quadras dali se chega em La Bombonera, estádio do Boca Junior", diz Vinicius Mendes Lima, proprietário do local.
LUIZA PRADO/JC
Vinicius trouxe o conceito ao Rio Grande do Sul após fazer mestrado na Argentina. Como é fã de futebol, sempre que recebia algum amigo do Brasil, levava à região emblemática. O negócio opera todos os dias, e aos domingos há uma miscigenação de culturas. Rodas de samba chegam a atrair mais de 300 pessoas ao espaço.
O uso da quadra de futebol custa entre R$ 100,00 e R$ 140,00, dependendo do horário. A de vôlei, R$ 50,00. O espaço do bar pode ser ocupado por quem quer fazer churrasco sem custos, desde que a bebida seja comprada ali. Diariamente, são vendidos sanduíches, pizzas e, para o futuro, a ideia é incluir panchos.
O La Boca já foi sede da escolinha de futebol do Boca Juniors na cidade, mas atualmente é a jogadora Duda quem maneja as aulas com as crianças. O gerente do empreendimento, que também trabalha com Vinicius em sua agência de fomento social, a Besouro, Guilherme dos Santos, fez seu trabalho de conclusão sobre o La Boca. "Na minha pesquisa, cheguei à conclusão de que 60% das pessoas chegam aqui por causa do entretenimento, e 40% pela quadra."
LUIZA PRADO/JC

Inspiração direto do Brooklyn

Alicia Keys e Jay Z já cantavam, na música Empire State of Mind, que Nova Iorque é a selva de concreto onde os sonhos são feitos. E no meio de tantos arranhas-céu, táxis amarelos, o verde do Central Park e o brilho dos letreiros da Broadway, uma região tem, historicamente, se destacado: a do Brooklyn. O estilo underground do distrito, que chama atenção de quem vai aos Estados Unidos, agora poderá ser apreciado sem sair de Porto Alegre. Isso porque abriu o Wills Bar, espaço que usa as referências norte-americanas em todos os pontos de contato com o público - do cardápio à decoração.
Os jovens empreendedores Artur Venzon, 23, Pedro Venzon, 23, e Felipe Ávila, 21, instalaram a novidade num endereço que tem tudo a ver com o conceito: a avenida Nova York, claro, no bairro Auxiliadora, número 52. Coincidência? Que nada, foi tudo planejado.
O bar servirá drinks compartilhados em jarras (assinados por Claudia Schumacher, que inclusive já trabalhou em Nova Iorque), finger food, tacos, bolinhos de carne (criados pelo chef Marcelo Chaparro), entre outras opções. "A gente aposta na experiência de lá. Nossa missão é influenciar o hábito de compartilhar, sem desperdício de alimentos e bebidas", salienta Artur.
O menu também contará com atrações servidas à mesa, chope e cervejas. Além da gastronomia, os empreendedores investiram na música. "Quem vier vai escutar um som com qualidade, um bom hip-hop", garante Artur. Nas paredes, os grafites do artista Rômulo Deu Cria ajudam a criar a atmosfera, fazendo com que o cliente se sinta, de fato, no Brooklyn.
O local funciona de segunda-feira a sábado, das 17h30min à 1h. O pai de Artur e Pedro, Horizonte Venzon, é dono do bar 72 New York, a poucos metros do Wills, onde os rapazes adquiriram experiência profissional no ramo. Embora tenham planejado o empreendimento desde outubro de 2018, o trio passou por alguns percalços que classificam como aprendizados e desafios, tais como atrasos em obras e burocracia.

Cuidado com as apropriações

Estão surgindo, cada vez mais, negócios temáticos no Rio Grande do Sul. Só neste ano, no GeraçãoE, já repercutimos alguns. Quem não lembra do bar inspirado no universo bruxo que bombou nas nossas redes? Mas cuidado.

É preciso prestar atenção se você está passando a mensagem correta sobre o seu empreendimento. Pois há o risco de ele ser apontado como plágio, o que pode lhe render um processo, ou você ser acusado de apropriação cultural.

Um local com temática negra, mas administrado só por brancos, por exemplo, pode ser mal visto por determinada parcela da população. Em nossas redes sociais, uma discussão nesse sentido aconteceu. "Nada de novo: branco rico querendo fazer dinheiro em cima do estilo de negros pobres de outro país", disse uma internauta.

Todas as escolhas que você faz na sua empresa geram consequências. Pense bem em todas as suas decisões.