Fernando Silveira
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O coronavírus e a cultura nômade

Fernando Silveira

Estilo não pode ser visto como uma imposição, diz especialista

O coronavírus e a cultura nômade

Fernando Silveira

Estilo não pode ser visto como uma imposição, diz especialista

Os impactos do novo coronavírus vão além da saúde. Com a confirmação de milhares de casos no Brasil, a pandemia está forçando empresas a alterarem seu modelo de trabalho, adotando o home office de um dia para o outro. Muitas vezes, o processo tem sido traumático, já que não estavam prontas para esse cenário.
Com a Covid-19, ocorreu na China a maior experiência de trabalho remoto da humanidade. E, recentemente, alagamentos que atingiram São Paulo impossibilitaram muitos profissionais de se deslocar aos escritórios. Ambos os ensaios não foram bem-sucedidos.
O motivo: falta de preparo das organizações e de uma transição adequada para esse novo sistema. As principais dificuldades estão em estabelecer uma rotina fora do ambiente padrão de trabalho e em coordenar as atividades dos colaboradores sem estarem num mesmo espaço físico. A soma desses fatores resultou em ineficiência e baixa produtividade.
É cedo para avaliar os efeitos dessa nova realidade empreendida lá e aqui. Mas é inegável que trará consequências - boas ou más - para o dia a dia de tantos profissionais moldados a cumprir horários e a estarem presentes fisicamente.
Por tudo isso, a cultura nômade não pode ser vista como uma imposição de catástrofes. É, isto sim, a exigência de um novo tempo.
Deve ser trazida para a rotina de empresas, sob pena de ficarem desconectadas das novas demandas do mercado e despreparadas frente a um cenário de dificuldades.
Prova deste novo momento são corporações estruturadas que incrementaram às suas rotinas o home office. E, com isso, vêm colhendo frutos. É o caso da portuguesa Farfetch. Por lá, os índices de satisfação dos colaboradores e os resultados são altíssimos. Não à toa, tornou-se uma das principais companhias europeias.
O trabalho remoto precisa ser encarado como parte da realidade organizacional, com ações voltadas a manter a integração entre os profissionais. Com mais maturidade, organizações com sedes espalhadas pelo país e no exterior possuem câmeras por todos os lados - o que amplia o monitoramento e a sensação de proximidade. Videochamadas entre funcionários e com clientes, com o máximo cuidado à qualidade de áudio e imagem, são frequentes.
Processos que possibilitam a efetiva participação de pessoas à distância em sua rotina devem ser implementados, com softwares de gestão e compartilhamento de informações. Nesse contexto, as ferramentas de trabalho têm de migrar para a cloud, permitindo o acesso de qualquer lugar - seja do notebook, smartphone ou tablet. Tais medidas integram uma solução definitiva para conectar aqueles que estão fisicamente distantes.
Novos fluxos, processos e sistemas devem estar disponíveis para enfrentarmos as obrigações trazidas pela transformação digital. Porém, mais do que tecnologia, os empecilhos para uma mudança irreversível estão na cultura organizacional. É hora, portanto, de mudarmos nosso mindset e nos adaptarmos a essa nova realidade que se avizinha. Antes que seja tarde.
 
Fernando Silveira
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