Felipe e Djimitri também participam de projetos sociais Felipe e Djimitri também participam de projetos sociais Foto: /LUIZA PRADO/JC

Apresentações de coletivo de poesia afrocentrado se espalham pelo País

O coletivo Poetas Vivos é uma iniciativa afrocentrada que abrange poetas, grafiteiros, dançarinos, DJs e atores que têm a poesia como norte. Os artistas são contratados por bares, restaurantes, escolas, universidades e casas noturnas para apresentarem suas intervenções, que têm chamado a atenção do público.

Isso porque a principal característica do grupo é falar sobre problemáticas como racismo, machismo e situações que surgem a partir desses preconceitos. Felipe Deds, 22 anos, um dos fundadores do coletivo, conta que a proximidade com a poesia começou na infância. "Desde pequeno, escrevo o que sinto. Sem formato de rima, só para botar para fora o que tenho dentro de mim. Escutava rap e ficava impressionado com os caras", lembra.

Ele e Djimitri Rodrigues, conhecido como Danova, 24 anos, que também integra o grupo, moravam no bairro Jardim Carvalho, onde as ideias começaram a brotar. "Tínhamos um amigo, o Arabin, que nos mostrou batalhas de rima improvisada, e nos encantamos. Começamos a frequentar", detalha Deds.

A morte de Arabin, vítima de depressão, motivou ainda mais a dupla a externar os sentimentos. "A partir disso, não conseguia mais ver as coisas do mesmo jeito. Não queria rimar falando coisas só pelo calor do momento", expõe Deds. Começou, então, a fazer poesia, em 2017.

Naquele ano, o slam (campeonato de poesia de rua) chegou a Porto Alegre, e uma nova história começou a ser escrita.

O currículo de Deds só cresceu na sequência. Ele venceu as edições de praticamente todos os slams do Estado, incluindo a Seletiva Regional de Duplas e o Slam Nacional em Dupla, ao lado da poeta Agnes Mariá. Ele também foi contratado pelo Centro de Juventude Restinga para dar aulas de poesia para adolescentes e jovens adultos em situação de rua, drogas ou vulnerabilidade social.

Em 2018, Deds, ao lado de outros poetas gaúchos com vivência nacional, iniciou o Poetas Vivos. De lá para cá, lançaram projetos poéticos e singles na internet, zines e um livro.

Pensando em expansão, o grupo gaúcho concedeu a permissão para que artistas de outros estados usassem o nome da iniciativa. Hoje, portanto, a marca está no Acre, no Rio de Janeiro, na Bahia e em Santa Catarina.

Para Danova, viver da própria arte não é mais uma escolha, mas uma necessidade.

"Para nós, que somos crias da rua, é difícil a adaptação em uma empresa na qual as pessoas que chefiam não entendem nossa vivência. Antes, eu rimava e trabalhava. Hoje, rimar é o meu trabalho, e percebo o quanto eu usava a poesia para descarregar algumas frustrações individuais. Viver disso me dá mais bagagem para analisar nosso contexto e pensar de forma ampla. Não sei se conseguiria voltar ao que era antes", comenta.

A atual formação de poetas do coletivo conta, ainda, com Mica, Dickel e Pretana.

Quem não encontrar os Poetas Vivos na rua pode acompanhá-los pelas redes sociais.

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