Gustavo, coordenador do Feevale Techpark, diz que o Hub One não tem espaços disponíveis Gustavo, coordenador do Feevale Techpark, diz que o Hub One não tem espaços disponíveis Foto: /Vitorya Paulo/Especial/JC

Caminho das startups no RS passa pelo Vale do Sinos

Com três parques tecnológicos nas universidades, região expande vocação empreendedora

Quem viaja de Canoas até Campo Bom, num raio de pouco mais de 40 quilômetros, passa por três propulsores da inovação no Estado: os parques tecnológicos. Responsáveis por promover o empreendedorismo e as novas tecnologias, as unidades geram cerca de 6,7 mil empregos na região. Em Canoas, o Ulbratech congrega 12 startups. No Tecnosinos, em São Leopoldo, são 36. Já o Techpark Feevale, que tem uma unidade em Novo Hamburgo e outra em Campo Bom, dá espaço para 73 empresas.
Mas o que é, de fato, uma startup? De acordo com a diretora do Tecnosinos, Susana Kakuta, são empresas nascentes, com forte base tecnológica e que fazem parte da economia do conhecimento. "Elas nascem pequenas, mas têm capacidade potencial escalar. Em pouco tempo, podem fazer a virada para se estabelecer no mercado", explica. O coordenador do Feevale Techpark, Gustavo Piardi, complementa que essa modalidade de empreender não exige, por regra, a criação de tecnologias revolucionárias. "Às vezes, o diferencial está em utilizar algo já existente com um novo olhar", diz.
Pedro Barbosa/Especial/JC
Para o Tecnosinos, são consideradas startups as empresas de até cinco anos, sendo três de incubação e dois de maturação no mercado. O parque seleciona os empreendimentos por meio de vários canais de captura de ideias, como o Prêmio Roser, competição de empreendedorismo do local. No Ulbratech, a seleção é realizada por meio de apresentação dos projetos para comissão avaliadora, inscritos a partir de editais.
Já no Techpark, são promovidos os Pitch Day e Pitch Night a cada três meses, eventos em que os futuros empreendedores apresentam suas propostas.
A partir desse processo seletivo, os projetos podem ingressar na pré-incubação. Essa fase, marcada pela construção do plano de negócios da empresa, pode durar de três a quatro meses. Susana destaca a importância de mentorias e qualificações para que as empresas tenham um ingresso qualificado no mercado. "Tudo isso para que esse novo potencial nasça melhor. Não apenas crie um CNPJ e depois morra", pontua.
Depois dessa etapa, as startups passam, novamente, por uma avaliação para a incubação. "O peso muda conforme o estágio", afirma Gustavo. Em seguida, a startup assume um tom formal: é hora de obter número de CNPJ e cumprir com obrigações, como pagamento de salários e custos da produção.
"É nesse momento que a empresa sai do campo das ideias", destaca Susana. Para os gestores dos parques, não há dúvidas que o Vale do Sinos tem tradição empreendedora. "A vocação da região está dada. O perfil do empreendedor é seletivo, começa por uma qualificação técnica muito boa", define Susana.
Essa inclinação ao empreendedorismo está aparecendo cada vez mais cedo entre os estudantes. "As pessoas já decidem como carreira. Não é mais a última opção", complementa Gustavo.
O diretor de inovação da Ulbra e CEO do Parque Tecnológico Ulbratech, Márcio Machado da Silva, acrescenta que o perfil da região é industrial. "Encontramos mais empreendedores com projetos voltados à indústria, tendo em vista a histórica vocação regional", explica.
Nesse sentido, Susana lembra que o Vale do Sinos sempre teve foco no trabalho de contexto internacional. A diretora destaca que, além das startups, o Tecnosinos abriga empresas nacionais e multinacionais. "Essa mescla cria um ambiente diferenciado e faz com que as startups já nasçam globais", aponta. Só em 2018, o Tecnosinos teve crescimento de 30%. "A expectativa deste ano é que o parque cresça pelo menos 25%", declara.
No Techpark Feevale, houve avanço significativo no número de empresas instaladas: de 47 empreendimentos em 2017 para 60 em 2018, um aumento de 27%. Essa expansão foi um dos motivos para a criação, em dezembro do ano passado, do Hub One, a unidade do parque em Novo Hamburgo. Atualmente, a unidade não tem salas disponíveis para ingresso de empresas.
"Nas duas cidades, temos ocupação de 90% do espaço disponível", afirma.
Em Canoas, no Ulbratech, a perspectiva é de crescimento. Márcio destaca a novidade da incubação virtual, modalidade a distância que está sendo desenvolvida no parque e que já existe no Techpark da Feevale. "Temos startups de diferentes níveis: algumas que ainda não estão faturando e outras que já atingiram o ponto de equilíbrio", expõe.
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