Isadora Jacoby

Em Porto Alegre, três novas cafeterias abriram as portas recentemente

Empreendedores investem no café na hora de abrir novos negócios

Isadora Jacoby

Em Porto Alegre, três novas cafeterias abriram as portas recentemente

Balcão voltado para rua, autoatendimento e 9m². Assim é a StreetMe, cafeteria que abriu as portas em dezembro em Porto Alegre. Operando no sistema pegue e leve, a ideia é ser um café urbano, que atenda as pessoas que passam pelo local. Ainda na rua, o cliente faz o seu pedido em um tablet, realiza o pagamento e, então, pega o seu pedido para levar.

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Balcão voltado para rua, autoatendimento e 9m². Assim é a StreetMe, cafeteria que abriu as portas em dezembro em Porto Alegre. Operando no sistema pegue e leve, a ideia é ser um café urbano, que atenda as pessoas que passam pelo local. Ainda na rua, o cliente faz o seu pedido em um tablet, realiza o pagamento e, então, pega o seu pedido para levar.
Úrsula Dresch, 38 anos, proprietária do negócio, conta que ter um espaço voltado para o café era um sonho antigo. À frente também de uma empresa de eventos, viu a demanda baixar nos meses de pandemia. O tempo livre virou oportunidade para tirar do papel o projeto. "Amo café desde nova e sempre quis uma coisa diferente. Criamos essa proposta to go, e levamos bem mais a fundo com a questão da pandemia, já que o pessoal não pode ir e ficar no local. O café é todo voltado para isso", explica a empreendedora.
O ponto na avenida Independência, nº 515, é definido por Úrsula como loja de experiência. Isso porque, antes de ter o espaço físico, a ideia da empreendedora era vender somente o café, um blend autoral desenvolvido em uma fazenda cafeeira no sul de Minas Gerais, chamado de Blend Lifestyle. "O cliente pode comprar para passar em casa. Todos os cafés do cardápio são feitos com esse blend", destaca Úrsula. O pacote com 250g moído custa R$ 39,00. As bebidas prontas vendidas no espaço partem de R$ 6,00 e vão até R$ 14,00. Úrsula conta que o café nitrogenado, um cold brew que leva suco de laranja, é uma das preferências da clientela. "É uma bebida mais refrescante, mas com café", explica.
Para reforçar a ideia de take away, o local tem uma sacola especial para que o cliente consiga levar mais de um café por vez. O conceito da cafeteria também está presente no cardápio. As opções de alimentos são pensadas para serem consumidas na rua, de forma prática. "Tem pão de queijo, palha italiana, brownie, brigadeiro belga. São comidas fáceis para a pessoa pegar e sair caminhando. Não quis colocar folhados, ou coisas com recheios, que são difíceis de comer na rua. Focamos em comidas mais práticas", pontua Úrsula, que também vende produtos com a identidade visual da marca, como canecas, filtros ecológicos e ecobags, itens pensados para que o cliente reproduza a experiência em casa. Para transformar o ponto e desenvolver a marca, foram investidos cerca de R$ 100 mil. Úrsula conta que aproveitou sua expertise em marketing para desenvolver o conceito do StreetME. "Como trabalho há muito tempo com marketing, focamos bastante nos detalhes. Tudo foi bem estudado e bem pensado. O nome é para ser um café urbano e o logo é uma menina e um guaxinim, que representa o desejo de explorar, de ir para a rua", contextualiza. O ponto foi escolhido por ser um local onde as pessoas passam caminhando, já que o foco são os pedestres. "Fomos atrás de um lugar que fosse na rua, que não desse para os carros pararem, para que o pessoal viesse a pé. O balcão fica virado para a rua, queríamos um lugar movimentado de pessoas caminhando."
Para o futuro, o projeto é franquear o modelo. Por isso, o espaço é pequeno e com autoatendimento, para que a operação funcione somente com um barista. "Pensamos em ter franquias, mas trabalhando sempre com espaços pequenos. A ideia é ter sempre só uma pessoa trabalhando. O pedido é todo feito pelo cliente, ele mesmo passa o cartão. O barista está ali para tirar alguma dúvida, mas é para ser mais modernizado", afirma. O StreetMe funciona de segunda a sexta-feira, das 8h30min às 18h30min, e aos sábados, das 9h às 13h.

Cafeteria de Porto Alegre inspirada em viagens usa poltronas de avião em decoração

Traduzir em um espaço a paixão em comum por viajar. O casal Flávia e Leandro Araujo sempre desejou empreender. Na hora de tirar a ideia do papel, o tema não poderia ser outro. Assim, nasceu, em outubro, a cafeteria Grãos do Mundo. Com poltronas de avião e outros elementos na decoração que remetem a viagens, os sócios agregaram ao negócio uma consultoria personalizada de turismo e um espaço de coworking.
Flávia conta que o projeto do negócio começou ainda em 2019, quando eles procuraram uma consultoria para ajudar a desenvolver a ideia. A chegada da pandemia, ao contrário do que se imagina, só impulsionou a abertura do espaço. "Vimos uma oportunidade. Pessoas do mercado nos orientaram a ficarmos atentos, porque muita gente estava fechando estabelecimentos, e aí poderia aparecer um bom ponto comercial, uma oportunidade de negociar. E foi o que aconteceu. Viemos conhecer o antigo Valkiria Café em junho, e, em julho, já entramos em negociação", conta Flávia sobre a escolha do ponto na avenida Carlos Gomes, nº 604.
Como um dos objetivos do casal é tornar a Grãos do Mundo uma franquia, a ambientação do espaço foi feita de maneira que possa ser adaptada nos futuros pontos. "A consultoria nos elucidou de investirmos em elementos de decoração que não fossem únicos ou que não pudessem ser reproduzidos. Pensamos em trazer algum artista que conseguisse colocar nosso espírito nas paredes do café. Foi aí que chamamos o Jeferson Martins e esses painéis viraram a nossa identidade", explica Flavia sobre as paredes do local que misturam os frutos do café, com aviões e frases para amantes de viagens.
Apesar do nome Grãos do Mundo, a empreendedora pondera que o intuito não é ter cafés importados de outros países, já que, segundo ela, perderiam a qualidade. Para trazer uma experiência mais cosmopolita à clientela, Flávia planeja agregar ao cardápio métodos e estilos de se tomar café em outros países. "Estamos com essas ideias já que trazer o grão de outros lugares é muito complicado. Temos o cappuccino italiano que, aqui no Brasil, nós achamos que é feito com chocolate e canela e, na verdade, é expresso e leite vaporizado puro. Trouxemos tamanhos de xícaras mais comuns na Itália também", destaca a empreendedora que planeja, ainda, fazer semanas temáticas de outros países com doces típicos e outras bebidas.
Para usar o coworking, que fica no mezanino do espaço, é necessário reservar previamente, para garantir o distanciamento social. O custo é de R$ 30,00, consumíveis na cafeteria, para três horas de uso. É por lá, também, que funciona a consultoria para viagens feita por Flávia. A Grãos do Mundo (@graosdomundocafe) funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 19h e aos sábados das 10h às 18h.

Boleria que reproduz casa de avó abre as portas em casarão de Porto Alegre

Se o ano de pandemia significou, para muitos, um tempo de cautela, para a família de Renata Anunciação, 35 anos, foi diferente. Junto com os pais, Paulo Renato Brito, 64, e Rosane Rocha, 57, ela tocava, há quatro anos, a Boleria Casa de Vó, em Cachoeira do Sul, cidade que fica a 196 km da Capital. Em outubro, o trio deixou o município do Interior e veio de mala, cuia e negócio para Porto Alegre, transferindo a Casa de Vó para a rua Vitor Meireles, nº 108, no bairro Rio Branco.
O casarão foi decorado com os mesmos itens que faziam parte do espaço em Cachoeira do Sul. As porcelanas, móveis e outras antiguidades que estão nas paredes do lugar são da família de Renata. A ideia é, justamente, criar uma atmosfera de casa de avó. "Além do ambiente parecer casa de avó, os bolinhos são caseiros, tudo que vendemos é feito aqui pelas confeiteiras. Tudo bem caseiro", explica Renata.
A família já tinha morado em Porto Alegre e resolveu voltar a Capital em 2020. A pandemia não impediu que o plano fosse concretizado. Assim, o espaço de Cachoeira ficou operando nos últimos meses somente com retirada, para que a mobília e decoração fosse transferida para a nova unidade. Segundo Renata, o maior desafio da mudança é conquistar novamente a clientela. "Não tem sido fácil. Éramos acostumados com casa lotada, com bastante movimento. Inclusive na pandemia, tinha fila na rua para retirar. Aqui estamos engatinhando", pondera Renata, que contratou uma publicitária para fortalecer a presença do negócio nas redes sociais. Os vizinhos do bairro Rio Branco também estão ajudando nesse processo. "Os vizinhos são muito queridos, ajudam a divulgar. Pela manhã, tem gente que vem e tira foto dos doces para colocar no grupo do condomínio", revela.
Os bolos têm cinco opções de tamanho: no pote, mini, pequeno, médio e grande, sendo o último vendido somente por encomenda. As opções tradicionais vão de R$ 10,00 até R$ 23,00. Os especiais e integrais partem de R$ 12,00. "O bolo de nozes, laranja e iogurte é o preferido, tanto lá quanto aqui em Porto Alegre", garante Renata. Aliás, o público de Cachoeira do Sul não deixou de degustar os quitutes, mesmo com a mudança de endereço. "Teve um dia que todos os clientes que estavam aqui dentro eram de Cachoeira. As pessoas de lá ajudam muito a divulgar para os amigos que têm aqui e continuam prestigiando. Na sexta-feira, é o dia que vendemos bolo para o pessoal que vai para lá", conta.
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