Isadora Jacoby

William Weber dá dicas de como manter o negócio vivo em meio à crise da Covid-19

'Vender lenços nesse caminho é desumano', afirma especialista sobre o coronavírus

Isadora Jacoby

William Weber dá dicas de como manter o negócio vivo em meio à crise da Covid-19

Os decretos e orientações acerca do funcionamento de empresas em virtude do novo coronavírus provocam dúvidas sobre a continuidade dos negócios. Nos mais diversos segmentos, as portas fechadas dos espaços físicos fizeram com que empreendedores e empreendedoras mudassem as suas rotinas, encontrando formas de continuar operando.

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Os decretos e orientações acerca do funcionamento de empresas em virtude do novo coronavírus provocam dúvidas sobre a continuidade dos negócios. Nos mais diversos segmentos, as portas fechadas dos espaços físicos fizeram com que empreendedores e empreendedoras mudassem as suas rotinas, encontrando formas de continuar operando.
Especialista em empreendedorismo e experiência do consumidor, William Weber acredita que o primeiro passo para enfrentar a crise é entender se é necessário continuar faturando ou apenas existindo enquanto perdurarem as restrições de operação. "A primeira pergunta que tenho que fazer é se devo ou não seguir operando e quais as minhas restrições em relação a fazer isso de maneira segura, porque qualquer ponto que eu esteja fazendo além do que posso ou que, por algum detalhe, não soe bem na cabeça do meu consumidor, vou estar criando uma imagem negativa futura da minha empresa quando tudo voltar ao normal", pontua. O especialista acredita que a imagem do cliente em relação à empresa é o que vai garantir a continuidade do negócio. "Quem vai passar por essa crise com segurança é quem conseguir colocar a sua imagem na cabeça do seu consumidor de uma maneira positiva. Quem for esquecido vai ter trabalho para voltar e quem criar uma imagem negativa vai ter muito mais trabalho e vai ser muito mais difícil superar", acredita William, elencando alguns pontos que os empreendedores devem ficar atentos neste momento. 

1. Mantenha o cliente informado 

As mudanças na operação devem ser informadas para os clientes. "Só temos uma regra: precisamos ficar em casa. E isso gera muita dúvida: será que se eu for na padaria terá pão? Se eu precisar comprar algum medicamento, ele vai existir? A melhor forma para o empreendedor se precaver é ele conseguir imaginar as dúvidas que o cliente tem e se antecipar, já mandando mensagem no WhatsApp e postando recados nas redes sociais. Sempre precisamos gerar experiências positivas. Isso significa que a realidade entregue para o cliente tem que ser sempre superior ao que ele imaginou. E quando meu cliente está em dúvida, preciso ser o mais claro e me antecipar para continuar superando expectativa", salienta. 

2. Conheça a sua situação financeira 

Muitas empresas têm pouco planejamento financeiro e acabam "vendendo o almoço para pagar o jantar", afirma William. Neste momento em que não se sabe quando as atividades serão normalizadas, é muito importante que o empreendedor se aproprie da real situação de seu negócio. "A palavra é antecipação. Começar a negociar com os bancos, com os credores o que pode ser feito para que se postergue dívidas. Se a empresa não tem dívidas, é a hora de começar a escolher os pagamentos. Tem que optar por pagamentos que façam a economia continuar girando. Por exemplo, pagar autônomos, pequenos fornecedores", pontua William, que indica a leitura de Os Axiomas de Zurique, de Max Gunther. "Neste livro, tem uma máxima que é a seguinte: quanto antes você realizar o seu prejuízo, antes obterá lucro. As empresas, hoje, precisam pensar em realizar o seu prejuízo o quanto antes, vender seus estoques para pagar custos, minimizar todos os tipos de perdas e aceitar os prejuízos que venham a ter para se prepararem para ter lucro daqui alguns dias. Quando essas pessoas que estão dentro de casa voltarem a consumir, quem ficou na cabeça dos clientes vai ter esse primeiro dinheiro que vai circular no mercado", afirma.  

3. Não é a hora de vender lenços 

O famoso ditado diz que, em uma crise, há quem chore e há quem venda lenços. O especialista alerta que é preciso ter muito cuidado para não soar como oportunista neste momento. "'Tem gente perdendo a vida e esse cara está preocupado com dinheiro'. Isso é muito do que estamos ouvindo. A pessoa que se identificar dessa forma não vai perder clientes agora, mas perderá no médio e longo prazo. A estratégia para continuar lucrando é investir em compra recorrente, como clubes de assinaturas, para que tenha uma projeção de faturamento futuro. Outro ponto é tentar diminuir a margem de lucro para continuar funcionando e fazendo a roda girar", diz William, ponderando que o momento é de cautela. "Não dá para acreditar que, em uma crise dessa, uns choram e outros vendem lenços. Muita gente vai chorar e vender lenços nesse caminho é desumano. Não é o caminho certo. Temos que saber como passar com menos machucados possíveis por ele", complementa. 

4. Permaneça próximo do seu cliente

Muitos negócios, em virtude do segmento ou modelo de operação, não podem seguir funcionando. Mesmo sem poder ofertar o produto ou serviço, é preciso preservar a relação com os consumidores. "Caso não seja possível continuar operando, o jeito é buscar um espaço na cabeça do cliente. Tem que aproveitar da sua expertise. Se você vende carros, pode ensinar como higienizar o veículo para manter a segurança. É hora de fazer uma comunicação que seja baseada na ideia de segurança, de limpeza, de saúde, mas que seja diferente do que a grande mídia fala, porque aí você estará criando uma comunidade sua", expõe.

5. Depois da tempestade 

Apesar de não ser possível mensurar os impactos e prever o término da crise instaurada pela Covid-19, William acredita que já se pode extrair lições que ficarão para os empreendedores quando tudo voltar à normalidade. "Vamos ter uma grande lição de endomarketing, porque é preciso ter um time muito forte para passar por isso. Se eu tiver uma equipe desengajada, as pedras no caminho serão maiores ainda. O empregador precisa contar com a equipe como principal ativo da empresa. Falamos em criar experiências memoráveis para os clientes, mas é a hora do empregador ver que ele também precisa criar experiências e fazer coisas incríveis para os seus funcionários, porque é com eles que podemos contar quando tudo dá errado."
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Isadora Jacoby - repórter do GeraçãoE

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