Lúcia Neffa, autora de Milagre em Passadouro Lúcia Neffa, autora de Milagre em Passadouro Foto: /Syd Lucas/Divulgação/JC

Como a escrita moldou perfil de empresária

Herdeira de um grupo empresarial no Espírito Santo, Lúcia Neffa, apelidada de Xuxu, materializou sua paixão pela língua portuguesa no livro Milagre em Passadouro, a ser lançado neste mês. A admiração pelo idioma fez a empresária  se embrenhar na arte da literatura e escrever um romance. Mas, no caminho inverso, como a escrita influenciou sua rotina no empreendedorismo? Na conversa abaixo, ela fala mais sobre essa relação. 
Formada em contabilidade, Lúcia trabalhou durante dois anos em uma multinacional da área de auditoria contábil, a Pricewaterhouse Coopers. "Esse trabalho me deu uma visão ampla de gestão de negócios, que eu pude aplicar na empresa da família", diz ela, que logo resolveu se dedicar exclusivamente a auxiliar seu pai a gerir supermercados, um hotel e um centro de convenções. "Sempre tive muita vontade de levar à frente o legado familiar", afirma. Ela se considera uma empresária nata, que preza pela disciplina, estabelecendo metas a cada minuto da sua vida. Foi essa força de vontade que a levou a se manter fiel aos estudos de português e análise sintática, iniciados há sete anos, para "não fazer feio" com os textos de cunho empresarial que escrevia na internet. De quebra, descobriu algo novo para explorar. E o melhor: com toda a bagagem que o olhar para os negócios lhe deu.
GeraçãoE - Você é empresária e resolveu escrever. Qual a importância de desempenhar outras atividades enquanto se empreende?
Lúcia Neffa - Sabe de uma coisa? A força de vontade precede a conquista. Desse modo, para toda vitória há uma única explicação: determinação. Como empresária genuína, traço metas a cada instante para serem cumpridas por mim ou por aqueles que fazem parte do meu núcleo de trabalho.
GE - Que investimento tiveste de fazer para produzir a obra?
Lúcia - Não posso negar que as aulas ministradas por meu professor particular de português, ao longo dos anos, foram cruciais para a minha evolução sintática. Aí, o mesmo Carlos Laet de Oliveira, pouco a pouco me fez íntima dos clássicos da literatura portuguesa e brasileira, por quem fui contaminada de uma subjetividade infinita, que desconhecia, florescida naturalmente. O livro Milagre em Passadouro é redigido em linguagem castigada, a despeito de certas expressões despojadas, propositalmente empregadas, quando pertinentes. Assim, mostro com muita sutileza, ao longo dos capítulos, um texto puro e bem trabalhado, mas sem monotonia alguma. Amo meu idioma pátrio e, depois de anos de entrega, posso asseverar que me casei com a língua portuguesa até que a morte nos separe.
GE - De que forma a escrita agiu na sua rotina como empreendedora?
Lúcia - Com o estudo, passei não só a me expressar melhor, como ainda a fazer uso de palavras na medida certa.
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