Vitorya Paulo

Moeda do Bem está promovendo projeto para auxiliar a comunidade do Morro da Cruz

Startup reúne doações para combater efeitos da pandemia

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Moeda do Bem está promovendo projeto para auxiliar a comunidade do Morro da Cruz

"A inovação torna mesmo a vida de todo mundo melhor? Como ela poderia estar a serviço das pessoas?" Foi com essas questões em mente que os engenheiros civis Adriano Panazzolo e Daniela Cordeiro criaram a Moeda do Bem, startup focada em empreendedorismo social.

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"A inovação torna mesmo a vida de todo mundo melhor? Como ela poderia estar a serviço das pessoas?" Foi com essas questões em mente que os engenheiros civis Adriano Panazzolo e Daniela Cordeiro criaram a Moeda do Bem, startup focada em empreendedorismo social.
Atuando na empresa Serviços Técnicos de Engenharia S.A (STE), através do hub de inovação Hubittat, eles lançaram uma iniciativa para apoiar a comunidade Morro da Cruz, em Porto Alegre, durante a pandemia de coronavírus. Com a ação "Que a solidariedade contagie mais que o vírus", a iniciativa está recolhendo doações em dinheiro para compra de alimentos, remédios e produtos de limpeza e higiene pessoal através do site www.moedadobem.com.br. Confira detalhes do projeto, que já arrecadou quase R$ 55 mil.
GeraçãoE - Qual a história da Moeda do Bem?
Adriano Panazzolo - A nossa inspiração para nos engajarmos no movimento de empreendedorismo social surgiu em abril de 2017, quando estivemos no primeiro evento da StartSe no Brasil, o Silicon Valley Conference. Naquela ocasião, ficamos muito empolgados com a Nova Economia e ali entendemos que nosso propósito seria utilizar os recursos tecnológicos para impactar positivamente a vida de pessoas que, possivelmente, não viviam a realidade e usufruíam do universo da inovação. Então, decidimos fundar uma startup atuando como negócio social, ou seja, autossustentável. Assim, nasceu a Moeda do Bem.
GE - Como foi a idealização da plataforma?
Adriano - A primeira parte do projeto consistiu em realizar uma pesquisa com a população moradora do Morro, por meio de link enviado por aplicativo de mensagens para o celular de um representante de cada família. Ao responder, obtivemos a geolocalização do morador, dado importante para planejamento das etapas seguintes. Ao finalizar o questionário, os dados (geolocalização, número de pessoas na moradia, atividade de sustento, necessidade mais urgente, entre outros) foram enviados diretamente para um servidor e analisados por meio de inteligência artificial. Até o momento, mais de 400 famílias responderam a pesquisa, contabilizando cerca de 1,7 mil moradores. Ao acessar o site, é possível visualizar todas as informações coletadas e realizar as doações. Com o auxílio do Coletivo Autônomo Morro da Cruz, identificamos os comerciantes locais que poderiam atender à demanda de produção das cestas básicas. A partir dos endereços, planejamos a logística de entrega às famílias.
GE - Qual é a importância do empreendedorismo social?
Daniella Cordeiro - Principalmente em momentos de crise, como o que estamos vivendo, é fundamental pensarmos de maneira sistêmica. Nós, por exemplo, ouvimos a população para saber suas reais necessidades em vez de achar que sabemos o que ela precisa. Decidimos também comprar as cestas básicas, preferencialmente, de comerciantes locais, para fazer o recurso circular na comunidade apoiada. Como princípio, o objetivo do empreendedorismo social é gerar transformação nas comunidades em que estão inseridas, e é isso o que buscamos fazer.
GE - Quais outras ações nesse nicho você destaca?
Adriano - Existem muitos exemplos de negócios sociais. Destacamos o pai do empreendedorismo social e vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2006, Muhammad Yunus. Ele foi o fundador do Grameen Bank e de outras 50 empresas em Bangladesh, a maior parte delas como negócios sociais. O professor Yunus começou a fazer experiências com o fornecimento de pequenos empréstimos para os pobres sem as garantias e exigências tradicionais dos bancos comerciais. O projeto foi chamado de Grameen Bank e, mais tarde, tornou-se um banco oficial para fornecer empréstimos aos pobres, principalmente mulheres na zona rural de Bangladesh. Hoje, o Grameen Bank tem mais de 8,4 milhões de mutuários, 97% dos quais são mulheres, e desembolsa mais de US$ 1,5 bilhão por ano.
GE - Como a sociedade pode contribuir para melhorar a situação frente ao coronavírus?
Daniella - A sociedade precisa se conscientizar de que cada um tem potencial de transformar a realidade à sua volta. A sugestão que damos na Moeda do Bem é que as pessoas procurem apoiar projetos que têm a ver com o que elas acreditam, que já fazem diferença na vida de pessoas, mas que sempre precisam de ajuda para continuarem transformando os desafios em oportunidades. Com a pandemia, podemos visualizar melhor o impacto da interconectividade, da necessidade de empatia e do trabalho em rede. Este é um bom momento para cada um de nós pensarmos como podemos, cada um com sua habilidade, influenciarmos positivamente na sociedade como um todo.
GE - Como a Moeda do Bem pode inspirar outros negócios?
Adriano - A Moeda do Bem iniciou com a descoberta de um propósito comum aos dois fundadores. E, ao compartilharmos nosso sonho com outras pessoas, mais gente se juntou a nós. Hoje, temos como parceiros outras startups, empresas e diversas pessoas. Tem sido uma construção a muitas mãos, pois acreditamos que, quando unimos forças, conseguimos encontrar soluções muito melhores. Esperamos que essa experiência possa inspirar a criação de novos negócios focados na transformação social.
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Vitorya Paulo - repórter do GeraçãoE

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