Texto: Luka Pumes

Experiência internacional fez com que músico entendesse formas mais rentáveis de lidar com a arte

Músico usa conhecimento do mercado para empreender

Texto: Luka Pumes

Experiência internacional fez com que músico entendesse formas mais rentáveis de lidar com a arte

Ed Napoli, músico desde os 13 anos, teve uma escolha que classificou como "dolorosa, mas necessária". Depois de se dedicar aos palcos, começou a estudar suas relações inter e intrapessoais. Percebeu que vivia o modelo de artista, mas que necessitava viver o de homem de negócios.
"A gente pode ter várias atividades durante a rotina, mas há uma principal e é ela que dita o andamento das outras. O artista tem uma rotina diferente do homem de negócios. Pensar: 'se eu não dormir agora, amanhã não acordo cedo ou disposto o suficiente para fazer o que é necessário' é mais difícil do que parece. E isso é só o básico. Há muita coisa, inclusive a pressão de deixar a carreira em stand by", analisa Ed, sobre seu processo de mudança.
Ed cantou nos Estados Unidos, abriu o show de Alanis Morissette em Porto Alegre, foi considerado pela Billboard um dos principais compositores emergentes do mundo. Entender que deveria se afastar dos palcos, segundo ele, não foi um processo fácil.
"Tive que me entender psicologicamente, mentalmente, fisicamente. Me preparei, li muito, exercitei meu corpo para estar saudável. Se doeu um pouquinho? Bastante. Mas tu burlas isso com conhecimento", conta.
Os empreendimentos de Ed, no entanto, não se distanciam do mundo musical. A RadioSparx é um sistema que oferece música ambiente para academias, restaurantes, cafeterias, entre outros locais. O diferencial, revela o agora empresário, é que o músico independente pode assinar com a empresa e economizar de 50% até 90% em relação ao Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), associação privada que hoje é responsável pelo setor no País.
Além da RadioSparx, Ed comanda a MusicMatters, um guia para ensinar os músicos a rentabilizarem suas carreiras. Ele acredita que deva ser para os artistas contemporâneos alguém que não teve no seu tempo.
"Monetizar não é um fim, é um meio. A forma de entregar, de contribuir é o que nos satisfaz. O processo da música dá muita satisfação pessoal, mas muita dor quando não se vê o trabalho reconhecido, seja na questão de fama ou dinheiro. Obviamente, precisamos lucrar, mas a satisfação de contribuir para artistas emergentes é indescritível", considera.
"Cheguei a ter o gostinho de ter música na rádio, de abrir show internacional. Eu percebi que era efêmero. Mesmo quem consegue se manter no topo depois do boom, tem o psicológico abalado quando percebe que a atenção das pessoas já não é mais a mesma. Por isso, rola depressão e afins. Tem que entender que sobra o networking, o trabalho que tu podes fazer com o conhecimento da caminhada, o valor que tu deixaste no teu entorno e as músicas que são obras eternas", complementa.
Sobre frustração, Ed tem uma visão tanto para a música quanto para o empreendedorismo. "Propósito. É ter propósito. Aos poucos tu vais conseguir, temperando da tua forma. Adicionando entusiasmo, autoconhecimento, autoresponsabilização, autoentendimento. Pilares que reforcem a premissa que é o propósito."