Presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção conversou com a gente durante o RS Moda Presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção conversou com a gente durante o RS Moda Foto: /SIVERGS/DIVULGAÇÃO/JC

Setor têxtil exige atenção às tecnologias

Fernando Valente Pimentel é presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção

Fernando Valente Pimentel, 63 anos, é presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (Abit). No mês passado, ele esteve em Porto Alegre para participar da segunda edição do evento RS Moda, que aconteceu na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs).
Nesta entrevista, ele fala sobre a importância de se atentar às dinâmicas dos tempos modernos no setor. Confira os principais trechos da conversa:
GeraçãoE - Como você avalia o andamento da economia relacionada à indústria têxtil?
Fernando Pimentel - O segmento do varejo, no primeiro quadrimestre, foi um pouco morno, aquém do esperado. Houve um consumo direcionado a bens duráveis, até porque nosso setor cresceu bem no ano passado, mesmo que esse crescimento tenha se dado em uma base reprimida. Então, o ano não vinha atingindo as expectativas que havíamos projetado no final de 2017. Fizemos uma revisão na perspectiva de crescimento e da geração de emprego, justamente, por esse início inferior ao esperado.
GE - Uma sugestão para quem deseja empreender no setor têxtil?
Fernando - Olhe bem a sua atividade, se dedique a ela. Trabalhe com a inovação e a criatividade que fazem parte do nosso setor. E acompanhe de perto as novas tecnologias, porque elas estão mudando a face do mundo. Além disso, trabalhe dentro dos objetivos sustentáveis do desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU). Muita gestão, muito comprometimento com seu negócio. Participe de seminários e de eventos, se possível. Existem várias ferramentas disponíveis no ambiente do seu sindicato, na sua federação, para obter as melhores informações para se manter antenado no que está acontecendo. É um setor de muitas oportunidades e o consumo está aí. Sofremos ameaças dos importados e, muitos deles, fabricados de maneira que não aceitamos que sejam fabricados no Brasil. Não se trata de uma ameaça referente à concorrência, porque ela sempre existe no nosso setor, mas à uma concorrência desleal, que ceifa empregos nacionais em detrimento de países que produzem de uma maneira não correta do ponto de vista ambiental, social, trabalhista e judiciário.
GE - Qual a importância do Rio Grande do Sul no setor têxtil?
Fernando - O Estado tem um polo produtivo grande, de representatividade no País. É o estado fronteiriço com Uruguai e Argentina, o que permite um intercâmbio comercial relevante, inclusive. Tem varejistas que estão se deslocando, já instalados no Uruguai, com pretensão de ir para outros países. Tem uma moda que atende bem a essa produção, mais voltada ao clima frio, junto com Santa Catarina. Então, tem um papel importante nesse comércio e na produção. Não é o estado líder, mas tem uma representatividade, tanto na serra gaúcha como na Capital e nos municípios vizinhos. É algo que merece ter toda atenção, não só do governo ou das prefeituras, onde estão localizados os principais polos, mas também da Federação da Indústria, porque é um segmento que emprega muita gente.
GE - Da participação no evento RS Moda, que comentários deixa?
Fernando - Vi uma qualidade muito grande nos produtos expostos e acho que o Estado tem muito potencial. É uma atividade econômica muito relevante e de qualidade. Tem bons empreendedores, design, tem uma moda muito bacana e bem construída, tanto no segmento invernal e na moda praia, que não é um estilo tão relacionado ao Rio Grande do Sul.
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