Porto Alegre, domingo, 23 de maio de 2021.
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Automobilismo

- Publicada em 09h20min, 23/05/2021.

Massa afirma não sentir falta da F-1 e minimiza privilégios de Schumacher

Piloto brasileiro afirma que está feliz de voltar a competir, agora, na Stock Car

Piloto brasileiro afirma que está feliz de voltar a competir, agora, na Stock Car


DUDA BAIRROS/VICAR/JC
Em 2006, momentos após vencer o GP Brasil, Felipe Massa deu um forte abraço em Michael Schumacher, que, naquele domingo, 22 de outubro, despedia-se da Ferrari. Sorridente, o brasileiro ainda apontou para o alemão e ergueu o dedo indicador, sinalizando que o então companheiro era o número 1 das pistas.
Em 2006, momentos após vencer o GP Brasil, Felipe Massa deu um forte abraço em Michael Schumacher, que, naquele domingo, 22 de outubro, despedia-se da Ferrari. Sorridente, o brasileiro ainda apontou para o alemão e ergueu o dedo indicador, sinalizando que o então companheiro era o número 1 das pistas.
Nos bastidores também era assim. Massa, hoje com 40 anos, e Schumacher, com 52, correram juntos no time italiano apenas naquele ano, mas foi tempo suficiente para ficarem claros os privilégios dos quais o alemão desfrutava na escuderia, algo que o brasileiro via com naturalidade.
Longe da F-1 desde 2017, quando se aposentou da categoria, o brasileiro disputa neste ano a Stock Car pela primeira vez de forma regular. Em quatro corridas, ainda não subiu ao pódio, mas se diz feliz por continuar a competir.
Como avalia seu início de temporada na Stock Car?
Felipe Massa - Logicamente, quando você tem um resultado ruim, não tem como ficar feliz. Muitas coisas aconteceram, tive uma quebra na primeira corrida, e isso me fez largar em último na segunda. Mas a gente não pode esquecer que não deixa de ser um aprendizado. Leva um tempo para aprender um campeonato completamente diferente do que eu estava acostumado.
A última etapa foi disputada em Interlagos, onde você teve duas vitórias na F-1. Como foi voltar à pista?
Massa - É uma pista especial para mim, de muitas histórias e emoções, como minha primeira vitória em 2006, as três poles, além de eu ser o brasileiro que mais vezes subiu ao pódio em Interlagos. Então, voltar a essa pista, mesmo com carro diferente, é muito bom.
Em Interlagos, apesar de você ter vencido o GP de 2008 de F-1, o título escapou na última volta, por um ponto. Ainda fica frustrado com isso?
Massa - De jeito nenhum. Eu venci a corrida. Para mim, a vitória era o que mais interessava. O meu trabalho eu fiz. Se aconteceu de eu não chegar aos pontos (para o título), não foi por culpa minha. Então, eu sou um cara muito feliz pela luta que tive em 2008. A frustração maior que eu tenho na vida como piloto é a corrida de Singapura, por tudo aquilo que aconteceu, que não é esporte. Foi uma malandragem, uma sacanagem. Isso, sim, me tirou o título.
Recentemente, Rob Smedley, que foi seu engenheiro na Ferrari, disse que, durante seu período na equipe, um erro que você teria cometido foi querer se igualar a Schumacher. Como vê essa crítica?
Massa - Não vejo como uma crítica. Entrar num carro querendo ser mais lento do que o outro, seja o Schumacher ou o Senna, já é entrar sem a motivação de fazer o melhor. Nunca fui contra o Schumacher, nunca achei que eu fosse melhor do que ele, mas eu sempre tentei chegar o mais próximo possível e ser mais rápido. Sempre fui um cara o mais humilde possível e sempre respeitei as pessoas da melhor forma.
Como era seu relacionamento com o Schumacher?
Massa - Muito bom. Ele era um professor para mim. É um cara que eu sempre respeitei demais. Tive sorte de correr e aprender com ele. Nosso relacionamento era muito bom na equipe.
O Schumacher tinha privilégios na equipe?
Massa - Um piloto como ele, com tudo o que ele fez pela Ferrari, com os títulos que ele ganhou, era impossível não ser privilegiado na equipe. Impossível. E isso não é uma crítica, não é um problema. Ele tinha a equipe para ele por tudo aquilo que conquistou. Será que o Hamilton não tem privilégios hoje? A equipe pode dizer que não, mas o que o Hamilton pedir, eles vão fazer. Então, no final, o piloto merece por aquilo que faz.
Na prática, que privilégios eram esses?
Massa - Isso pode ser em vários sentidos. Na estratégia de uma corrida. Pode ser na montagem de um carro. Quando você passa os motores pelo dinamômetro e tem uma diferença de meio cavalo de um motor para o outro, esse meio cavalo logicamente vai para quem tem, teoricamente, mais chances de vencer. Na estratégia de prova, ele escolhe quem vai ser o primeiro a parar. Enfim, são coisas que fazem parte.
Recentemente, em entrevista à ESPN, você disse que Fernando Alonso dividia a equipe Ferrari na época em que vocês correram juntos. Por quê?
Massa - O Alonso é um piloto extremamente talentoso, que, sem dúvida, foi o companheiro com que eu tive mais dificuldade. Não só pelo talento dele, mas pelo tipo de piloto que ele é. O trabalho com ele era bacana, ele respeitava o que você falava, mas, na hora em que ele fechava a viseira, não respeitava muito e pensava só no melhor para ele. Isso acabou dividindo um pouco a equipe.
O Alonso voltou neste ano à F-1, aos 39 anos. Você está com 40. Ainda pensa em voltar?
Massa - Não tenho vontade de voltar, não. Eu tive o meu tempo na F-1, fui muito feliz com aquilo que eu conquistei. Corri 16 anos na F-1, mas acho que a gente tem de ter o pé no chão. Passou, eu tenho 40 anos, não acho o certo voltar. Se você me perguntar se eu sinto falta da F-1, vou dizer que não. Eu sinto falta da competição, que é o que eu estou fazendo hoje, na Stock Car.
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