Mauro Belo Schneider Vitorya Paulo

Com pessoas perdendo o emprego ou tendo de remodelar suas carreiras, é hora de lembrar de outros talentos

Como colocar o plano B em prática

Mauro Belo Schneider Vitorya Paulo

Com pessoas perdendo o emprego ou tendo de remodelar suas carreiras, é hora de lembrar de outros talentos

Muito tem se falado que passarão imunes à quarentena as pessoas que melhor souberem administrar um plano B. Ou seja, aquelas que perderam suas referências de trabalho ou do formato como o desempenhavam e que, mesmo assim, acharam um jeito de continuar se sustentando. Ter que se reinventar parece algo assustador para alguns, porém quem já enfrentou outras crises na vida garante que os novos caminhos podem ser mais recompensadores que os trilhados anteriormente.

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Muito tem se falado que passarão imunes à quarentena as pessoas que melhor souberem administrar um plano B. Ou seja, aquelas que perderam suas referências de trabalho ou do formato como o desempenhavam e que, mesmo assim, acharam um jeito de continuar se sustentando. Ter que se reinventar parece algo assustador para alguns, porém quem já enfrentou outras crises na vida garante que os novos caminhos podem ser mais recompensadores que os trilhados anteriormente.
Luciana Salazar, 39 anos, de Porto Alegre, teve de buscar um plano B em 2018, quando encerrou seu ciclo no mercado formal de trabalho, no qual atuou por 13 anos como bancária. A resposta sobre o que fazer a partir daquele momento veio de uma reflexão de como as pessoas a enxergavam.
"Todos, sem exceção, diziam que observavam na minha persona a forma como eu me vestia, a facilidade de combinações de cores e composições de roupas. De como eu conseguia usar a mesma peça em todas as estações do ano, sempre parecendo nova. Foi aí que, internamente, respondi algumas perguntas que me foram feitas na transição profissional, como 'no que eu me sinto feliz realizando?', 'o que estou apta a entregar às pessoas?', 'que talento eu tenho?', 'no que me destaco?' e 'qual é o meu dom?'. Minha resposta era sempre a mesma: roupa, roupa e roupa", conta a empreendedora, que é formada em Direito e que, agora, administra a loja que criou no Instagram, a @lusalazarcloset.
Luciana diz que o período de deixar a zona de conforto é delicado e cheio de incertezas, mas a rede de apoio ajuda. Além disso, ela destaca ser importante dedicar tempo e usar parte das reservas financeiras para colocar o plano B em ação. "O que não podemos é ficar paralisados por medo e insegurança. As realizações mais importantes da vida são acompanhadas do medo. Acredite no seu potencial e diferencial. Estudar é fundamental para sair do óbvio e entregar o algo a mais à sua clientela", sugere.
A Lu Salazar Closet, hoje, tem cerca de 8 mil seguidores nas redes e envia os produtos para o Brasil e para o exterior. Além das vendas de marcas nacionais, um dos serviços é a Consultoria de Estilo. "Quando a cliente escolhe a opção da Malinha Personalizada, recebe composições de looks cuidadosamente estudados conforme o seu perfil e silhueta. Por essa personalização, mais de 80% das nossas vendas vêm de clientes recorrentes", detalha ela, que fatura 30% a menos do salário que tinha.

Venda de empadas vira saída durante a pandemia

Muitas pessoas estão tendo de apelar para o plano B agora, em meio à pandemia do coronavírus. O que elas têm em comum é a oportunidade de trazer à tona talentos que estavam adormecidos.
É o caso da fotógrafa Alexandra Silveira, 23 anos, que, ao lado de sua mãe, Elisete Guimarães Silveira, 44, iniciou uma empreitada no ramo da gastronomia: a Empadoca - Empadas Artesanais (@empadoca_artesanais). Sempre ligadas ao ramo de eventos, mãe e filha perceberam que o setor seria o último a voltar à normalidade após a Covid-19, dada a cautela que se criou com a aglomeração de pessoas.
O funcionamento da empresa de Elisete, a Central de Eventos - que realizava formaturas, casamentos e festejos em geral -, foi prejudicado. Assim, elas viram na cozinha uma forma de manter a renda da família.
"Eu vendia empadinhas no Ensino Médio, e elas faziam sucesso. Decidi resgatar a receita e fazer um teste com meus amigos", conta Alexandra.
Com 20 sabores de empadinhas, elas decidiram incorporar ao cardápio, também, pães tradicionais e recheados, além do empadão tamanho família, que rende oito fatias. "Já vendemos umas 200 empadinhas e uns 40 empadões", diz a fotógrafa. Além das iguarias salgadas, elas abriram espaço para as doces: bolos e cucas podem ser encomendados.
Como são de Gravataí, as encomendas para Porto Alegre são entregues em dois dias na semana, nas terças e sextas-feiras, agendadas até as 20h do dia anterior. Na cidade natal, há entregas todos os dias.
A empreitada, que está crescendo, conta com o auxílio do padrasto de Alexandra, Josimar Coelho de Mello, 46. O trio conta que os pedidos também começam a chegar de Canoas e Viamão.
Os detalhes para cada local são descritos no perfil do Instagram da Empadoca, gerenciado por Alexandra. "A mãe toma a frente da cozinha, e eu fico na parte administrativa, cuidando mais dos pedidos", expõe.
Parte do gerenciamento de redes é produzir fotos dos produtos para atrair mais clientes. Isso, inclusive, revelou uma nova faceta para Alexandra. "Eu não trabalhava com foto de gastronomia. Estou descobrindo esse ramo e até já recebi propostas para trabalhos nessa área", afirma.
Antes da pandemia, o foco da profissional eram as festas e o ramo imobiliário, já tendo atuado em empresas como a startup Quinto Andar e a Conecta. "Estou aproveitando meu trabalho para a divulgação. O que eu estudei, não vou perder", destaca.
Para o futuro, Alexandra já tem planos de expandir o cardápio com minicafés coloniais. "Amamos coisas caseiras", conta. Mesmo com pouco tempo de negócio, ela já sonha com passos maiores, como alugar uma cozinha só para produzir os itens em maior escala. "É um sonho", diz. Um plano B que pode virar A. 
 

Adversidades devem fazer parte do planejamento

Bárbara Graziela, que empreende com Rafael Barbieri na produtora de Porto Alegre Casa da Janela e no perfil @15coisaboa, diz que ter um plano B e um plano C deve estar no radar de qualquer pessoa ao longo da vida. Ela fez a afirmação durante uma live do GeraçãoE, enquanto refletia os efeitos da pandemia na rotina das pessoas.
"Faço uma planilha para ter a sensação de segurança. E se a gente não conseguir trabalho? Se os clientes não estão te acenando possibilidades? De onde se tira recurso? Em que momento aciono um banco?", questiona ela, sobre reflexões que os empreendedores devem fazer constantemente.
Bárbara ressalta que não se pode deixar para pensar no plano B quando não se tem mais nada do plano A. "Senão tu começas a queimar tua imagem, a baixar preço e dizer para a clientela vir de qualquer jeito. O dinheiro acaba virando a coisa mais importante do mundo", alerta. O resultado é a perda do equilíbrio, tanto pessoal quanto profissional.
 

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