Texto: Giana Milani

Amada Cozinha aposta no consumo de pratos harmonizados com produtos gaúchos

Empreendedoras consolidam restaurante de azeite em Caxias do Sul

Texto: Giana Milani

Amada Cozinha aposta no consumo de pratos harmonizados com produtos gaúchos

Na movimentada avenida Julio de Castilhos, em Caxias do Sul, uma casa da década de 1940 abriga um espaço de coworking na parte superior, o Colavoro Sanvitto, e no subsolo, um restaurante já consagrado na região, o Amada Cozinha, que inaugurou no novo endereço no início de julho. Comandado por Maria Beatriz Dal Pont e Carolina Dal Pont Branchi – mãe e filha -, o negócio começou em 2012 como serviço de eventos e abriu como espaço físico em 2017. O foco do empreendimento é valorizar o consumo do azeite gaúcho, por isso os pratos do cardápio foram elaborados para harmonizarem com o sabor da oliva, através da curadoria de Maria Beatriz, que é sommelier de azeite e já escreveu livros sobre o assunto.
“Minha mãe na técnica é maravilhosa para degustar e descobrir defeitos”, elogia Carolina, que é chef de cozinha e nutricionista. Ela também classifica o azeite do Rio Grande do Sul como “maravilhoso” e pontua que todos os cinco rótulos encontrados no Amada Cozinha são da safra 2019. “Quanto mais novo o azeite, melhor. O italiano, por exemplo, é muito bom, mas é melhor se tu consomes lá. Se ele é novo, se tu vais fazer uma visita num olival, retira na hora e consome. Agora, a partir do momento que ele vem de lá, nunca será tão puro quanto esses”, explica.
LUCIANA CORSO GALIOTTO/DIVULGAÇÃO/JC
A ideia de mudar de local, para ampliar a capacidade de atendimento, era algo que estava nos planos das empreendedoras e se consolidou quando receberam o convite das três herdeiras do casarão construído em 1943. “Elas buscavam um restaurante que pudesse dar vida ao lugar e muitas pessoas nos indicaram. Depois, descobrimos que minha vó é muito amiga da dona Lorita, mãe delas”, conta. O edifício, com três pavimentos, é tombado pelo Patrimônio Histórico do Município e foi projetado pelo arquiteto Vitorino Zani, que planejou a Igreja São Pelegrino. “O movimento agora triplicou. Não servimos menos de 60 almoços por dia”, contabiliza. O restaurante ainda recebe eventos privados, para até 80 convidados, e opera como cafeteria, com oferta de doces assinados pela confeiteira Carla Prezzi. Com a transição, a equipe dobrou de cinco colaboradores para 10.
O investimento das sócias foi de R$ 100 mil, utilizados na aquisição de louças e equipamentos, porém a estrutura foi financiada pelas proprietárias da casa. A decoração é em tons de rosa e tem um piano, pertencente à Lorita, utilizado nas noites do jazz, programação das quintas ou sextas-feiras à noite. “Foi um projeto que inventei porque existe essa demanda para as pessoas mais velhas poderem ir a um lugar para conversarem, tomarem um drink legal”, contextualiza Carolina.
FABIO GRISON /DIVULGAÇÃO/JC
É ela quem cria os pratos, priorizando servir alimentos frescos e ingredientes de proveniência regional, seguindo a sazonalidade dos insumos. Sobre empreender entre mãe e filha, a jovem diz que as duas se complementam, porque uma é mais sonhadora e a outra mais pé no chão. “Quando a gente cozinha juntas, não precisamos falar nada.” Maria Beatriz foi professora da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e nos últimos 20 anos dedicou-se à estruturação e coordenação de cursos de gastronomia em universidades, tendo ajudado a implementar a Escola de Gastronomia da UCS em Flores da Cunha, em uma parceria com o Italian Culinary Institute For Foreigners (ICIF). Ela realiza cursos e treinamentos sobre azeite de oliva.
O Amada Cozinha fica no número 1.989 e o horário de atendimento é de segundas às sextas, das 10h às 19h, e sábados, das 10h às 15h30min. O local conta com estacionamento exclusivo para clientes.