Isadora Jacoby Mauro Belo Schneider

Focar em um segmento específico de mercado pode ser a receita para alavancar uma ideia

Negócios miram em nichos para fidelizar clientes

Isadora Jacoby Mauro Belo Schneider

Focar em um segmento específico de mercado pode ser a receita para alavancar uma ideia

Afunilar e apostar em um nicho na hora de criar um negócio é uma das estratégias para conseguir atingir um público fiel de forma assertiva. Aprofundar-se em um assunto e atender de forma próxima uma demanda de mercado é o caminho escolhido por muitos empreendedores, como Marco Lopez, 37 anos, que está à frente da Produto Oficial, onde produz e comercializa itens licenciados de bandas do rock gaúcho. 

Ops! Este conteúdo é exclusivo para assinantes...

Afunilar e apostar em um nicho na hora de criar um negócio é uma das estratégias para conseguir atingir um público fiel de forma assertiva. Aprofundar-se em um assunto e atender de forma próxima uma demanda de mercado é o caminho escolhido por muitos empreendedores, como Marco Lopez, 37 anos, que está à frente da Produto Oficial, onde produz e comercializa itens licenciados de bandas do rock gaúcho. 
Marco conta que a ideia de apostar em um nicho surgiu muito antes do negócio. Quando era mais novo e tinha uma banda, um lema o movia. "Não adianta atingir o Brasil se eu não for o herói da minha rua", diz. A sentença foi aplicada na hora de criar a Produto Oficial em 2015. Atuando como diretor de palco de bandas gaúchas, ele percebeu que muitas não eram preparadas para atender à demanda do público por itens personalizados. "As pessoas iam nos shows e perguntavam se tinha produtos, e as bandas que eu trabalhava ficavam sem ter uma resposta. Era uma postura bem amadora para bandas profissionais", acredita. Assim, ele decidiu fazer a ponte entre fornecedores e artistas e assumir a produção do merchandising. "O primeiro artista que arrisquei foi o Duca Leindecker. Aproveitei uns shows que íamos fazer em um teatro para entender qual era o ticket médio, analisar como era a decisão de compra. Investi uma grana muito baixa nesse primeiro show e o retorno foi 200%. Então, vi que era um negócio de verdade e que, se aplicasse uma energia, daria certo", lembra o empreendedor. 
Hoje, são mais de 40 bandas no portfólio de clientes da Produto Oficial. Entre elas, nomes como Acústicos e Valvulados, Frank Jorge, Comunidade Nin-Jitsu e Rosa Tattooada. Além da venda de produtos em shows, a Produto Oficial conta com um e-commerce (produtooficial.com.br). São dois modelos de negócio pensados para atender perfis diferentes de bandas. "Para as bandas mais conhecidas, que têm mais repercussão, todo investimento é da Produto Oficial. A banda recebe uma porcentagem de direitos autorais, ou seja, só lucra. Em contrapartida, consigo usar o nome deles para chancelar o meu produto. É uma troca boa para os dois lados", acredita Marco, que criou um outro modelo voltado para bandas menores. "Quando abri o nicho das bandas undergrounds, que era um pedido desses artistas que queriam estar junto dos seus ídolos na loja, comecei investindo, mas vi que poderia ser um ponto de prejuízo. Criei, então, um pacote mínimo que a banda investe a preço de custo, a Produto Oficial não ganha nada. É cobrada uma comissão e uma taxa administrativa para o site. Assim consigo me proteger um pouco dos riscos e dos custos, e conseguimos oferecer um preço muito melhor do que se a banda buscasse sozinha", afirma. 
Com seis anos de trajetória, Marco acredita que os bons resultados do negócio se devem, justamente, por fazer parte de um nicho. Ele conta que 90% das compras do site, hoje, são de clientes recorrentes. "Uma das vantagens do nicho é a fidelização. São pessoas que já compraram, gostaram dos produtos, e buscam por outros artistas", pontua o empreendedor, com a ressalva de que o cliente fiel exige ainda mais cuidado com a qualidade. "Temos que sempre manter um nível alto, porque o cliente que já compra vai trocar a tua loja por outra se, em algum momento, ficar desapontado", pondera. 
Durante a pandemia, Marco conta que a venda dos produtos foi uma alternativa para manter a fonte de renda dos artistas e pessoas envolvidas no meio. "Montamos uma campanha para mostrar para o público que, durante a pandemia, talvez a única fonte de renda da banda seria com o produto oficial, que isso estaria ajudando diretamente os artistas e as equipes técnicas. As vendas só cresceram para as bandas que têm o olhar mais voltado para os negócios", conta. Agora, aos poucos, alguns eventos têm acontecido e o empreendedor tem pensado em alternativas para atender à demanda dentro do novo contexto. 
"Para as bandas que estão fazendo alguns shows que não comportam a loja, criamos promoções para distribuírem cupons de desconto, como, por exemplo, frete grátis para quem foi no show, para levar o público para o site", explica. Para o futuro, Marco não descarta atingir grupos do mercado nacional e almeja, inclusive, o exterior. No entanto, ele afirma que mantém os pés no chão e acredita que isso, além da paixão, é um dos segredos do negócio. "Não vale a pena crescer num ponto que não consiga controlar. Era meu sonho de adolescente conseguir trabalhar com a maioria das bandas que estão hoje na Produto Oficial. Cada banda me dá um frio na barriga, me emociona."

Irmãs de Porto Alegre desenvolvem curso de costura em Libras

Foi com o objetivo de resgatar o propósito da moda, indo na contramão das produções em série e das roupas padronizadas, que as irmãs Maria Helena Silveira de Medeiros e Elvania Santos da Silveira criaram o Mhel Ateliê de Costura. Hoje, além dos serviços de reparos e produção de peças, as duas lançaram um curso de costura online com tradução em Libras (Língua Brasileira de Sinais), a fim de aproximar e capacitar mais pessoas que desejam entrar nesse universo.
Elvania, que é graduada em Relações Públicas, conta que ela e a irmã, que é advogada, deixaram para trás as profissões anteriores para empreender na costura, abrindo o ateliê, em 2019, na rua Vieira De Castro, nº 285. Com a pandemia, o carro-chefe até então do espaço, que era a produção de roupas para festas, não teve mais tanta demanda. Foi o momento de se reinventar. "As professoras da escola onde fazíamos aula de costura sempre foram nossas parceiras, e foi aí que surgiu a ideia de ter cursos presenciais e online", conta Elvania. Mas a dupla queria algo mais para diferenciar o novo serviço, e foi então que decidiram que o conteúdo seria traduzido em Libras. "A moda ainda é muito voltada à vaidade, e, de alguma forma, isso não batia com a nossa ideia, estava faltando alguma coisa na nossa aula. Foi quando tive a ideia de inserir a tradução em Libras e tudo teve sentido. Contribuir para profissionalizar pessoas que não têm condições de entrar no meio da moda bateu nos corações de todas nós. Para muitas pessoas, não adianta apenas ter legenda, pois o Português é como uma língua estrangeira", explica Maria Helena.
O primeiro curso online em Libras oferecido pelo Mhel, batizado como Workshop Agulha Negra, custa R$ 397,00 e é focado na técnica de moulage, que consiste na modelagem e costura a partir de um manequim. As aulas são ministradas pela professora Juliana Sander. "O curso é bem iniciante para quem quer aprender a costura. É o passo-a-passo do início até o feitio geral de uma saia. A ideia, depois, é fazer o corte e costura em modelagem plana", revela Elvania, que acrescenta na lista de próximos cursos moda praia, moda pet e acabamentos. As inscrições podem ser feitas no link que está nas redes sociais do espaço (@mhelatelie).
As sócias contaram com a parceria de uma empresa de tradutores e de um cineasta para elaborar o produto. Todo esforço e investimento foram recompensados, segundo Maria Helena, no momento de lançamento do curso. "A primeira aluna que comprou o curso é surda. Foi uma alegria. As pessoas estão gostando muito da ideia da inclusão", diz a empreendedora. Além do cursos, as lives do ateliê são traduzidas. O próximo passo, segundo elas, é incorporar a tradução nas atividades presenciais, que aos poucos estão sendo retomadas. "Quando a pandemia baixar mais e conseguirmos aumentar o número de alunos, a nossa ideia é ter um tradutor aqui e ter inclusão presencial. Quando o projeto começou a surgir, pensamos muito em como gostaríamos que fosse o mundo caso fossemos surdas. É a tão falada empatia, palavra da moda", reflete Maria Helena.
O ateliê tem, ainda, uma linha voltada aos pets, que, segundo Elvania, tem muita saída.
"Nos desdobramos. Enquanto uma faz caminha de cachorro e tenta ganhar dinheiro em feira, a outra tenta manter o atelier para conseguirmos bancar a filmagem", conta a empreendedora, que diz não se arrepender, em nenhum momento, na guinada de carreira. "Não me vejo mais fazendo outra coisa que não costura", afirma.

Serviço de locação de imóveis específico para empresas é lançado no RS

Viviane Costa, 33 anos, lançou um serviço específico para empresas que buscam imóveis para alugar na Região Metropolitana de Porto Alegre. Ela se especializou na área de locação corporativa e almeja virar referência no assunto com seus posts no Instagram @osucessoimobiliario.
Formada em Processos Gerenciais e em duas pós-graduações, uma em Marketing Estratégico e outra em Inovação em Serviços, sabe onde é o melhor local para uma marca se instalar. O conhecimento sobre os endereços é fruto de sua experiência de oito anos no ramo.
"No mercado de locação, há o setor residencial e o corporativo. No começo, eu atendia o comercial, mas depois comecei a atender só empresas, como lojas, indústria, setor de transporte. Locação de galpão, por exemplo, é o que eu mais me identifico", detalha a empreendedora.
Viviane revela que seu trabalho é bastante específico e sente falta de conteúdos sobre o tema. "Não tem ninguém que fale sobre isso, a não ser alguns advogados, mas não tem ninguém comercialmente falando", expõe.
Por isso, no Instagram, desenvolveu uma rotina de posts. São três por semana: um dia sobre desenvolvimento de carreira, outro relacionado aos proprietários e outro aos locatários.
Faz parte de seu serviço entrevistar os clientes interessados para entender o negócio, pois há detalhes importantes. "Quando se trata de locação de pavilhão, cada cidade tem seu Plano Diretor. Além de conversar com o cliente que me procura, já peço o CNPJ para ver suas atividades e em qual endereço poderá se instalar", detalha. Viviane, atualmente, trabalha de forma autônoma e em parceria com imobiliárias.

Isadora Jacoby Mauro Belo Schneider 

Receba matérias deste autor

Isadora Jacoby Mauro Belo Schneider 

Receba matérias deste autor

Deixe um comentário