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Thomas Lanz é fundador da Thomas Lanz Consultores Associados Foto: /Arquivo pessoal/Divulgação/JC

Thomas Lanz

Fundador da Thomas Lanz Consultores Associados

Brigas familiares impedem pequenas e médias de chegarem à quarta geração

Por melhor que sejam trabalhados e elaborados acordos entre sócios, podem surgir brigas muito feias entre as partes. As contendas aparecem por acordos falhos, mal entendidos sobre questões empresariais, sucessórias e societárias.
O palco das grandes disputas, nas grandes corporações, acontece nos conselhos de Administração, e, ao ser tornada pública, a briga traz problemas para a empresa e seus sócios através da desvalorização vertiginosa das ações negociadas na bolsa.
Evitar desentendimentos é crucial para que sócios e empresas não sejam prejudicados. Isso é válido tanto para as grandes corporações como para as milhares de médias e pequenas empresas, sobretudo as familiares. Nestas, as brigas são tantas que menos de 10% delas chegam à quarta geração. Podemos elencar como estopim dos conflitos a briga pela sucessão da gestão da empresa. Quem da família será o futuro CEO?
Outro motivo que leva a problemas surge quando sócios querem se retirar da sociedade e vender a sua participação. Quanto valem as ações e a quem podem ser vendidas? Outro problema são os atos ilegais dos gestores ou administradores, que, igualmente, levam a problemas.
Talvez o melhor exemplo que temos são os casos famosos da Odebrecht e da JBS, envolvidas na Operação Lava Jato. Mas milhares de casos semelhantes ocorrem em muitas empresas familiares, levando seus sócios e gestores ao banco dos réus, podendo destruir suas vidas e seu patrimônio.
Temos, também, casos de conflitos de agenda, nos quais os próprios sócios exercem atividades ou são sócios de negócios que concorrem com a própria empresa familiar. Muitos podem ficar espantados com isso, mas é mais comum do que se pensa.
Divergências em relação à estratégia empresarial igualmente podem levar ao desentendimento entre os sócios. Em resumo, motivos não faltam para o surgimento de brigas. Mas há formas de evitar que isso aconteça?
Podemos enumerar, por exemplo, o desenvolvimento de protocolos familiares. Neles, as famílias empresárias farão constar determinadas regras de jogo para assuntos importantes, tais como: remuneração de familiares; critérios de ingresso de futuros herdeiros na empresa da família; critérios de distribuição de lucros; resolução de conflitos etc.
Esses protocolos podem ser elaborados - preferencial e conjuntamente - pelos membros da família, com apoio de um consultor externo. A criação de conselhos de família e conselhos consultivos também seria a forma de envolver os familiares e os futuros herdeiros nas questões patrimoniais da família empresária, criando ambiente empresarial mais saudável.
Em caso de litígio mais sério, sempre se deveria tentar chegar a um final feliz através da mediação. Em uma mediação bem conduzida por um profissional aceito pelas partes, não teríamos um vencedor ou um perdedor. Ambas as partes devem sair satisfeitas do embate.
Por fim, resta a ida a uma Câmara de Arbitragem ou a um Tribunal para a resolução do conflito por pessoas que, na maioria das vezes, não entendem nada ou sabem muito pouco sobre a dinâmica empresarial e da família.
Infelizmente, nesse caso, sempre teremos, após a promulgação da sentença, um ganhador e um perdedor. Essa alternativa deveria ser evitada a todo custo, pois pode trazer importantes sequelas para a condução dos negócios e para os membros da família empresária. O importante é fortalecer o bom senso e a maturidade. No final das contas, as empresas e os negócios são conduzidos por seres humanos, que têm a habilidade de se comunicar e se entender sobre divergências.
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