Isadora Jacoby

A artesã participou da live do GeraçãoE e compartilhou sua trajetória no empreendedorismo

Artesã Lu Gasttal diz que trabalho manual pode salvar pessoas com dificuldades financeiras na pandemia

Isadora Jacoby

A artesã participou da live do GeraçãoE e compartilhou sua trajetória no empreendedorismo

O fazer manual nem sempre foi visto como um negócio. Lu Gasttal, 49 anos, artesã e colunista das revistas Vida Simples, Manequim e do programa da Rede Globo É de Casa, conta que, quando decidiu empreender com artesanato há 10 anos, sofreu muitos preconceitos por fazer essa escolha. Advogada, a decisão veio após 15 anos de atuação na área. "Me dei conta que o artesanal era muito mais potente na minha vida. Era o que realmente fazia meu olho brilhar", contou Lu, durante a live do GeraçãoE desta semana. 

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O fazer manual nem sempre foi visto como um negócio. Lu Gasttal, 49 anos, artesã e colunista das revistas Vida Simples, Manequim e do programa da Rede Globo É de Casa, conta que, quando decidiu empreender com artesanato há 10 anos, sofreu muitos preconceitos por fazer essa escolha. Advogada, a decisão veio após 15 anos de atuação na área. "Me dei conta que o artesanal era muito mais potente na minha vida. Era o que realmente fazia meu olho brilhar", contou Lu, durante a live do GeraçãoE desta semana. 
Diariamente, ela compartilha pelas redes sociais dicas e inspirações sobre seus trabalhos manuais. No Instagram (@lugastal), são mais de 90 mil pessoas que acompanham a trajetória da artesã. Lu pondera que, apesar de considerar um privilégio trabalhar com o que ama, todo trabalho exige dedicação, e essa percepção, por vezes, é negligenciada no trabalho manual. "O fazer à mão, o processo artesanal, é um trabalho como qualquer outro. Muitas vezes, as pessoas olham no meu feed e dizem ‘ah, a Lu tem dias incríveis, vive num mundo colorido’. Mas é um trabalho como qualquer outro: tem perrengue, tem prazo, tem boleto, tem compromisso. Tem tudo. É como ser médico, ser dentista, produtor de vídeo: todas as atividades hoje assumem uma importância muito igual. E, nesse momento da pandemia, conseguimos ver isso de uma forma mais potente", acredita Lu, já que muitas pessoas tiveram de encontrar outra atividade e fonte de renda durante a pandemia, e muitas optaram pelos trabalhos manuais. "Sou uma defensora muito fiel de que, em tempos digitais, devemos manter aquelas ações manuais e analógicas. De repente, em função da pandemia, as pessoas pararam para ver o que realmente as conectam com as suas histórias, que são coisas analógicas. Logicamente, o virtual não pode ser ignorado, ele tem um papel muito fundamental nesse momento. Se não fosse o virtual não nos conectaríamos", afirma Lu. 
O contexto da pandemia, para ela, reforçou a importância do fazer manual e de dominar alguma técnica. Lu conta que percebeu muitas amigas e seguidoras transformando seus passatempos, como cozinhar ou fazer um tricô, em negócio. "Temos nossos preconceitos de achar que uma profissão é mais conceituada que a outra. Quando, hoje, vemos que os trabalhos manuais estão salvando as pessoas de uma série de dificuldades, seja emocional ou financeira. Quem hoje sabe fazer alguma coisa está salvo, vai dar um jeito", acredita. 
A artesã afirma que uma das partes mais difíceis de transformar o passatempo em negócio é a precificação, já que cada peça leva muito tempo para ser feita. A dica da Lu é colocar na ponta do lápis quanto se deseja ganhar a partir daquela atividade e quantas horas se quer trabalhar na execução. O resultado dessa equação é o valor que deve ser agregado no produto. Ela reforça, ainda, que é preciso entender que os itens feitos à mão não fazem parte do mesmo mercado de peças industriais. "A pessoa que trabalha com o fazer manual não vai conseguir concorrer com o preço de um produto chinês, que é feito em larga escala", expõe. 
Para manter a criatividade em dia mesmo frente a dias tão turbulentos, Lu acredita que é preciso tratar a inspiração como um processo. "Se eu não estiver disposta a me inspirar, não vai acontecer. A inspiração é um exercício, uma atividade. Tem de ser desenvolvida e treinada", afirma. Lu destaca, ainda, a importância das conexões em todos os segmentos, inclusive no artesanato. "Estar disponível é uma coisa muito forte. Muitas das oportunidades que eu tive de levar o trabalho artesanal, de conversar com as pessoas, não tinham um retorno comercial, mas tinham um retorno emocional. Muitas vezes, o que é feito hoje não tem um reflexo imediato. É a plantação e esperar a colheita."
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Isadora Jacoby - repórter do GeraçãoE

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