Lyana Bittencourt
Lyana Bittencourt

A tecnologia que gera humanidade

Lyana Bittencourt

O fator "vida" passou a ser ainda mais valioso para o consumidor

A tecnologia que gera humanidade

Lyana Bittencourt

O fator "vida" passou a ser ainda mais valioso para o consumidor

Alguns executivos brasileiros tiveram a oportunidade de participar de um momento histórico. Pela primeira vez em mais de 100 anos, a maior convenção mundial de varejo, a NRF Big Show, aconteceu online e se mostrou uma experiência bastante positiva.
O evento não trouxe muitas novidades e deu uma sensação de que o que aconteceu lá também se passou aqui em termos de aceleração e agilidade da transformação das empresas. Todas (ou quase todas) em modo de sobrevivência suportadas por altas doses de resiliência.
Do "shift to online" até a mudança do comportamento do consumidor, a discussão foi sobre o que fica e o que vai embora com a vacina.
Muitas das reflexões que temos feito aqui em nosso País também são feitas por lá, porém com altas doses de tecnologia empregada.
E é justamente nesse fator "tecnologia" que vem uma das reflexões mais interessantes que vimos. Na sessão com Indra Nooyi, ex-CEO da Pepsico, falou-se sobre como esse período enclausurados nos deu a perspectiva do quanto a tecnologia é importante, mas que ela nunca vai substituir o que temos de mais único na nossa existência: a humanidade. As pessoas passaram, sim, muito tempo enclausuradas em seus "casulos", como ela disse, mas estão desesperadas para ter novamente interação.
Para ver os sorrisos, abraçar e até mesmo sentir o frescor de uma fruta na prateleira do supermercado e poder escolher, tocar, sentir.
Fica muito claro que a tecnologia pode dar o que é técnico, o que é habilidade obtida por meio de estudo, prática e tudo que podemos chamar de hard skills.
Mas a mágica acontece quando conseguimos nos desenvolver enquanto seres humanos, quando nos tornamos pessoas melhores, e isso só se consegue por meio de interação, socialização e amadurecimento emocional. Não acontece de outra forma que não seja com a vida fora do "casulo".
Essa reflexão vem ao mesmo tempo em que empresas como Verizon - gigante americana das telecomunicações - tem um índice extraordinário de atendimentos pré-agendados, como sinal de que as pessoas querem usar seus tempos da melhor forma possível e querem se programar para isso.
O nível de prontidão que exigem das empresas passa a ser bastante alto, afinal, a vida está acontecendo "lá fora" e é preciso enxergar valor no tempo investido no relacionamento e na compra dos produtos e serviços das empresas.
O fator "vida" passou a ser ainda mais valioso para o consumidor. Não porque antes não era, mas porque era algo que se tomava por garantido. Algo que simplesmente existia.
Agora, que a vida nos foi privada de tantas e variadas formas, é natural que a exigência de saber como as empresas vão usar e gerar valor para o tempo de vida que o consumidor está investindo no relacionamento com as marcas faça com que a barra da expectativa seja elevada.
No final das contas, a tecnologia nos dá mais tempo, e nos devolve a possibilidade de aprimorar nossas habilidades sociais.
Nos ajuda a ser melhores no que temos de mais único - nossa humanidade.
Lyana Bittencourt
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