Marina Mendonça

Não sabemos o tamanho do impacto e nem mesmo seus efeitos nesses atores sociais

Como anda a saúde mental dos empreendedores em tempos de crise?

Marina Mendonça

Não sabemos o tamanho do impacto e nem mesmo seus efeitos nesses atores sociais

A saúde mental das pessoas tem ganhado destaque como peça fundamental e elemento estratégico nos debates sobre o contexto pós-pandemia. Logo que a crise se instaurou, além de nos orientar sobre estratégias de enfrentamento, a Organização Mundial de Saúde (OMS) vem, repetidamente, expressando sua preocupação sobre os efeitos psicológicos que a Covid-19 causará na população. E isso porque o vírus instalou o medo e a insegurança de uma maneira agressiva e repentina, nos colocando diante de um cenário de incertezas, grandes perdas e enormes riscos. Aí nos perguntamos: "E os empreendedores? Como estariam lidando com os desafios da pandemia?". Nossa preocupação recai mais fortemente sobre os empreendedores, pois os acompanhamos de perto e notamos que o cenário atual gerou consequências bem particulares para eles. No entanto, não sabemos o tamanho do impacto e nem mesmo seus efeitos na saúde mental desses atores sociais.

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A saúde mental das pessoas tem ganhado destaque como peça fundamental e elemento estratégico nos debates sobre o contexto pós-pandemia. Logo que a crise se instaurou, além de nos orientar sobre estratégias de enfrentamento, a Organização Mundial de Saúde (OMS) vem, repetidamente, expressando sua preocupação sobre os efeitos psicológicos que a Covid-19 causará na população. E isso porque o vírus instalou o medo e a insegurança de uma maneira agressiva e repentina, nos colocando diante de um cenário de incertezas, grandes perdas e enormes riscos. Aí nos perguntamos: "E os empreendedores? Como estariam lidando com os desafios da pandemia?". Nossa preocupação recai mais fortemente sobre os empreendedores, pois os acompanhamos de perto e notamos que o cenário atual gerou consequências bem particulares para eles. No entanto, não sabemos o tamanho do impacto e nem mesmo seus efeitos na saúde mental desses atores sociais.
Há algum tempo, nós, da Troposlab (por sermos uma empresa de inovação e educação empreendedora), temos nos dedicado, sistematicamente, a compreender os aspectos psicológicos e comportamentais do empreendedor. Por isso, investimos em pesquisas científicas que possam gerar conhecimentos relacionados ao empreendedor e, também, sobre seus processos de desenvolvimento. Acreditamos, de forma enfática, que a ciência e o empreendedorismo podem caminhar juntos e que essa combinação é o que gera as mudanças mais profundas em uma sociedade. E foi exatamente no cenário de pandemia que, em nova parceria com a UFMG, nos propusemos a realizar uma pesquisa para entender melhor quais seriam os efeitos da crise na saúde mental dos empreendedores brasileiros, com vistas a desenvolver formas de apoiá-los a partir dos resultados encontrados. É uma verdade que o empreendedor passa boa parte de sua vida sob condições extremas de incertezas e riscos constantes, vive seguidas transformações e, para sobreviver, enfrenta intensas pressões de todos os tipos. No entanto, pouco sabemos sobre os efeitos dessas condições em seu estado psicológico ao longo do tempo. E até mesmo se os empreendedores (numa hipótese bem otimista) estariam mais bem preparados para lidar com situações extremas de mudanças, tal qual nos apresenta o cenário atual, uma vez que, muito provavelmente, já vivenciaram crises semelhantes em seu percurso.
Para demonstrar a relevância de olharmos cuidadosamente para o empreendedor, poderíamos passar por alguns aspectos que já conhecemos bem e que já estão sendo bastante discutidos para a população geral. Encontramos algumas reflexões feitas por Sandro Galea, reitor da Escola de Saúde Pública de Boston e, também, estimativas da OMS. Galea sugere que haverá uma avalanche de transtornos de humor e de ansiedade nos próximos meses e anos em todo o mundo, tais como depressão, ansiedade, estresse pós-traumático, além do aumento do consumo de álcool e da violência machista. A OMS estima que uma em cada cinco pessoas terá um distúrbio mental, duas vezes mais que em circunstâncias normais.
Contudo, independentemente do momento de pandemia, a discussão sobre saúde mental no trabalho se fez bastante importante e não começou agora com a crise provocada pelo coronavírus. Vários especialistas estão interessados em entender o papel do trabalho no bem-estar das pessoas, mas também em como as relações e as condições nos afetam psicologicamente.
Não sabemos ainda como está a saúde mental dos empreendedores, mas precisamos saber. Precisamos entender melhor como eles estão respondendo a esse momento, como estão se sentindo, e de quais estratégias estão lançando mão. É muito importante que possamos compreender mais qual o estado atual, pois esse é um fator que pode gerar impactos profundos para nossa sociedade. Os dados gerados pela pesquisa poderão servir de base para se construir estratégias que sejam específicas à realidade de vida do empreendedor, além de cientificamente embasados.
 

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