Entrevista com Gerusa Caron, da padaria Pão Santo, que criou lanches para crianças. 
na foto: Gerusa Caron Entrevista com Gerusa Caron, da padaria Pão Santo, que criou lanches para crianças. na foto: Gerusa Caron Foto: /MARCELO G. RIBEIRO/JC

Empreendedoras criam negócios de olho na demanda infantil

Soluções também visam facilitar o dia a dia das mães e dos pais

Os pais estão cada vez mais atentos ao consumo das crianças. Alguns empreendedores observam esse comportamento e adaptam ou criam negócios para elas. A padaria Pão Santo, no bairro Tristeza, em Porto Alegre, oferece kits de merenda escolar. "A escola Creare nos procurou, porque os pais estavam pedindo essa opção", relata a proprietária do local, Geruza Caron, de 38 anos.
Desde maio, ela entrega os lanches para cerca de 30 alunos diariamente, mas há também para clientes que pedem o item individualmente. "Há mães que não conseguem preparar, nos solicitam pelo WhatsApp um dia antes e vêm buscar", explica.
A ideia é ampliar para mais escolas, inclusive em outros bairros da Capital, já que a Pão Santo possui uma unidade na avenida Carlos Gomes. O kit da merenda custa R$ 11,00.
"Priorizamos materiais recicláveis, é tudo de papel", salienta Geruza. Ele é composto por um suco natural, preparado no dia, duas opções de carboidratos - um doce (bolos) e um salgado (panquequinhas, pães ou pães de queijo) - e uma porção de frutas. 
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A empreendedora, que é engenheira de alimentos, seleciona o cardápio baseada no conhecimento adquirido durante a formação e inspirada no gosto dos filhos, de três e quatro anos. "O objetivo do lanche não é a guloseima empacotada", justifica. Foi preciso desenvolver caixinhas com suporte para copo, arte e embalagens do bolinho exclusivamente para a criançada.
Por uma década, antes de abrir a padaria, em 2013, Geruza trabalhou em uma indústria de alimentos. Dessa experiência, surgiram os pães prensados e resfriados - que também agrada os pais.

Companhia foca no lúdico e no resgate de brincadeiras antigas

Neka começou sua atividade de recreação com uma mochila e, agora, abrirá a quarta unidade da Casa Lúdica Neka começou sua atividade de recreação com uma mochila e, agora, abrirá a quarta unidade da Casa Lúdica Foto: /MARCELO G. RIBEIRO/JC
A Cia Lúdica existe como projeto pedagógico e artístico em colégios há quase três décadas, mas foi somente em 2014 que passou a ter um endereço físico, a Casa Lúdica, em Ipanema. "Íamos para as escolas e as crianças nos questionavam onde morávamos, se na Cia Lúdica todos eram irmãos. Então criamos a casa de festas", explica a idealizadora Neka Sanford.
E o negócio cresceu. Já são três operações próprias e previsão para uma quarta, que provavelmente será inaugurada ainda em 2019. O quadro de colaboradores é de 60 funcionários fixos, mais os freelancers, somando 150 pessoas. Existe um estudo de viabilidade de franquias, a partir do formato de brinquedoteca, o que pode levar a Cia Lúdica para outras cidades e até estados. "Nossa meta é Cia Lúdica para o mundo", confessa Neka.
A primeira unidade com o modelo de brinquedoteca foi inaugurada em junho, no Iguatemi. No andar superior, há um ambiente para festas, enquanto, no inferior, a diversão rola solta em horário de funcionamento do shopping. "Nosso diferencial é que não somos passivos. Não somos cuidadores dos brinquedos, a criança vai interagir com a nossa equipe. Alguns pequenos já chegam nos chamando pelo nome", destaca a empreendedora.
Neka afirma que o objetivo é resgatar a infância dos adultos também, por isso evita os eletrônicos. A maioria dos brinquedos são em madeira e tecido, e os detalhes são confeccionados artesanalmente, muitos por arte-educadores. Ela acredita que as crianças de hoje estão mais parecidas com as de antigamente, diferentemente de alguns anos atrás, quando a tecnologia parecia ser a solução para mantê-las entretidas e seguras dentro de casa.
"Penso que esse resgate que muitas outras empresas estão promovendo já está mudando", diz. "Observo que há um resgate da ludicidade, os pais procuram lugares seguros para elas estarem, mas com momentos de interação", pontua.
A companhia tem uma banda musical, que gravou dois CDs, canal no YouTube e deve ter licenciamento de produtos dos personagens Super Lúdicos, criados para espetáculos infantis. Um deles é Caco, o neto de Neka, nascido neste ano. A filha, o genro e o marido da pedagoga também estão envolvidos no negócio. Ela credita o sucesso à força de vontade e ao otimismo que manteve desde o início.
"Sou uma realizadora de sonhos. Comecei com uma mochila nas costas, mas tinha certeza que ia dar muito certo. Perguntavam-me quando eu ia arrumar um emprego de verdade", recorda.
 

Fonoaudióloga cria planner alimentar para os pequenos

Catia desenvolveu o produto para organizar a rotina de alimentação de pacientes Catia desenvolveu o produto para organizar a rotina de alimentação de pacientes Foto: /DIVULGAÇÃO/JC
Ao acompanhar pacientes mirins com dificuldades de alimentação, a fonoaudióloga Catia Vargas desenvolveu, durante dois anos, um planner alimentar focado em crianças com problemas de deglutição. O sintoma acompanha algumas doenças que atingem bebês prematuros, com má-formação e paralisia cerebral. Ele pode variar de um desconforto leve a um bloqueio total e doloroso, o que acarreta em achar uma via alternativa de alimentação, por sonda ou gastrostomia.
O produto, lançado em agosto, reúne informações para facilitar o atendimento dos profissionais da área de saúde. "Precisamos de tecnologia, um aplicativo seria muito bom, mas o papel tu consegues centralizar, é tátil, tu pegas na mão", detalha Catia.
O planner é dividido em três partes. A primeira é uma agenda, com espaço para marcações. A segunda é para colocar evoluções mensais de medicamentos e consultas. Já a terceira detalha a semana do paciente. "É um diário alimentar no qual é escrito o que a criança comeu, de que forma, a quantidade e se há algum sinal de alerta", explica.
A fonoaudióloga está envolvida com um trabalho para o público infantil, mas garante que o planner não foi criado para propaganda de seu serviço. "Não é um material de divulgação meu, é para todos, nutricionistas, médicos e colegas de exercício", justifica.
O planner custa R$ 120,00 e pode ser adquirido diretamente com a idealizadora ou pelo Mercado Livre.

Mãe vende produtos para facilitar o dia a dia da maternidade

Camila ampliou o portfólio ao perceber as necessidades do filho Camila ampliou o portfólio ao perceber as necessidades do filho Foto: /MARCO QUINTANA/JC
A relações públicas Camila Fialho redirecionou a carreira de executiva de marketing para empreendedora em 2016. Na ocasião, grávida de Gustavo (atualmente, com três anos), lançou a Happy Day, marca de tapetes impermeáveis com material antimanchas, antimofo e antifungos.
Com o tempo, ampliou o portfólio, com produtos voltados para clientes mães e consumidores crianças. O desenvolvimento dos itens foi paralelo ao crescimento do filho.
"Foram surgindo necessidades, e fui vendo as oportunidades. Após os tapetes, lancei os trocadores portáteis, porque não conseguia encontrar um trocador fininho, que coubesse na bolsa, impermeável, de estampa legal e fácil de fechar", descreve.
Logo depois, vieram os cestos multiusos, ideais para guardar brinquedos. "Apliquei alças, detalhes que fui observando através de muita pesquisa e do dia a dia", relata. A Happy Day ainda produz bolsinhas para roupa suja e bolsas de praia. Essa última é a mais recente novidade.
"Ela tem nove compartimentos. Quem tem filho precisa levar para a praia mamadeira, garrafinha d'água, lanches, toalhas", elenca. "Não encontrava no mercado algo do gênero que me atendesse legal. Quis seguir nesse nicho de itens resistentes à água", comenta a empreendedora.
A produção é dividida em três etapas. O primeiro processo é totalmente realizado por Camila, por isso ela se dedica exclusivamente ao negócio. É ela, portanto, quem seleciona fornecedores, compra matéria-prima, escolhe estampas e projeta a parte logística e comercial. A etapa seguinte envolve maquinário para unir dois tipos de tecidos, e, por último, as peças são encaminhadas para um ateliê, onde são feitos costuras e acabamentos.
 
Os pedidos, segundo Camila, chegam de todas as regiões do País. Assim, além das redes sociais, ela abriu uma loja virtual em 2017 (a qual pode ser acessada pelo endereço www.tapeteshappyday.com.br) e também está em pontos físicos que revendem as mercadorias em Porto Alegre, entre eles, a loja e espaço coletivo Manas. Os valores partem de R$ 49,90.
Ao facilitar a maternidade (dela própria e de outras mulheres) através de seus produtos, Camila se define como realizada. "Posso passar mais tempo com meu filho", destaca, ao contar que consegue desenvolver grande parte de suas atividades de casa mesmo.
MARCO QUINTANA/JC
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