Vitorya Paulo

Empreendedores do ramo aproveitam o verão para desenvolver produtos e alavancar vendas

A alta temporada da moda praia

Vitorya Paulo

Empreendedores do ramo aproveitam o verão para desenvolver produtos e alavancar vendas

Nos últimos anos, com o avanço da internet, o sentimento de pertencimento a determinados nichos cresceu de maneira exponencial. Naturalmente, o mercado entendeu esses movimentos e, pouco a pouco, se adaptou às novas demandas. Hoje, aqueles que se sentiam excluídos podem encontrar produtos desenvolvidos, literalmente, sob medida.

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Nos últimos anos, com o avanço da internet, o sentimento de pertencimento a determinados nichos cresceu de maneira exponencial. Naturalmente, o mercado entendeu esses movimentos e, pouco a pouco, se adaptou às novas demandas. Hoje, aqueles que se sentiam excluídos podem encontrar produtos desenvolvidos, literalmente, sob medida.
Esse é o caso das mulheres plus size, que, especialmente no verão, encontram dificuldades para achar um biquíni ou um maiô estiloso e confortável. Foi a partir dessa deficiência do mercado que Catherine Battisti de Paula, 31 anos, fundou a Feminina Plus Size, marca de artigos de praia e fitness.
Com cerca de 80 mil seguidores no Instagram, o negócio nasceu em 2016, fruto do espírito empreendedor de Catherine e do marido, Ricardo Rael Candido, 34, seu sócio. "Ele apostava no meu sonho, então resolvi deixar de lado a minha profissão e investir na Feminina", conta a publicitária.
A formação da empreendedora, aliás, trouxe conhecimentos e experiências na área do e-commerce e das vendas que agregaram ao desenvolvimento da empreitada.
Convencida de que precisava ter um negócio para chamar de seu, Catherine passou a estudar modelagem e demais aspectos técnicos da confecção de roupas em 2015, focada nas peças grandes. "Um ano depois, sentíamos que estávamos aptos a lançar para o mercado", lembra. Com a ajuda do irmão, que é desenvolvedor de software, o site da marca foi criado. Para ilustrar as mercadorias, uma modelo foi contratada. Tudo isso gerou um investimento inicial de R$ 20 mil.
Segundo Catherine, atualmente, o Sudeste é a região que mais consome as suas roupas. A primeira cliente, lembra, era de Minas Gerais e apostou na Feminina no dia do lançamento. "Ela provou, postou uma foto, e outras mulheres gostaram."
Esse processo é valioso, opina a empreendedora, pois dissemina a marca de forma orgânica e natural. "As fotos do nosso feed são quase todas de clientes", pontua.
Essa é uma preocupação constante de Catherine: fazer com que as mulheres se sintam representadas pela Feminina. Para conquistar esse patamar, a marca já contou com a ajuda de modelos brasileiras famosas, como Jéssica Lopes e Thais Carla, que faz parte do ballet da cantora Anitta. Ambas usaram peças e postaram fotos nos seus perfis. "As influenciadoras são muito importantes, principalmente para negócios como o meu", entende.
O crescimento é gradual, afirma Catherine. "Uma empresa com base realista, que se sustenta", descreve. Visando atingir um público maior, ela afirma que mantém os preços competitivos: os maiôs, por exemplo, ficam na faixa de R$ 120,00 e R$ 149,90.
"É um valor com lucro, porém acessível", interpreta. Quem deseja adquirir as peças da Feminina, que vão do número 44 ao 62, pode encomendar pelo site ou diretamente pelo Instagram, com prazo de produção de oito dias úteis. "Estamos registrando 15 a 20 pedidos a cada dois dias", revela. E para quem precisa de tamanhos maiores, a confecção sob medida também é uma opção sem custos adicionais.
Apenas a costura das peças é terceirizada. No atelier, Catherine guarda os tecidos, faz os moldes, mede e corta as peças. Depois de prontas, a logística para entrega e envios é comandada por Ricardo. "Já exportamos para Flórida e Chicago", conta. O processo para enviar itens para fora do Brasil, para ela, era mistificado. "Mas não é um bicho de sete cabeças. Exportar me fez perceber que não há limites de distância."
Ciente de que o mercado plus size só cresce, Catherine afirma que a concorrência a motiva a continuar desenvolvendo produtos exclusivos. "Se você está sozinho, fica conformado. Por isso, o mercado não produzia mais opções."
Ela acredita, inclusive, que suas criações são como uma "armadura". "As clientes se sentem protegidas e lindas", orgulha-se. Plus size ou não, na praia ou na cidade, uma coisa é certa: o importante é se sentir bem consigo mesma.

Os homens também querem estampas e cores diferentes

A procura por itens de praia estilosos e confortáveis foi o pontapé para o casal Paulo Goulart, 42, e Martin Ariztizabal, 43, criar a Black Grillo. Focada em peças masculinas, a marca gaúcha fundada em 2017 supre a necessidade que ambos tinham em encontrar sungas com estampas coloridas e diferentes para aproveitar o verão. O perrengue, aliás, se confirmou ser comum para mais gente.
Foi na Argentina, país onde Paulo morou por 10 anos e no qual ele conheceu Martin, que a ideia de criar uma linha de beachwear masculina nasceu. Em 2011, já de volta ao Brasil, e com a expertise de Martin, que é formado em Moda, eles fizeram as primeiras sungas para veranear em Santa Catarina."As pessoas começaram a elogiar e perguntar onde tínhamos comprado", lembra Paulo.
Os sócios, então, perceberam que havia demanda. "Só encontrávamos sunga branca, cinza e preta, nunca um trabalho como os que fazem com os biquínis", afirma Paulo, que é formado em Marketing. Ao todo, eles desembolsaram cerca de R$ 15 mil para lançar o negócio.
Em parceria com amigos designers gráficos e têxteis, foram criadas as estampas que levam flores, listras e cores neon. "Desenvolvemos o briefing, e eles nos mandam o feedback", conta Martin, sobre o processo de criação das coleções. Essas parcerias formam uma rede e, segundo Paulo, são essenciais. "Um empresta o carro, outro consegue uma casa para a locação, os modelos são nossos amigos." E é um ciclo: os contatos adquiridos dessas produções são fundamentais para alavancar a marca. "Cada vez mais, Porto Alegre está nos conhecendo", pontua.
Por mais que o público que consome as peças seja majoritariamente de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT), os sócios afirmam que não levantam bandeiras específicas. "Na nossa época, não se abraçava ou andava de mão dada. Estamos indo devagar", ressalta Paulo. Essa postura se dá, também, pelo pouco tempo da empresa, que ainda testa o terreno. "Estamos desbravando o empreendedorismo", pontua.
A marca conta com três modelos de sunga, além dos shorts, que vão do P ao GG, e uma coleção "cápsula", como nomeiam, de biquínis e maiôs femininos. "Mas o nosso foco é o masculino." São sete cores e 10 estampas, frutos de duas coleções já lançadas. Dentro do catálogo, os clientes podem encontrar, ainda, peças de tecido biodegradável.
"Uma preocupação nossa é ser responsável com o meio ambiente, visto que a produção têxtil é uma das mais poluentes", afirma Martin.
As vendas da Black Grillo ocorrem pelo site para todo o País ou na Loja Colab (rua Coronel Lucas de Oliveira, nº 265, na Capital). Além disso, o e-commerce já possibilitou vendas para Portugal. Porém, o foco dos sócios é ser referência na moda praia masculina gaúcha.

Cangas personalizadas completam o look do verão

Depois de achar o biquíni, é hora de escolher a canga, o chapéu e a bolsa para veranear. Cintia Borges, 48, criadora da Cangas Beach Poa, aposta, justamente, na produção e na venda de acessórios.
O negócio surgiu em 2017, após algumas investidas frustradas. "Trabalhei 17 anos no ramo imobiliário e, quando saí, achei que em qualquer negócio iria ganhar dinheiro." Tentou o ramo de eventos, de beleza, de bicicletas e outros. Quando estava quase desistindo, a irmã de Cintia deu a ideia de investir nas cangas feitas à mão.
Com a ajuda do marido, Jair Manara, que Cintia chama de "principal investidor", ela comprou tecidos para fazer quatro cangas. "Como sempre acreditei na internet, logo fiz o perfil da marca e postei." Logo de saída, vendeu todos os produtos e ainda pegou outras duas encomendas.
O negócio foi ganhando espaço e, a partir da parceria com uma influenciadora de Canoas, deu um salto. "Fui de 300 seguidores para 1.250", conta. Em maio de 2019, Cintia abriu o próprio atelier, onde concentra a produção das peças.
O carro-chefe da marca é a canga personalizada, que vai de R$ 120,00 a R$ 135,00.

Para aproveitar a água em todos os momentos do mês

Desmistificar a menstruação na praia, na piscina ou no rio. Esse é o foco da linha de biquínis lançada em novembro de 2019 pela Herself, marca gaúcha de calcinhas menstruais. A coleção Olhares traz cores e estampas ao portfólio da marca, demanda solicitada pelas clientes ainda em 2018. Antes, só eram desenvolvidos itens de verão na cor preta, o que garantia controle de estoque das peças, que vão do tamanho 30 ao 60.
De acordo com uma das criadoras da Herself, Raíssa Kist, 25 anos, a nova linha tenta resgatar as lembranças de verão do interior do Estado, onde a praia é substituída pelos açudes e banhos de mangueira. "Ficamos pensando: como trazer estampas e cores e resgatar a brasilidade?", revela ela, que é natural de Santa Cruz do Sul.
Com a ajuda de uma consultoria especializada, os modelos foram pensados nas cores goiaba e pistache, estampas "abundante" e poá. Uma das peças foi desenvolvida para mulheres que amamentam. Tanto o amamentar quanto o menstruar, para Raíssa, ainda são grandes tabus da sociedade, principalmente aliados ao verão.
"Queremos trazer liberdade para mulheres e meninas. Elas não precisam deixar de aproveitar", afirma.

Loja lança linha de biquínis e maiôs com estampas africanas

A marca de moda africana Consone lançou, no início deste mês, uma nova linha praia. Segundo o criador da marca, Agossou Djosse Ignace Kokoye, conhecido como Kadi, 31, a linha foca em atender o público afro com exclusividade em todos os momentos, até no verão.
Em 2019, Kadi havia desenvolvido uma linha de moda praia. Porém, as peças eram de tecido de algodão, que não é propício à modalidade. "Demora para secar, não tem elasticidade e não fica bem em tamanhos grandes", avalia. Então, procurando atender todos os públicos, do P ao EGG, o criador fez parceria com um amigo arquiteto e designer, que formulou as estampas e as cores.
Como a produção de biquínis e maiôs precisa de um cuidado específico por serem peças menores, a preocupação era conseguir chegar em uma escala em que a estampa ficasse em evidência. Além disso, a linha conta o nome da marca impresso nas peças, inspiração vista em grifes internacionais, como Calvin Klein e Adidas.
"O mais importante é atender aos tamanhos maiores", afirma.
Com isso em mente, a divulgação das peças contou com a modelo plus size Luana Machado. "Ela não tinha vergonha de tirar as fotos, era a pessoa perfeita. Queríamos mostrar que não precisa ter insegurança."
Kadi afirma que, agora, o foco é expandir os horizontes da Consone e atrair mercados de fora do Rio Grande do Sul. Uma das estratégias é enviar peças para influenciadoras e famosas, com o intuito de divulgação para mais pessoas. "Queremos ser referência, fazer um monopólio de mercado de roupas afro", pontua.
A Consone tem loja física na Rua dos Andradas, nº 1.664, sala 503, no Centro Histórico de Porto Alegre. As vendas também ocorrem de forma on-line, por Instagram ou Facebook.
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Vitorya Paulo - repórter do GeraçãoE

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