Dirceu Baccin é diretor administrativo da rede Lojas Colombo Dirceu Baccin é diretor administrativo da rede Lojas Colombo Foto: /LUIZA PRADO/JC

"Tem que trabalhar com transparência"

Permanecer no varejo por muitos anos é um desafio, principalmente com a inserção cada vez mais forte do e-commerce. Para manter as lojas físicas competitivas, a Colombo acredita que é necessário que o funcionário entenda a cultura da empresa e se sinta parte da engrenagem para poder acolher o cliente da melhor maneira. Dirceu Baccin, diretor administrativo da rede, iniciou a sua trajetória como auxiliar jurídico há 18 anos. Compondo o quadro diretor da empresa que emprega mais de 4 mil pessoas, ele fala, nesta entrevista, sobre como iniciar um projeto no varejo e quais são os segredos para se destacar no mercado por tanto tempo.
GeraçãoE - Como manter os colaboradores engajados com a empresa mesmo trabalhando em rede?
Dirceu Baccin - A Colombo tem 250 lojas espalhadas nos três estados do Sul, então é difícil você estar em contato com todos esses colaboradores. É um custo muito alto. Por isso a tecnologia nos ajuda tanto. Criamos a UniColombo, uma universidade física com alojamento e salas de treinamento em Farroupilha, justamente, para trazer uma padronização e aprendizado corporativo. Mesmo investindo no EAD, também sentimos a necessidade de algo presencial. As pessoas que vão nas lojas querem um contato, ver o produto, ser bem atendidas.
GE - O que é necessário para abrir um negócio no varejo?
Dirceu - No início da Colombo, existiam poucos negócios, então praticamente tudo era inovador. Bastava ter muita força de vontade, muito trabalho, que você ia ser bem-sucedido. Hoje tem que trabalhar com estratégia de diferenciação. No varejo, se a pessoa pretende abrir uma loja, ela tem que entender que dificilmente vai competir com grandes varejistas por questão de volume, capacidade de investimento. Você consegue competir com o grande varejista no nicho de mercado. Quando você abre um negócio mais específico, com produtos mais segmentados, mostra que não é igual aos demais, que é especialista, e isso é difícil para os grandes varejistas. As pessoas, há 15 anos, eram muito fiéis à marca. As novas gerações, no entanto, não têm isso. Quem está abrindo novos negócios no varejo tem que mostrar um motivo para as pessoas escolherem o seu.
GE - Como a Colombo trabalha para que os funcionários se sintam parte da empresa?
Dirceu - Tem que comunicar que o trabalho daquela pessoa está contribuindo para o negócio. Tem que trabalhar com transparência. Antes, as informações eram muitos fechadas, ficavam na alta direção. Hoje tem que ser transparente com o colaborador. Se estamos com uma dificuldade, a gente divide isso. Temos dois diretores que começaram lá na ponta como vendedores, fizeram todo trajeto de carreira, então as pessoas entram na companhia e isso traz engajamento sabendo que se trabalharem vão conseguir crescer.
GE - Que conselho daria para quem está começando?
Dirceu - Leia. Indico o livro Safári da Estratégia, onde são apresentadas diversas escolas, com os maiores estudiosos do assunto. Não existe escola de estratégia certa ou errada, existe aquela que você acredita. Hoje a informação é amplamente divulgada na internet. É só buscar conteúdos com procedência. Então basta querer, ter força de vontade e acreditar.
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