Victória Paz

Apesar das dificuldades, William nunca deixou de acreditar no esporte e na educação

Professor cria projeto social com aulas de basquete em Porto Alegre

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Apesar das dificuldades, William nunca deixou de acreditar no esporte e na educação

Foi treinando um amigo em uma quadra de basquete no bairro Restinga, em Porto Alegre, que Carlos William decidiu iniciar um projeto social com o objetivo de educar jovens da periferia através do esporte. Hoje, mais de 10 adolescentes participam da iniciativa, chamada de Coach Will Sports, com o intuito de se profissionalizarem.

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Foi treinando um amigo em uma quadra de basquete no bairro Restinga, em Porto Alegre, que Carlos William decidiu iniciar um projeto social com o objetivo de educar jovens da periferia através do esporte. Hoje, mais de 10 adolescentes participam da iniciativa, chamada de Coach Will Sports, com o intuito de se profissionalizarem.
As aulas, normalmente, ocorrem em praças próximas às residências dos alunos. William diz que o basquete é um esporte extremamente caro e elitizado no Brasil, principalmente em Porto Alegre, e diversos garotos interessados não têm condições de arcar com as despesas necessárias para a prática.
"O meu propósito sempre foi dar aula de basquete em troca do estudo dos meus alunos. Eu não quero criar atletas, quero criar cidadãos preparados para a luta", conta o professor.
Por mais que fosse muito bom no basquete, nunca teve interesse em ser jogador profissional, mas empreender em causas sociais. Através de treinos organizados com caixas de leite, desenhos na quadra com tijolo e apenas uma bola, William ensinava seus alunos e enfrentava oposição em relação ao seu trabalho. "Meu maior desafio foi ter que provar que era bom. Sou negro e periférico, então tive sempre que fazer o dobro do esforço", explica.
Na pandemia, os treinos se intensificaram e o professor conseguiu expandir suas aulas para um público maior. O ambiente também mudou, e o que antes era precário, hoje conta com materiais mais adequados, além de reconhecimento nas redes sociais.
Apesar das dificuldades, William nunca deixou de acreditar no esporte e na educação. "Para mim, o projeto é o meu combustível. O Will é o basquete", ressalta. Para o futuro, ele tem o objetivo de multiplicar seu público, indicar os seus alunos para clubes no exterior e fechar parcerias. "O meu maior sonho é ver as crianças de comunidade tendo a mesma oportunidade que outras porque, infelizmente, por mais que eu faça muita coisa, tenho consciência de que não é nada perto do que deveria ser. Uma liga de basquete da periferia não tem a mesma qualidade e espaço que as de clubes", pontua o professor.
ARQUIVO PESSOAL/REPRODUÇÃO/JC
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