Guilherme Jacques

Só professores nativos, robótica e técnicas de memorização. Cada local atrai um perfil de aluno conforme seus interesses

Escolas de inglês buscam diferenciais para abocanhar demanda da pandemia

Guilherme Jacques

Só professores nativos, robótica e técnicas de memorização. Cada local atrai um perfil de aluno conforme seus interesses

Neste momento de pandemia, com barreiras sanitárias rígidas em praticamente todos os países do mundo e taxa de câmbio nas alturas, nunca foi tão difícil para quem sonha com um intercâmbio realizá-lo. Mas é possível reproduzir parte dessa experiência sem sair de casa graças à criatividade do setor de escolas de inglês.

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Neste momento de pandemia, com barreiras sanitárias rígidas em praticamente todos os países do mundo e taxa de câmbio nas alturas, nunca foi tão difícil para quem sonha com um intercâmbio realizá-lo. Mas é possível reproduzir parte dessa experiência sem sair de casa graças à criatividade do setor de escolas de inglês.
Em Porto Alegre, por exemplo, abriu, em fevereiro deste ano, a primeira unidade da franquia 4You2, onde todos os professores são estrangeiros. "Eles trazem aspectos da cultura deles e aprendem também sobre a cultura da turma. Por isso, falamos em inversão do intercâmbio. Ao invés de o aluno ir para o exterior, já que, às vezes, ele não tem condições, trazemos o estrangeiro para que haja essa troca", descreve o empreendedor Francisco Fortes.
Ele, aliás, destaca um outro aspecto que lhe convenceu a trazer a escola, que tem 16 unidades no Brasil, ao Rio Grande do Sul: a implementação do modelo de franquias de impacto social positivo. Segundo Francisco, a 4You2 tem como proposta a democratização do inglês, possibilitando o ensino do idioma por preços acessíveis e com materiais totalmente digitais, que reduzem o custo para os alunos.
"Conseguimos oferecer um ensino de qualidade do inglês por um custo muito baixo, permitindo que pessoas que não teriam inglês no currículo possam estudar. Sabemos que essa deficiência de acesso ao idioma ocorre não só no Brasil, mas em toda a América Latina", explica.
A digitalização dos materiais da escola através de aplicativos permite ainda uma inovação. As aulas presenciais são todas focadas em conversação, desde o primeiro dia, priorizando o desenvolvimento de temáticas do cotidiano, permitindo a naturalização da prática.
Já a teoria se apoia na tecnologia. O aplicativo de estudos é integrado ao curso presencial, oferecendo mais de 8,5 mil exercícios diferentes, com variações de dificuldade de acordo com o nível dos alunos.
Há, também, dicas para cada aula, explicações de gramática, exercícios de fala com reconhecimento por inteligência artificial e o mapeamento da evolução das quatro principais competências da língua (conversação, escrita, leitura e escuta).
Durante as restrições do isolamento social, os encontros acontecem de forma remota, mas tradicionalmente são presenciais. A unidade da Capital fica na avenida Assis Brasil, nº 3.759, e tem recebido retornos positivos de alunos um mês após sua abertura, conforme Francisco.
"Estamos fazendo um acompanhamento bem de perto com os alunos, pedindo feedbacks, e tem sido bem positivo. Eles gostam da aula, da forma como ela acontece. E, com a pandemia, ter um inglês de qualidade com preço atraente e com essa troca cultural é muito rico", celebra o franqueado.

Com aulas de robótica e educação financeira, o ensino não se limita ao Verb To Be e ao Present Perfect

Antes de resolver empreender, a psicopedagoga Vivian Rahn foi diretora de uma escola de inglês por sete anos. Já tinha experiência e aproveitou uma oportunidade: precisava trocar a bandeira da escola. Era, então, o momento. "Pensei em fazer uma escola com bandeira própria, criada por mim e pela minha equipe e planejava que ela fosse uma 'bandeira branca', só minha. Tive assessoria por um bom tempo e fui criando várias ideias até que conheci a Hey Peppers, uma marca que iniciou em Santa Rosa, e tinha valores muito parecidos com os que eu gostaria de ter e fazer na minha escola", conta.
Neste meio tempo, a gravidez de Vivian foi providencial para a escolha por uma franquia. Como franqueada, receberia apoio, suporte e treinamento. Ela conta que sua equipe comprou a ideia e assim nasceu a unidade da Hey Peppers no bairro Ipanema, dentro do Ipanema Sports, em Porto Alegre. O lema da escola é "to make better people" - em português, fazer pessoas melhores. Através dele, a instituição se propõe a desenvolver os alunos além do idioma. O objetivo, explica Vivian, é ajudá-los a realizar seus sonhos, sejam eles de intercâmbio, de um emprego melhor ou de uma viagem com a família.
Na Hey Peppers, há aulas para turmas e individuais, que podem ser presenciais ou gravadas, sobretudo no período de pandemia. O aluno mais velho tem 87 anos e o mais novo, acompanhado da mãe, apenas um ano de idade. Mas, na prática mesmo, o diferencial da escola, conforme Vivian, é a amplitude de modalidades de ensino que são oferecidas. "Somos uma escola de inovação bilíngue. Além das aulas de inglês, nosso carro-chefe, contamos com aulas de robótica, programação, cultura maker, empreendedorismo e educação financeira. Temos também outras, que acontecem de acordo com a preferência dos alunos e vão desde cooking classes até aulas de storytelling e conversação", detalha.
O número de interessados nas modalidades diferenciadas da Hey Peppers vem aumentando, mas as aulas de inglês tradicionais ainda são as mais procuradas pelo público. Vivian aposta em algumas conveniências para os alunos procurarem os cursos da escola. "A nossa proposta pedagógica, o foco na conversação, as propostas de aprendizagem para os alunos, a segurança do Ipanema Sports e a possibilidade de muitas outras atividades e esportes em um mesmo local", lista. De olho no futuro, a Hey Peppers não se prende aos desafios impostos pelo novo coronavírus. Sem um prazo definido para terminar e as rotinas presenciais do mundo pré-pandemia serem retomadas, o negócio busca a adaptação. "Se esperarmos ter uma vacina para todos e só depois fazermos algo para nos desenvolvermos, vamos acabar perdendo muito tempo. Então, estamos adaptando tudo para que os alunos se sintam bem, com aulas leves, divertidas e cheias de aprendizagem. Precisamos ter esperança, mas também sermos assertivos na educação de qualidade, com foco nas necessidades dos alunos", analisa.

Marca aposta em conceitos de neurolinguística e mnemônica para que estudantes memorizem

Foi em 2009 que o casal Carla Ramos e Everton Vargas decidiu investir em uma franquia na cidade de Canoas. Antes de qualquer decisão, realizaram uma pesquisa, cogitaram algumas alternativas e, por fim, decidiram investir no ramo da educação, mais especificamente na Uptime, marca de escolas de inglês criada em 2001, com sede em Belo Horizonte. "Conhecimento é algo que ninguém tira da gente, que levamos para toda a vida. Foi pensando assim que entendemos que era isso que queríamos: ajudar pessoas a progredirem. Assim, a Uptime chamou nossa atenção porque ela não se preocupa em ter quantidade de alunos, e sim em ter qualidade de ensino. E nós levamos isso muito ao pé da letra aqui na nossa unidade", conta Carla.
Na Uptime, são oferecidos cursos que objetivam fluência para adultos que é prometida e deve ser alcançada em 12 meses , os clubes de conversação e uma formação em nível de mestrado, que vai além da fluência e permite aos formados que ensinem o idioma. Além deles, há a opção teens, para os adolescentes de 11 a 16 anos. A variedade de cursos, no entanto, converge na metodologia em que a escola aposta, que contempla tecnologia é a primeira a incorporar a realidade virtual em exercícios, com aplicativo próprio para os alunos, de acordo com os sócios e conceitos de neurolinguística e mnemônica.
Através de ideias da ciência que estuda como o cérebro elabora e interpreta a linguagem e da mnemônica, que trabalha a memorização de informações através da associação de imagens e símbolos, é que a escola busca desenvolver os alunos. "Como a gente aprende mais rápido? Como gravamos algo? Entendemos que se aprende mais rápido através de associação. Então, trabalhamos o inglês assim, por meio de dicas, de imagens, de macetes, fortalecendo o conteúdo dentro do cérebro. Nós ensinamos o aluno a reter por mais tempo o conteúdo. Para isso, ele também precisa seguir os exercícios e rotinas que propomos", conta.
Carla avalia que os retornos que recebem dos alunos são muito satisfatórios. A escola mensura a percepção dos estudantes através de cartas de opinião que devem ser escritas em determinados momentos. No caso do ensino de adultos, uma primeira que pode ser entregue em português e outra, necessariamente, em inglês.
Além disso, aula a aula, os participantes são convidados a avaliar o encontro, enquanto, de outro lado, recebem um feedback, que conta, inclusive, com o levantamento de pontos que ainda devem ser desenvolvidos.
As aulas na Uptime ocorrem de forma presencial, mas, durante a pandemia, foram adaptadas para ocorrer remotamente, porém ao vivo, para preservar a interação entre os professores e os alunos. Com isso, a escola espera se manter o mais próxima possível do modelo de aulas que considera ideal.
E é assim, apostando na fidelidade ao seu propósito, que Carla entende ser a forma certa de se manter em um mercado bastante competitivo. "A marca Uptime nasceu em 2001 com o DNA do ensino e nunca se moldou pelo mercado. O mercado é competitivo? É, mas para quem ensina inglês, de fato, não há problemas, há campo para todos. E a nossa principal publicidade é o aluno, nós investimos nele. Fazemos com que o aluno aprenda, porque é ele que nos leva para mais pessoas", revela.
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Guilherme Jacques - estagiário do GeraçãoE

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