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Pandemia alavanca exportações de alimentos gaúchos, aponta radiografia



Bonetti (na tela) destaca que o mundo está comprando mais alimentos, como soja e carnes
CRÉDITO: EMERSON FOGUINHO/DIVULGAÇÃO/JC
Patrícia Comunello
A pandemia do novo coronavírus faz estragos na economia interna, mas abriu ainda mais as porteiras para produtos que o Rio Grande do Sul é um dos campeões no mundo. A Radiografia da Agropecuária Gaúcha de 2020, apresentada no primeiro dia da Expointer 2020, comprova que os países importadores buscaram o Estado para se abastecer de alimentos.
O destaque foi feito pelo diretor do Departamento de Políticas Agrícolas e Desenvolvimento Rural, ligado à Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural. "Os países estão priorizando importar produtos alimentícios na pandemia", frisou o diretor do departamento, Ivan Bonetti. 
A confirmação da pauta que vem puxando as vendas foi feita pelos embarques de proteína animal e recuo no envio de tabaco e produtos florestais. O Rio Grande do Sul comercializou mercadorias para 195 países no primeiro semestre de 2020 com quase US$ 5,1 bilhões de receita no agronegócio, para mais de 190 países. O valor global foi 6,5% menor frente a janeiro e junho de 2019.  
Os produtos em alta nas vendas externas são, além da soja, com alta de 20%, proteína animal, com elevação da receita em 42,6%, puxada por avanço de 54% na carne de frango, 24% na de suínos e 15% na bovina. Somente a China comprou 44% mais em valores no primeiro semestre, que capta o impacto da pandemia, não só a do novo coronavírus, mas ainda a peste suína registrada no país asiático, que dizimou parte do rebanho.
Cereais também são requisitados, como o arroz, com alta de 7,3% na pauta exportadora. O contraponto entre os ramos em alta é a queda de setores como tabaco (-33%) e produtos florestais (-53,4%) no primeiro semestre. "Mas estes setores vão se recuperar depois da pandemia", aposta Bonetti.
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Olivais fazem parte da nova frente de cultura que o Rio Grande do Sul lidera no País. Foto: Tecnplanta/Divulgação
O complexo soja é o maior motor das vendas, com destino para 49 países, e somou US$ 4,99 bilhões em 2019 em divisas, além de quase R$ 17 bilhões em valor bruto de produção. A China compra mais de 80% do produto. O arroz, item que em 2020 cresceu nas exportações e que o Estado responde por mais de 70% da área de cultivo, somou R$ 8,4 bilhões na receita de produção em 2019.
A radiografia listou 28 dos principais segmentos agrícolas, com dados da área colhida, produção, receita, número de produtores, valores de exportação e principais destinos, participação na produção nacional e nas exportações do agro gaúcho. 
Com base em dados de 2019 do Produto Interno Bruto (PIB), o documento destaca que a agropecuária respondeu por R$ 67 bilhões do PIB total de R$ 480 bilhões, portanto, 14% do total da riqueza gerada pela venda de produtos e serviços.  Mas agrupando no conceito de agronegócio - reunindo a produção primária, serviços e processamento industrial - a cifra salta para R$ 192 bilhões, com fatia de 40% do PIB.
Os maiores valores brutos de produção são soja (36%), frango (13%), arroz (11%) e bovinos (7%). A oleaginosa tem a maior área cultivada, de 5,96 milhões de hectares, com produção de 10,69 milhões de toneladas e valor bruto de produção de R$ 16,9 bilhões. Na pecuária, o rebanho é de 9,6 milhões de cabeças, com abate de 2,1 milhões animais em 2019 e valor bruto de produção de quase R$ 5 bilhões, aponta a radiografia.
Em 2020, a cultura sofreu impacto da estiagem, com perdas de mais de 40% e já afetando o PIB do ano. Nos dados do segundo trimestre, apurados pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), ligado à Secretaria de Planejamento, quebra de safra do grão, milho e outras culturas respondeu pela maior queda no indicador, que chegou a 20,2% no valor da produção. O PIB total gaúcho despencou 13,7% no segundo trimestre em relação ao primeiro, que já havia sido negativo em 3,3%, afetado pela agricultura.     
O relatório também traz culturas que vêm se firmando como novidades na matriz agropecuária, caso das oliveiras. O Estado é o maior produtor de olivais e da produção de azeite brasileiro. A área plantada é de 5,5 mil hectares, com colheita até agora em 1,4 mil hectares. Mais de dois terços da área ainda é de olivais jovens, que ainda não dão frutos para processamento. A safra de 2020 foi de 400 toneladas, que resultaram em 48 mil litros de azeite.
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Covatti diz que dados ajudam nas políticas setoriais na pasta da Agricultura. Foto: Emerson Foguinho  

O documento que será atualizado a cada período deve ser um instrumento para ações da pasta no governo estadual. “O estudo também tem conteúdo técnico para delinear novas políticas públicas e aperfeiçoar as existentes”, pontuou o secretário da Agricultura, Covatti Filho. Os dados já subsidiam, disse Covatti, as câmaras setoriais das cadeias produtivas que estão em funcionamento na área. 
Ainda de acordo com o secretário, no ranking nacional o RS se destaca na liderança em produção, tecnologia e geração de receita, em diversas áreas do agronegócio. “Há um grande potencial para expandir as culturas agrícolas mais recentes, aprimorando os processos mais tradicionais e buscando solucionar os entraves que ainda dificultam a vida do produtor”.


Publicado em 27/09/2020.
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