João Ramos é um dos realizadores do BS Kids Festival, no Iguatemi João Ramos é um dos realizadores do BS Kids Festival, no Iguatemi Foto: /VINICIUS COSTA/VCF/DIVULGAÇÃO/JC

Festival de inovação estimula a criançada

João Ramos, do Black Sheep Project, é um dos realizadores do BS Kids Festival, primeiro festival de inovação do País para crianças. A iniciativa acontece até o dia 28 de julho, no Shopping Iguatemi, em Porto Alegre, com uma programação intensa para despertar o espírito empreendedor nos pequenos. Nesta entrevista, ele fala sobre a iniciativa e a importância de expor a gurizada a esse tipo de experiência.
GeraçãoE - Nos conte como nasceu essa primeira edição do BS Kids Festival.
João Ramos - Essa ideia surgiu de uma fala muito espontânea da nossa gestora de projetos, a Cris Pastor. Estávamos na segunda edição do BS Festival, e ela, um dia, provocou: "Já que a gente fala tanto em fazer um festival para moldar um mundo melhor, trazer novas soluções, então por que não colocar as crianças no centro dessas discussões, para trazer seus próprios insights?". Concordamos plenamente que as crianças têm que fazer parte desse processo de construção do futuro. Muito se fala sobre soft skills, criatividade, empatia e uma série de coisas que já são inerentes ao público infantil. As crianças são inerentemente criativas, quem tira a criatividade delas somos nós e o modelo tradicional de educação. A cada fase parece que a criatividade delas vai morrendo, sendo podada. Então, por que não discutir esse processo e estimulá-las a repensar, inclusive, o modelo de escola? Quando, em geral, se faz esse tipo de discussão hoje, a gente coloca todos os atores à mesa: professor, pedagogo, pai, comunidade, político. Menos quem recebe esse tipo de conteúdo, que é o centro disso tudo, a criança.
GE - Traduzir a inovação para as crianças é fácil?
João - Temos esse desafio, e todo o conteúdo foi pensado para uma linguagem fácil, acessível, lúdica e divertida. Além disso, a cenografia do projeto está pensada e foi criada para conversar com a criança por meio do sensorial, do lúdico, do visual, do tato. Até mesmo a área de palestras é sensorial, com projeções. A ideia é criar um espaço onde as crianças possam sair do mundo real e entrar no mundo da inovação, um mundo paralelo, onde tudo é possível, onde grandes discussões acontecem, mas, também, grandes brincadeiras e grandes risadas. E a programação é uma consequência disso. Por exemplo, a gente está trazendo o Renato Cunha que é o embaixador da Singularity University, uma referência em inovação, e que está acostumado a trabalhar com adultos. Desta vez, ele trabalhará com crianças e fará um hackaton em que elas vão ser desafiadas de uma forma bem lúdica a resolverem grandes problemas e desafios globais, como sustentabilidade, futuro do emprego etc. Também estamos trazendo o Dado Schneider, que é um grande palestrante nacional e internacional, foi executivo de marketing em grandes empresas, hoje é consultor. Ele está acostumado a dar palestras todos os dias em grandes eventos, e foi desafiado a fazer uma palestra para pais e crianças que deve ser toda interativa e que faça um resumo do que foi o evento no dia do fechamento. Também vamos entrar em conceitos que a nossa geração não aprendeu, como mindfulness, autoconhecimento e gestão das emoções.
GE - Quais os desafios dessa nova geração?
João - Eles vão ter desafios que extrapolam até mesmo a nossa capacidade de prever. Já existem pesquisas que apontam que praticamente 70% dos trabalhos que elas vão desenvolver no futuro nem existem. Então, que tipo de informação, de educação elas têm que ter para encarar um mundo que a gente nem sabe como vai ser exatamente? Que tipo de habilidade a gente precisa salientar, explorar e potencializar nessas crianças para elas poderem viver nesse mundo de incertezas, volátil, líquido, que muda o tempo todo? Isso vai passar muito e inevitavelmente pelo aspecto humano. Apesar de todas as inovações e tecnologias - contação de história com robô, realidade virtual, robótica - o festival, na verdade, é uma grande reflexão sobre a humanidade, sobre as pessoas. Por mais que a gente esteja fazendo essas experiências todas, o grande foco é o lado humano. As pessoas precisam ter capacidades intelectuais diferentes, ferramentais, de tecnologia? Sim, claro. Elas devem ter. Mas, acima de tudo, elas precisam ter autoconhecimento para poder resolver problemas muito complexos, e não mais capacidades compartimentadas e disciplinas específicas.
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